terça-feira, fevereiro 13, 2007

(Re)posição

Pois é, ainda agora estávamos a dizer os nossos nomes e já te vais embora. Estranho, conhecer-te há tão pouco tempo mas sentir tantas coisas por ti! Quem diria? Há um mês atrás, nem sequer existias para mim. Agora, vejo-me obrigada a dizer que contigo vai uma parte de mim (um mês é quase nada numa vida, eu sei, mas às vezes as coisas que menos esperamos encontrar são aquelas de que mais gostamos. Eu gosto de ti, assim de uma maneira que não sei explicar, e por isso a parte que levas de mim custa-me tanto como se fosse eu a carregá-la), que teve a sorte de ter sido estupidamente feliz durante as últimas semanas. Obrigada por isso. Também parece ser só isso que tenho para te dar. Não tenho um passado contigo, só tenho tudo o que fomos juntando à pressa até aqui (e mesmo assim parece tanto…). E foi tão bom. É incrível como desde o início estamos condenados a falar no passado, porque o tempo esteve sempre a correr, sempre contra nós. Como teria sido se não te fosses embora já, podíamos ter sido mais felizes? Será que podíamos continuar juntos? Não sei, penso nisso ao mesmo tempo que me lembro de arranjar forças para enfrentar os dias em que não puderes vir a minha casa, as noites em que não formos jantar, as tardes em que será impossível receber, de surpresa, um "grande beijinho"… Não imaginas como é difícil escrever isto, porque a cabeça nestas alturas deixa de pensar e começa a sentir, e lá vai qualquer vestígio de razão!
Quero acreditar que sempre soube que as coisas iam ser assim, mas sabes uma coisa? Acabei por me apaixonar por ti. Não sei se foram os beijos, se foram os abraços, se foram as músicas, se foram os olhares (é tão bom olhar nos olhos, nos teus). O que é certo é que hoje não és para mim somente alguém que eu conheci na passagem de ano e com quem estive um mês. És com quem eu gostava de poder estar muito mais tempo – e não posso, e é isso que custa – e por isso tenho umas saudades imensas de tudo o que não fiz contigo. Tenho saudades do que podia ter sido, tenho saudades do que não chegámos a viver. Mas isso não adianta nada, porque por muitas coisas que a gente queira, de verdade ou não, a vida é sempre como tem de ser, antes de nós desejarmos ela já lá está à nossa espera, depois é saber viver com ela. Nesta altura está-me a ser um bocadinho duro aceitar isto, mas quantas mais vezes o escrever melhor, mais são as hipóteses de começar a acostumar-me à ideia de que foste alguém que passou pela minha história a correr, só para me mostrar que se pode sempre ser feliz. Mesmo que por pouco tempo. Obrigada. Por me teres feito rir tantas vezes – quando estava contigo, quando pensava em ti, quando não pensava mas sabia que te podia abraçar depois. Pelos beijos que me ensinaste a dar – afinal não é impossível duas pessoas "entenderem-se" tão bem mesmo em pouco tempo…-, pelos abraços (parece que me encontrei nesses abraços). Eu dava-te muito mais se pudesse, mas não dá, não temos tempo. Eu também quero tudo de bom para ti, e se nesse tudo eu não puder estar incluída, então que sejas muito feliz sem mim. Mesmo. Sim, é claro que me vai custar horrores separar-me de ti (é uma seca, ser uma pessoa carente, mas estou em crer que as surpresas que a vida me tem feito me hão-de um dia ensinar a depender só de mim), mas se calhar nunca te cheguei a ter, porque sempre soube que só ia estar contigo por um mês. Que merda, só me apetece escrever alguma coisa que te faça perceber como gosto de ti, mas não sai nada de jeito porque por mais que eu escreva nunca vou conseguir explicar como é que para mim os dias foram sempre de sol enquanto estivemos juntos.
Tentei tantas vezes não ser piegas, não pensar coisas destas, mas como é que eu vou evitar este aperto se por mim as coisas não tinham de acabar já?! Olho para trás e vejo tanto tempo na minha vida que perdi ao esquecer-me que tudo tem um prazo de validade. E foste-me logo tu aparecer assim de repente, a fechar um ano mau e a começar um novinho em folha da melhor maneira. Achas mesmo que fui ao teu bar só porque do meu lado o ambiente era mau? Pois, eu não disse a ninguém mas assim que falei contigo senti aquelas coisas que falam nos filmes e que ninguém sabe explicar. Só se sabe - só se sente, aliás – que é muito bom.
Por isso e por tudo o que não consigo dizer, obrigada. As palavras não mudam nada, mas a verdade é que vou sentir a tua falta muito mais do que alguma vez pensei. "Obrigas-me" a escrever adoro-te e a senti-lo ao mesmo tempo. É verdade, adoro-te. Lembra-te de mim sempre que o teu coração quiser. Eu só estou a um oceano de distância, mas é como se estivesse ao teu lado, a ver as ondas do mar. E quando encontrares alguém, lembra-te de mim como quem se lembra de um grande dia de festa. Olha para o mar e eu vou estar lá.
Segue sempre aquilo que achas que te vai fazer feliz. Eu segui-te, e fui estupidamente feliz. É nisso a que me vou agarrar quando o teu avião partir.

1 comentário:

Pedro Santiago de Tânger disse...

How beautiful can love gbe...que deidcatória, que pessoal (até me sinto a invadir ao ler o que escreveste, muito mais ao comentar~..mas não poderia deixar de fazê-lo... isto tocou-me...) no words more...shh...ainda estou a ver-vos, lado a lado...