segunda-feira, outubro 22, 2007

História da Carochinha sem final feliz

Não acredites em ninguém. A última vez que acreditei em alguém tinha 43 anos e ainda alguns cabelos cor do sol. Ele tinha mais cinco ou seis sabedorias de vida, e por isso julgava que me enganava. E enganou. Com as falinhas mansas, aquelas que sempre queremos ouvir, e que me faziam um sorriso mais luminoso que a lua em cima da minha cama, com beijinhos no pescoço de arrepiar vales e mover montanhas, com um olhar de bebé perdido que dá os primeiros passos e não sabe bem aguentar-se em pé. O cenário perfeito? Claro! Tudo estudado. Tudo mentira. Eu, 43 anos e farta de ver filmes e novelas, a deixar-me cair, outra vez, na cantiga do bandido. Não! Bandida era eu, que já tinha passado por aquilo tantas vezes quantos os amores que disse amar, e ali estava disposta a engolir o orgulho que nunca cheguei a ter. Ele, nem importavam essas cinco ou seis primaveras de diferença, seria sempre um estúpido, um bruto, um cão, porque não é em meia dúzia de anos que se aprende a magoar pessoas, isso é mal que nasce connosco. Cigarrilha inevitavelmente acesa, perfume para um raio de quinze kms, colete de corte impecável e camisa branca sem um único vinco. O cinto, nesse dia, não veio. Em vez dele, apareceram uns pontinhos de barba que nunca tinham visto luz. Não foste a tempo de voltar a casa dela para pôr o cinto e, sem uma gilette, é fácil ver por onde um rato passou a noite...

8 comentários:

nika_liu disse...

A minha mãe costuma dizer isto: "não acredites em ninguém!" mas com 26 anos ainda não sofri assim tanto para pôr este ensinamento em prática! Às vezes tenho sorte, outras nem por isso! Mas será que quando chegarmos aos 43 anos ainda continuaremos a acreditar desta forma? Não sei o que será pior: se continuarmos na possibilidade de ser enganadas ou se perdermos a capacidade de acreditar...bem, quando chegar aos 43 logo se vê...

Drifting Along disse...

Espero que a soberana deste reino me deixe contar-vos esta história. Vocês que todos os dias como eu lêem as histórias desta Princesinha. Ela que abre os portões do seu palácio e nos mostra o seu mundo. Essa Princesinha esperta, que nos faz rir, sonhar e quase chorar, que nos mostra o seu mundo feito de todas as cores e feitios, de texturas doces e alguns pensamentos ásperos delicadamente pendurados. Uma Princesinha que é mulher e que traz o sonho o sonho agarrado.
E quem és tu? Perguntam vocês que me lêem.
Sou só mais um Príncipe. Mas sou diferente porque ela acha que venho de Maquiavel.
Um dia vi a Princesinha e decidi segui-la até de ver de onde ela vinha. Sorrateiramente fiquei à espreita, observando-a enquanto ela ia dando pinceladas coloridas de padrões floridos no seu mundo. Tudo corria bem até que comecei a ficar salpicado e aí tudo mudou. Comecei a ver a Princesinha fora do seu palácio, ela movia-se agora no mundo real. Sim, nesse onde todos nós vivemos o nosso comum dia-a-dia. Não foi uma, nem duas, nem mesmo três. Foram mais do que ela pensa e numa delas até nos apresentámos de forma espontânea. As coisas nesse mundo real infelizmente não têm corrido muito bem.
Escrito isto, eu Príncipe de Maquiavel sinto-me em divida para com a bela Princesinha.
E decidi também abrir os meus portões para ela que perceba que não sou assim tão má pessoa. Não se alguma vez a vou voltar a ver no mundo real, mas acho que durante algum tempo. a Princesinha vai lembrar-se de mim quando vir um relâmpago numa noite de trovoada.

Histórias da carochinha à parte.

Neste blog assino como Drifting Along ( nome de uma música de Jamiroquai de 96. Uso-o há 5 anos, não foi escolhido à pressão).

Sou tão português como a estátua de D.Afonso Henriques em Guimarães. Tenho pais portugueses mas por capricho do destino nasci no Rio de Janeiro. Quase nasci ás escuras no Túnel Rebouças que liga a Lagoa a Rio Comprido. Sou canhoto, rôo as unhas apenas o suficiente para parecer que estão cortadas. A preguiça e a timidez são os meus piores defeitos. Sou do Sporting e acho que os jogadores de futebol são quase todos uns meninos. Amo as ondas, o sal e todo aquele azul do mar. Adoro Lisboa, São Diego e São Francisco. Sou viciado em música mas venero o som do silêncio. Odeio ir às compras mas preciso urgentemente de uns jeans. Não ressono e só consigo adormecer de barriga para baixo. Tenho uma cicatriz de 110 pontos na cabeça e uma farta cabeleira que a tapa. Coço-me quando estou em stress. Bebo umas cervejas, uns copos de vinho e pouco do restante. Todos os dias faço um batido com tudo de saudável que consigo encontrar. Já fui menino do coro, acólito, junkie e hippie. Hoje sou só eu, e venho de Maquiavel. Fumo poucos cigarros mas adoro o sabor de boa ganzá. Já tomei drogas duras e curti muito. Continuo a curtir mas percebi que não precisava daquela merda. Gosto de desenhar e escrever umas estupidezes de vez em quando. Faço surf desde miúdo e não me parece que me vá fartar tão cedo. Voto quase sempre em branco. Não sou religioso mas acredito em forças superiores e que estamos aqui todos por alguma boa razão; o cliché do costume. O meu primeiro ídolo foi o Mowgli e o segundo o Ayrton Senna; o primeiro fugiu com uma indianinha e o segundo morreu. Fiquei só eu. Em criança gostava de touradas, queria ser toureiro a cavalo, mais tarde arquitecto. Hoje sou designer gráfico e devia passar menos tempo no computador. Tenho o desejo secreto de aprender a dançar tango, só ainda não arranjei a companhia certa. Sei o que é a saudade porque vivi cinco anos a 9138 km da minha família. Hoje tenho saudades desse sitio tão distante onde deixei outra família, agora tenho duas. Escrevo em três línguas e falo quatro. Gostava um dia de viver algum tempo no sitio onde nasci e também sentir que ali é a minha casa. Já nao gosto de touradas mas ainda acho o cavalo o animal mais bonito de todos. Sempre tive cães mas sou-lhes alérgico. Escolho sempre o caminho mais difícil não pelo desafio mas pela minha ingenuidade. Gosto de incenso Nag Champa e de vê-lo queimar lentamente enquanto morre gentilmente. Também gosto de sonhar...

Vejo borboletas gigantes pincelando o pôr do sol
Desmaio enquanto durmo e sou acordado por vozes no escuro
Caio de precipícios e sobrevoo montanhas
Ja ri e já chorei, mas acho que nunca matei
Mas morri. De medo, ódio e alegria
Conheci pessoas e falei com estrelas
Recitei poesia escrita por penas
Muito penei mas ainda mais conquistei
E destruí o indestrutível quando todos julgavam impossível
Domino dragões com os meus sermões
Fui Neptuno e mandei no mar
Plantei sementes que cresceram tanto que me deram o céu
Perdi-me nele e saltei de lá
Fui parar ao deserto onde encontrei uma laranja que comi
Bebi do seu sumo e corri
Deambulei por aqui e por ai
Encontrei-te, amei-te e morri por ti
Mas de manhã, sobrevivi.

Gostava que conhecesses um pouco da pessoa por trás da cara. Chamo-me João e este é o meu mundo. Estás sempre convidada, sabes onde encontrar-me.
E não, não tenho medo de cair no ridículo.

Obrigado pela inspiração.

Tenho escrito.

Anónimo disse...

Mas tu não tens 43! Ou tens?

Anónimo disse...

Don’t underestimate the dangerousness of Female Stalkers...

wednesday disse...

Há pessoas cuja inocência e verdade parecem não desaparecer. É uma virtude, mas no fim acabam por sofrer com ela.

MysterOn disse...

Wednesday's right!

Seja como for, a virtude da verdade poderá (deverá) dar os seus frutos no médio/longo prazo...assim o desejo para a Miss aqui do sítio...e até para mim ;)

Kiss

pinky disse...

pois.....

Joana disse...

... esta é dos Irmãos Grimm para crescidos!
Perfeito como sempre minha querida!
:)