sexta-feira, outubro 27, 2006

Maybe me

Aqui há tempos combinei com a Tristeza que, por uns meses, não íamos trocar uma única palavra. Ela ficaria no seu canto de maus presságios e de coisas chatas, e eu andaria livre pelo meu mundo de arco-íris. Era uma troca justa. Afinal, as nossas conversas há muito que se alongavam. O acordo foi selado num pôr-do-sol imaginário, na Peninha (donde se vê o Guincho, e Cascais, e Lisboa), e desde então tudo estava bem. Cada acordar era uma lufada de ar fresco porque sabia que não a ia encontrar a ela, à tristeza, durante o resto do meu dia. Se, por acaso, ela tropeçasse no meu caminho, nada teria a ver com o nosso acordo, apenas com tropelias do destino. Que sempre acontecem... Andei assim durante muito tempo, durante um ano talvez, durante um dia - quem sabe? -, mas há alturas que nem a minha máscara me serve nem eu sei mais fingir para mim. Infelizmente, por coisas que o tempo já devia ter apagado, esta menina que ri mais alto que qualquer outra e que tem em si alegria para partilhar com amigos e desconhecidos, ficou presa numa teia de aranha chamada Tristeza, de que nunca mais conseguiu escapar. Falava com alguém no outro dia e dizia que me sentia como aqueles palhaços que choram, os Mimos. Talvez. Sou de tal modo pateta, que acabei por ficar de lágrima fácil sem que isso me tirasse um sorriso que vem de muito longe. Do sítio onde fiquei quando me roubaram um bocadinho da minha felicidade. Por isso, há dias em que fico triste sem ter razão para isso ou conseguir explicar saber porquê; é aquela angústia que insiste em ficar em mim até que um dia eu a consiga, de uma vez por todas, mandar embora. Como acredito que a vida é uma obra-prima, esse dia há-de chegar, mais tarde ou mais cedo. Eu ficarei à espera dele. Com o meu sorriso de sempre e a minha tristeza de nunca.

9 comentários:

Anónimo disse...

Talvez passado este ano seja altura de se encontrarem de novo. Não para andarem sempre juntas, mas para conversarem um pouco. Pode ser que tenham coisas interessantes a dizer uma à outra. Marquem um encontro na Peninha ... ao nascer do Sol. Com uma troca de impressões talvez percebam que a máscara com que se ignoram é a mesma que impede a vista de outras coisas (boas). E retomado o contacto, quando se avistarem na rua escusam de atravessar para o outro lado fingindo que não se vêm, podendo ao invés cumprimentar-se, pôr a conversa em dia e depois seguir caminho mais sábias e alegres!

(:():)
:)

Pedro Machado Borges disse...

nao fiques triste minha kay!

Buttafly Su disse...

Miga K,

lembra.te do meu lema e sorri... Vais ver que o dia de amanhã será melhor do que o de hoje. ~
Acredita que um dia, daqui a muitos e muitos anos, vamos parar no tempo e rir por termos oferecido de bandeja tantos dos nossos minutos à "Tristesse"...

Bjoka gandi e bubuletada ;-)

Ana disse...

Já aprendi que tudo tem o seu tempo e que com o tempo tudo passa.

MysterOn disse...

Dias cinzentos não se apagam.
Dias cinzentos não acabam, surgem assim como uma nuvem meio irritante que práki anda no life e tem de desaparecer breve, breve...;)

Acordos bilaterias com a tristeza, até podem ajudar a resolver o problema, mas não o solucionam.
Não acredito que tenha a solução, mas penso que acordos trilaterais, entre a Miss, a alegria/felicidade/bem-estar e os amigos ou desconhecidos (com quem tens tanto para partilhar), ajudarão concerteza a equilibrar o jogo das emoções.

Tudo neste mundo está centrado em equilibrios, nem a felicidade plena nos traria satisfação, gozo...a felicidade é-nos um "mimo" quando já se passou por um pouco de tristeza, aqui e acolá.

Kiss threw under the sea...from me!

P.S. A nuvem é para ficar? blow it away...

nika_liu disse...

Já aprendi a conviver com a tristeza é um estado quase natural em mim! Mas tento não o revelar e esforço-me por aproveitar bem cada momento que sinto um sorriso a nascer! A questão é saber sair da tristeza, não sei se existe alguma forma de a evitar...se há, pelo menos até agora, ainda não a encontrei...a solução! E quando esse dia chegar, há que aproveitar!

Miss K. disse...

Sim, a nuvem é para ficar! Mas só como cursor. Tem algum mal?

Dianovski disse...

um fim de tarde de um dia ventoso na peninha é realmente um grande incentivo para mandar-mos embora a tristeza. ou entao precisamente o contrario... toda aquela imensidão de mar e vista (que nos dias limpidos até o cabo espichel se consegue ver), pode é se proporcionar uma auto consideração do nosso proprio vazio e enquanto nao sair dali as lagrimas nao vao parar de cair.

MiSs Detective disse...

ando tanto numa fase assim!!!! o sorriso a afastar o q a alma sente e o que os olhos, a tentar esconder, mostram.. ha alturas em que cair é a soluçao para levantar.. andar aos tombos nada vale.. sorrir para a vida e andar para a frente (mesmo que nao saibamos que direcçao é essa, se pra norte se pra sul se para os outros pontos da rosa dos ventos). Concerteza que tudo é bem mais facil com um sorriso mesmo que falso nos labios que uma tristeza pelo rosto. Life goes on!