domingo, abril 16, 2006

13 / 03 / 2003

O mundo,
quando eu já cá não estiver
(não acredito nisto,
não imagino isto),
vai continuar a ser
mundo.

Quando eu,
de repente
(é sempre de repente,
sempre),

deixar de estar no mundo,
é porque vou estar muito ocupada
noutro sítio qualquer.
Muito ocupada.

[Afinal, há o universo,
e o resto que dizem haver,
e o mais que haverá que não sei.]

Vou ficar mas é triste,
ser triste,
e chorar tristeza
(sim, é possível chorar tristeza),
quando o mundo se fartar de mim.
Sim, fartar de mim!
Porque, se não estivesse farto,
não me mandaria embora…

Aí vou ser menos uma aqui,
e mais uma em qualquer lugar
(o que será qualquer lugar,
quando só conhecemos o nosso?).

E se,

nesse sítio tão longe de lado nenhum,
eu puder ver o mundo que já foi meu,
eu sei hoje,
viva,
enquanto respiro, sinto, escrevo, penso, quero e sonho,
que vou morrer de saudades
(morrer de saudades,
morrer de saudades...)
deste mundo.
Deste mundo onde hoje vivo,

e respiro,
sinto,
escrevo,
penso,
quero
e sonho,
morrendo,
já,
de saudades…

2 comentários:

Rafa disse...

O mundo continua o mesmo após a nossa partida, por isso temos de fazer a diferença enquanto cá estamos. Depois de construir obra ela perdura por nós. É a unica maneira de nos eternizarmos que eu conheço.

Rafa disse...

Mas quando morrermos deixamos de sentir até saudades. Por isso constroi-se alguma coisa se houver vontade, caso não haja, o melhor mesmo é tentar não morrer com alguma atravessada, tipo aquelas missões (sonhos) que se têm desde puto e que se adiam constantemente, que é para um gajo ir descansado .