domingo, abril 02, 2006

Soooo not my kind...

Depois das coisas boas, as coisas más. Dei uma vista de olhos pela outra listinha e vi que faltavam lá muitas paixões. É natural. Se na vida fica sempre alguma frase por dizer, algum gesto a fazer, então na escrita ficam milhares de letrinhas que nunca chegam a ser escritas, que nunca chegam a ser palavras. Para lá do que ficou esquecido, me don't like these stuff...




NÃO GOSTO: De domingos, de frio, de chuva, de vento, de ter sono, de trovoadas, de dias cinzentos, de nevoeiro, de humidade, de filas de trânsito, de não ter jeito para estacionar o meu carro, de não saber mudar um pneu, de ser um zero à esquerda na cozinha (verdade seja dita, nada faço para mudar...), de ter de acordar cedo, de ter de me despachar à pressa, de chegar atrasada... não gosto que me dêem ordens, que duvidem de mim, que me mintam, que riam na frente e me espetem facas por trás, que andem a "falar verdade a mentir", que estejam comigo "só por estar", que concordem com tudo o que digo, que falem alto ou gritem, mesmo que seja sem querer, que me deixem horas à espera, que não retribuam as minhas chamadas... não gosto da capa do "Correio da Manhã", do "24 Horas", do "Crime", do "Tal e Qual" (nem de nenhum dos jornais, acrescente-se), não gosto que a revista mais vendida no meu país seja a "Maria" (acima de 200 mil por semana, onde é que anda o SIS?!), dos erros que aparecem nos rodapés dos telejornais, da programação da televisão, do dinheiro que se paga a uns e do pouco que se dá a outros, dos jobs for the boys que nunca vão desaparecer... não gosto de leite frio, de carne mal passada, de queijo, de Coca-Cola, de saladas, de whisky, de pessoas sem opinião, da trilogia do "Senhor dos Anéis", de não poder viajar tanto quanto gostaria, de nem sempre ter coragem para dizer aquilo que queria, de nem sempre conseguir ficar de boca calada, dos momentos em que as saudades apertam demais... não gosto de fazer anos, de ser o centro das atenções, de abrir presentes à frente de outras pessoas, de grandes celebrações, de emprestar um livro e mo devolverem todo amachucado, de ficar doente tantas vezes como fico, de levar tantas injecções, de saber que há sempre quem esteja pior e que eu nada posso fazer para ajudar... não gosto de ver louça suja, de ter de pôr gasolina no carro, de centros comerciais aos fins-de-semana, do Natal, da passagem de ano, da Páscoa, de saber que enquanto escrevo isto já morreram dezenas de pessoas por este mundo fora, seja por fome, ou doença, ou guerra, ou guerrilha... não gosto da falta de informação (o cidadão normal não sabe o que se passa na Serra Leoa ou na Libéria), do egoísmo que se apoderou de todos nós, da falta de ideais e de gente que acredite e que lute, e que sonhe... não gosto de fazer a cama, de faltar ao ginásio, de pensar em mil coisas e não cumprir nenhuma, de não saber quem sou, de demorar um século a tomar decisões, de ter esta auto-estima tão em baixo, de procurar por mim e raramente me encontrar, de não saber o que quero da vida, de perceber que por vezes é a vida que sabe o que quer de mim... não gosto de ter filmes em atraso (e revistas, e livros), de ficar sem bateria no telefone, de ser mandada parar em operações stop, de alguma vez ter mesmo de vestir aquele colete amarelo ridículo, de taxistas, de gajos com a mania que são espertos (qualquer que seja a profissão, bon vivant incluído), de nem sempre dar atenção a quem merece, de fumar tanto ao fim-de-semana, de perder dias de sol por passar horas a dormir... não gosto de estar sozinha há tanto tempo, de não sentir aquela cumplicidade mágica com alguém, de olhar no meio da discoteca com um sorriso maroto como quem diz "bora para casa?"... não gosto que o dia só tenha 24 horas, porque há tanta coisa no mundo para fazer, que o tempo é demasiado curto para podermos realmente aproveitar tudo o que isto nos oferece... não gosto que a vida acabe. Nunca saberemos o dia, a hora, provavelmente não teremos encontrado ainda o verdadeiro significado para a nossa existência, desconhecemos esse processo a que chamam "morrer", e tememos o que nos espera depois. Mas, mais do que isso, não gosto de pensar na ideia de perder alguém que me é querido, porque essa dor é insuperável; nós ficamos e sofremos, só que quem parte para esse outro mundo não volta mais. E disso não gosto mesmo. Não vou gostar nunca.

2 comentários:

Caroço disse...

LOLOLOL.. é bom saber do que não gostas, dá mais maregm de manobra! kiss

TP disse...

e é sempre tão complicado justificar o porquê de não abrir os presentes acompanhado...sempre pensei que essa "pancada" fosse singular!

quanto a fazer anos, este ano descobri algo que ameniza a sensação...um dia, eventualmente, partilho!

parabéns pelo blog!