quinta-feira, junho 21, 2007

Intemporal

FUTUROS AMANTES, Chico Buarque (1993)
Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

2 comentários:

inês leal, 31 anos à volta do sol disse...

o chico buarque tem qualquer coisa de imenso, de tanto, de tudo, de...*

ai...*

Joana disse...

.... que bonito que é!
:)