sexta-feira, junho 20, 2008

Euro 2008, o remake

A selecção foi eliminada do Europeu. Mais uma vez, a equipa das quinas mostra como mantém o primeiro lugar no campeonato das estatísticas e suposições: muito tempo com a bola e nenhum golo, passes infalíveis e livres à figura do guarda-redes, jogadas brilhantes e ataques frustrantes, o melhor jogador do mundo e um jogador qualquer, Ricardo, o defensor de penalties e Ricardo, o vendedor de frangos, Scolari, o capitão sem navio, o homem do leme que não sabe onde o leme está, transacções milionárias fora de campo e banca rota dentro das quatro linhas... "É sempre assim...", suspira o povo angustiado, "...é sempre assim, não temos sorte nenhuma!". Não temos? Temos é sorte a mais! Por acaso passou por aqui algum Katrina? Há alguma guerra cuja ocorrência desconheça? Somos governados por um tirano que executa os seus opositores sem dó nem piedade? Deixámos de ser livres para sentir, fazer e dizer? Não. Resolvemos depositar a esperança para 2008 num grupinho de gente que ganha demais e faz de menos, saímos à rua para cantar o hino de mão ao peito, e esquecemos de louvar as Vanessas Fernandes desta pátria endiabrada, porque o Carmo e a Trindade caíram outra vez: a selecção perdeu. 

3 comentários:

A menina do bairro disse...

concordo em absoluto!

Drifting Along disse...

o futebol é uma pastilha elástica.

Diogo disse...

Análise perfeita. Surpreendes sempre. Pela positiva claro. Que bom ver alguém tão culta, informada, inteligente, perspicaz e não neste caso mas muitas vezes com sentido de um humor maravilhoso.
Claro que não é numa análise de futebol que este elogio faz mais sentido.
Mas prova que és horizontal no sentido que te interessas por tudo, e que tens opinião sobre tudo.
E isso faz de ti ainda mais especial.