terça-feira, março 31, 2009

The perfect marriage proposal

Ike Graham: Look, I guarantee there'll be tough times. I guarantee that at some point, one or both of us is gonna want to get out of this thing. But I also guarantee that if I don't ask you to be mine, I'll regret it for the rest of my life, because I know, in my heart, you're the only one for me.
in "Runaway Bride" (dá para acreditar?)

NOTA: Num animado jantar de sábado, entre gajas-mulheres-que-gostam-de-ser-como-são, a propósito da solteirice e tudo mais...

domingo, março 29, 2009

A hora mudou.

"É preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma"
(Giuseppe Tomasi di Lampedusa, em O Leopardo)

terça-feira, março 24, 2009

Três anos: entre muitos, esquecendo tantos, escolho estes:

O meu (ainda e sempre?) poema preferido 
O primeiro palpite
A experiência com um BI
A campanha publicitária mais sui generis
O meu coração em Lisboa
A única carta de amor publicada
O fim do mundo em banda sonora
Os quandos que nos fazem viver
A descoberta dos desencontros
As saudades do meu avô
Um agora mais especial que os outros
As minhas melhores dúvidas 
O meu 54873º olhar sobre a vida
A minha tentativa de homenagear a minha outra cidade
O meu desespero pela vida em part-time
A minha paixão pelo impossível
O meu tempo de vida infinita 
A descoberta do amor 
A minha vertente de mini contadora de mini-histórias
O rosto menos bom do amor
A verdade mais pura das mulheres
O meu 11º mês, tinha que ser aquele
A outra verdade (não tão pura) sobre as mulheres

*A ordem é dos mais velhos para os mais novos, claro

Não, eu não diria...

...Mas às 03:53 do dia 24 de Março de 2006, em vez de estar a dormir o sono da beleza antes de mais um dia de trabalho, eu andava a criar um blog. Este. E entretanto (NO ESPAÇO DE TRÊS ANOS, QUERO EU DIZER) já lá vão não sei quantos textos surreais, opiniões (minhas) do outro mundo, demasiados momentos em lalaland, frases do arco da velha escritas e pensadas pela nova (eu), medos e fúrias, lágrimas (tantas, tantas), sorrisos e gargalhadas para um ecrã inerte, novos amigos invisíveis, e uma vida - a que deu para viver e fazer e estragar e recuperar em 36 meses. Tem sido uma aventura. É, no fundo, é isso: tem sido uma aventura de uma naif mascarada de boneca russa. Qualquer dia cresço mesmo e depois, como é? Chega de recordações. Já sei: obrigada por continuarem a alimentar o tal do sitemeter, essa coisa estranha que eu nem sei consultar...     

segunda-feira, março 23, 2009

Adenda ao textinho antes deste

Parece que a última frase do post anterior está a fazer confusão entre alguns leitores. Não sei se todos os que comentaram ou comentarão (ou os que ficaram sem vontade de comentar) já viram o filme, mas acho que poucos entenderam realmente o que quis dizer com o que escrevi. Talvez porque sejam visitantes recentes, e não conheçam, de todo, a minha maneira de escrever e, principalmente, de pensar.

"E que, sem o fazer, faz todo o sentido" não quer dizer que eu goste do final, que tenha especial prazer em ver pessoas morrerem (principalmente crianças), que seja defensora da tragédia (será que tragédia chega para qualificar aquele horror?) Holocausto, que julgue ser espectacular que tudo acabe mal e com lágrimas, etc, etc. Nada mais errado, meus caros. Só que o filme trata um assunto muito particular, visto de um lado particular - dos milhões de judeus que morreram injustamente e sem nenhuma, mas nenhuma justificação, como foi a curta vida de uma criança absurdamente inocente, cujo pai tinha dos mais altos cargos entre as SS? É justo que Bruno morra na câmara de gás, com o amigo do pijama às riscas? Não. Mas é onze vezes mais real do que aquilo a que estamos habituados.  

"O Rapaz do Pijama às Riscas"

Não sei se foi do nome, se foi má promoção e pior divulgação, cartazes poucos chamativos... o que quer que seja, não justificará nunca o quão despercebido passou este filme entre as salas de cinema portuguesas. Porque se as pessoas não forem ver, desconhecerão para sempre a inocência e os olhos azuis de Bruno (Asa Butterfield, de uma expressividade notável), uma criança alemã de oito anos que vive entre os comandos do Holocausto, mas que está longe de saber o que isso é. Só a sua inesperada amizade com o tal rapaz do pijama às riscas que dá nome ao filme, do outro lado de um arame farpado, o vai fazer perceber, aos poucos, que nem tudo é o que aparenta ser. É nesta revolta que entra a mãe de Bruno (Vera Farmiga), que não aguenta viver tão perto de um campo de concentração, principalmente depois de ter a clara noção do que ali se passa, numa cena em que um oficial lhe diz, em tom irónico, "Ainda cheiram pior quando os queimamos, não é?". Essa dor não é nada, quando comparada com aquela que a espera num final de cortar a respiração. E que, sem o fazer, faz todo o sentido. 

domingo, março 22, 2009

Só uma grande actriz pode dar grandes entrevistas


A Premiere de Março traz uma entrevista nada convencional com Kate Winslet; nada de perguntas sobre se teve de engordar para fazer o filme, se lhe custou mostrar as maminhas se, pela enésima vez, foi bom ou mau trabalhar com o marido no "Revolutionary Road", etc, etc. Sobre o filme que lhe deu o mais-que-merecido Óscar de Melhor Actriz, "O Leitor", existem várias boas perguntas e melhores respostas. Fica o excerto da que mais me emocionou.

"Foi bastante duro. (...) Entender a mente de uma pessoa iletrada - isso foi crucial para mim. Passei bastante tempo com um grupo de Nova Iorque, os "Literacy Partners". Eles ensinam homens e mulheres a escrever; isso foi mesmo o melhor que poderia ter escolhido, uma vez que precisava de ter contacto com o nível de humilhação sentido pelas próprias pessoas. Entender como vivemos com essa mentira, como isso afecta cada área da nossa vida. Sentei-me nessas aulas, ao lado de pessoas que estavam a aprender a soletrar gato [cat], morcego [bat], sentar [sat] e tapete [mat]. E algumas das pessoas mais novas do grupo tinham 22, 23 e algumas das mais velhas tinham 72, 73 anos. Pessoas que passaram toda a vida envergonhadas, sem nunca se terem virado para alguém a perguntarem se podiam ajudá-las. 
Houve uma senhora, em particular, que passou bastante tempo comigo - tinha pouco mais de sessenta, e aprendido a ler e a escrever dois anos antes - , e estava bastante orgulhosa de si mesma. Estava tão contente por poder dizer que tinha sobrevivido. Por isso, dizia-lhe, Espere um segundo. Como é que arranjou emprego? Que tipo de trabalhos teve? Bem, querida, deixe-me que lhe diga. Fui operadora telefónica, e quando não conseguimos ler nem escrever... Ganhamos o dom da fala - tornamo-nos bons oradores. Falamos com muita gente. Tentamos escapar à realidade. Mas eu dizia, Sim. Contudo, antes de tudo, como é que arranjou esse trabalho? Como é que preencheu os formulários? Oh, querida, alguma vez ouviu falar em ligaduras elásticas? Sim. Esquisito. Bem, dirigia-me à loja, comprava uma ligadura elástica, ia ter com a minha amiga e dizia, Oh, a minha mão; não consigo segurar numa caneta. Podes preencher estas folhas por mim? E dizia-lhe o que colocar. Sim, isto foi o que fiz durante anos e anos, ao longo da minha vida. Mas de quantos trabalhos estamos a falar? Estamos a falar de muitos empregos, e muitas ligaduras elásticas, foi o que ela disse. Ela tinha um filho, por isso perguntei-lhe, Como é que o ajudava com o trabalho de casa? [ela respondeu] Não. Eu não o ajudava com os trabalhos de casa. Tinha sempre alguém que fazia isso com ele, porque a vida e a educação dele sempre foram muito importantes para mim, mas sabia que não podia auxiliar. Não podia deixar que soubesse que não sabia ler nem escrever. 
Por isso, a minha compreensão do quão bons nos tornamos a esconder esta realidade, as mentiras que vivemos, e o nível de controlo que somos obrigados a exercer no quotidiano, serviu para concluir que o mais importante de tudo é a protecção. Perceber isso foi o mais enriquecedor e o que mais contribuiu para construir esta personagem. Ninguém poderá imaginar o quão fascinante este processo foi. Ao caminhar pelas ruas, pensava simplesmente, Imagina que não consegues ler aquele sinal. Será que conseguimos conceber isso? (...)"       

"Happy-Go-Lucky"

O poster que escolhi não faz jus à alegria do filme, mas é assim, o meu carro também não responde às minhas necessidades e no entanto lá vou eu, happy-go-lucky, todos os dias... Piadas sem piada à parte, este "Amélie Poulain" realizado por Mike Leigh (que normalmente tem tendência para coisas mais sombrias), é uma lufada de ar fresco bem humorado no panorama cinematográfico actual. Poppy, interpretada por Sally Hawkins (que ganhou o Globo de Ouro para Melhor Actriz de Comédia ou Musical por este papel) é uma trintona estupidamente optimista e feliz, educadora de infância, com uma atitude tão positiva perante a vida que chega a irritar alguns que se cruzam com ela. Isso é o de menos. Até esses atingirão o nirvana às suas custas. O filme não é uma obra-prima, aliás, nem pretende ser, só que deixa o espectador tão bem disposto que vale a pena entrar na onda de Poppy. Principalmente, porque não haveria nenhuma actriz que a fizesse tão bem como Sally Hawkins. Durante estas quase duas horas, não há ameaças de morte nem anónimos sem B.I.

quarta-feira, março 18, 2009

A poucos dias dos três anos do blog, a autora recebe a sua primeira ameaça de morte

De um anónimo, pois claro. Ou acham que o assassino de cereais ia ter tomates para assinar, pôr morada e número de telefone? Nada disso. Muitos comentários nojentos, brejeiros, feios, porcos, maus, sem sentido, etc, etc, depois, eis que chega a ameaça mais séria: a de morte. E não se sugere morte ao blog, é mesmo morte à própria da Miss K. Diz assim a personagem:

"vou-te matar. vou-te partir esse focinho até gemeres. duvido que haja vida para ti, sua filha de uma rameira e de um panasca.
ps - isto é sério."

Bom, sério ou não, quando não há nada para fazer, há melhores maneiras de gastar o tempo do que fazer atormentar. Eu nem faço sugestões à criatura que escreveu a ameaça, porque das duas uma: ou adora espalhar piadas de mau gosto pela blogosfera, e já não é a primeira vez que aqui vem num tom do género, ou não está bom da cabeça. Inclino-me mais para a segunda hipótese, com uma alínea que diga "aliás, nunca esteve bem da cabeça". Mas pronto, continuamos todos felizes e contentes, porque enquanto houver maços de Marlboro, revistas, DVD's, Magnum sandwich, latas de Red Bull e outras coisas triviais, a meia dúzia de gatos pingados que realmente gosta de escrever no mundo virtual vai passando bem o seu tempo. Ciao! 

terça-feira, março 17, 2009

Sem esperança?

Mudemos então de assunto. Vamos falar da vida.

segunda-feira, março 16, 2009

"The Visitor"

A crítica que eu poderia fazer a este filme, já a tinha lido antes de o ver, e agora ainda me faz mais sentido. Se querem saber como é, o que achei, o que daqui se tira, e o que significa esta pequena jóia do cinema, vão aqui, que a Bad explica melhor que ninguém. E é verdade, tal como ela diz, um actor destes é uma espécie de fantasma. Não damos por ele, porque ausentando-se, está sempre lá, e deixa o filme seguir o seu rumo, que nunca deixa de ser o rumo dele.

quinta-feira, março 12, 2009

Março, semana II

Qual é a cor que te assenta melhor? Já experimentaste kitesurf? Quantos bombons seguidos és capaz de comer? E usar asas de frango para distribuir panfletos, nunca? Estás sempre a mudar de canal ou consegues ver o Mário Crespo mais do que quatro minutos? Não gostas de gelados porque são frios?! Mas se são gelados!! Qual é a maneira mais fácil de adormeceres: no escuro do cinema ou na luz do escritório? Já contaste o número de vezes que dizes "sim" e "não" durante o dia? Quantas vezes puseste em prática os teus devaneios mais loucos? E fazer um concurso de riso em pleno restaurante, há coragem para isso? Estás sempre de trombas porque os outros têm coisas melhores que tu, homens, mulheres, crianças, carros e dinheiro a mais que tu? E então, é a vida delas, não a tua!! Qual é o cheiro que te traz melhores memórias? Tanta coisa, tantos significados... É melhor nem nos darmos ao trabalho de responder. Não demos. É como hoje: tenho um sorriso nos lábios que é como estas coisas, as boas e as más: não tem explicação. Só que enquanto anda por cá até traz confetis.

quarta-feira, março 11, 2009

terça-feira, março 10, 2009

Sete buracos, por favor

Nestas e noutras coisas, eu sou a primeira a admitir e a dar o braço a torcer. O meu clube devia ter vergonha na cara. Na cara não, no estádio inteiro, cheio de leões prontos a atacar aquelas galinhas que hoje foram a Munique desonrar o bom nome do Sporting. Para além da falta de dinheiro, alguma coisa me dizia para não comprar a Game Box 2008/09, e assim foi: nem um pé no Alvalade XXI desde que começaram as hostilidades, e logo eu que sou fanática e atinjo batimentos cardíacos insuportáveis quando vejo a minha equipa jogar. Mas a minha equipa não é a que hoje à noite viveu um pesadelo em directo. Não, não pode ser. Ou melhor, até pode, porque o "esforço, dedicação, devoção e glória" tem ficado mais vezes no balneário do que nos relvados. Eu cá acho que foi assim: o Sporting (este dos últimos meses, com o caso Veloso e outras merdas do género) achou pouco perder por cinco em casa, por isso decidiu voar até à Alemanha para ser humilhado com sete bolas dentro da sua baliza. Não é para todos, tanto que entrámos para a história como o clube com o pior resultado agregado na competição (12-1). Certo. O Bayern encontra-se connosco duas vezes e marca-nos 12 golos. É de loucos. Amanhã, já se sabe, é anedotas, primeiras páginas de jornais pintadas a negro a anunciarem o fim de Bento e companhia, e-mails da tanga, etc, etc. Mas porra, levar sete balázios na Champions depois de cinco setas de aviso não é mau, é péssimo... 

segunda-feira, março 09, 2009

Destiny, who are you?

Opção D, como no "Slumdog Millionaire": Estava escrito. É o destino.

domingo, março 08, 2009

Domingo

Sinto-me triste porque é domingo e odeio domingos e, apesar do sol que aqueceu o miradouro da Graça, este não deixa de ser o dia mais frio da semana. Aos domingos, eu acho, todas as pessoas se sentem um bocadinho sozinhas, mais ainda as que moram consigo próprias, como eu, e pensam como seria a vida se não houvesse este dia no calendário: menos descanso mas menos melancolia. Ao domingo, sou capaz de me lembrar dos episódios mais sombrios da minha vida, coisas que nunca me passam pela cabeça em qualquer outro dia da semana. É verdade. Ah, e ao domingo o meu telefone não toca. Ou toca menos. Parece que ninguém se lembra de mim ao domingo. Deve ser a única manhã em que não me levanto da cama com a fome e a energia do costume. Ao domingo nem ouvir "Mardy Bum" funciona. Vai na volta, e ao domingo eu nem existo. Amanhã, se me perguntarem o que fiz hoje, nem vou saber responder.

"Rachel Getting Married"

Um amigo meu que percebe mesmo destas coisas, e que encontrei por acaso no cinema, perguntou-me no final se tinha gostado "do united colors of benetton". Acho que é uma boa maneira de classificar este filme (obrigada Artur): uma miscelânia de gentes e feitios e culturas e manhas e manias e cores e etnias que nunca mais acaba; uma quase história dentro da história principal, que é o regresso de Kym (Anne Hathaway no tal papel que lhe deu a nomeação ao Óscar e, se não merecida, esteve lá perto, grande garra pôs a miúda na personagem) a casa para o casamento da irmã, depois de uns anos numa clínica de reabilitação. Claro que o regresso é tudo menos pacífico e traz à tona muitos fantasmas do passado, que até nos ajudam a entrar no filme - as famílias normais são assim, comem assim, choram assim, brigam assim - mas falta-lhe qualquer coisa para perder a sensação de documentário. Quando chegar ao circuito de vídeo, vale muito a pena. 
[escrito com uma semana de atraso]

sábado, março 07, 2009

K. goes musical

Desde que fui à apresentação do novo livro do Tony Bellotto, dos Titãs, em que fiquei a saber que o grupo tinha feito uma versão do "Circo de Feras", dos Xutos, que a dita música não me sai da cabeça. E isto já foi há uma semana! Nem é o famoso "Quero-te tanto..." que me ecoa a toda a hora. É mais a parte, em que ele diz, de fininho, "E os entretantos/São as minhas esperas". Além de que sim, claro, a vida, essa filha de uma grande puta, não passa de um enorme circo de feras. Ando muito musical, eu...

Acordo e vejo-me nisto:

"Se eu pudesse me resumir, diria que sou irremediável"

Clarice Lispector (encontrado aqui)

sexta-feira, março 06, 2009

segunda-feira, março 02, 2009

Antes que seja muito tarde

Sinto que hoje novamente embarco

Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta - por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.

Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.

E dormem mil gestos nos meus dedos.
Desligados dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.

Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.

E de novo caminho para o mar. 
Sophia de Mello Breyner

Tonight:

'Cause nothing lasts forever / And we both know hearts can change
(November Rain) 

E pronto. Assim, de uma assentada, há uma ou duas décadas atrás, Axel Rose resumiu todas as histórias de amor e desamor possíveis e impossíveis: não há mesmo nada que dure para sempre, e todos sabemos que os corações podem mudar de ritmos e de rumos. Mas uma coisa ele também deixou no ar "We still can find a way". Agora só falta encontrar o caminho... 

domingo, março 01, 2009

Mandaram-me anunciar que chegou o mês da Primavera...

... e achei que a Heidi Klum o faria bem melhor que eu!

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Late Hollywood

Impressionante como já lá vão quase quatro dias e ainda não contei que me vieram as lágrimas aos olhos quando soube que o Sean Penn tinha ganho - como se o homem me fosse alguma coisa, tivesse comigo algum tipo de relação, ou me fosse ver alguma vez na vida. Impressionante como dei pulos de alegria quando percebi que tinha sido a Penélope a levar o Óscar de Melhor Actriz Secundária, como se aquela morena tivesse muitas semelhanças com uma destas muitas que eu sou. Impressionante como não me comovi com a vitória da Kate Winslet, talvez porque já a esperava, mas achei-a justíssima - a mulher sai completamente fora de si e faz um papelão. E, mais impressionante ainda, como não quis ver nem ouvir nada relativo ao prémio póstumo para o Heath Ledger - seria demasiado doloroso. 

P.S. - "Slumdog Millionaire"? You go, boys!

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Sem texto

Como as guitarras que não estão afinadas, falham-me as palavras.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

My mood

domingo, fevereiro 22, 2009

Hoje acordei assim

[Adriana Lima - curiosamente, com um sorriso igual a um dos meus]

sábado, fevereiro 21, 2009

Dos concertos e consertos

Quando os Coldplay vieram cá da última vez, engoli em seco quando foi a altura de "Swallowed In The Sea". Ao meu lado estava um dos meus mais fiéis amigos, a apoiar-me sempre, a garantir que aquele fosse um concerto memorável. Anos antes, ou talvez apenas um ano antes, os U2 encheram Alvalade e só eu sei o que ansiei por ouvir, ao vivo, "Where The Streets Have No Name". Aos primeiros acordes da música, o estádio não veio a baixo, mas quase, e no meio de 50 mil pessoas eu senti-me mais sozinha que nunca. Ao meu lado estava alguém que, horas depois, me viria a deixar. No domingo, os Oasis fizeram-me andar para trás uns 12, 13 anos, com os hits de quando era adolescente. E quando chegou "Don't Look Back In Anger", que sabe-se lá porquê sempre teve um poder impressionante sobre mim, eu deixei de estar ali, e voltei a estar em mil e um sítios. Já se escreveu em vários sítios que foi um dos momentos da noite. Foi. Nesta fase da minha vida, mais uma vez, aparecem uns tipos que não me conhecem de lado nenhum a cantar-me o meu coração.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

K.

Partir é mais fácil do que se pensa. Difícil é decidir o que se leva connosco.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Rascunho

"Sabes, meu amor, melhor que ninguém, que o amor também faz sofrer, quando nos tornamos demasiado ciosos, ciumentos, possessivos, ou mesmo ociosos, apenas amando e vendo a vida a correr a galope. Ou quando não somos correspondidos. Ou quando amamos demais. Ou menos do que o outro.
E não é fácil manter acesa a chama da paixão, vivo o interesse e os interesses comuns, há uma altura em que o silêncio se faz convidado, em que outras figuras se sentam à mesma mesa, o sexo arrefece e tudo parece esmorecer face à rotina.
A paixão dura uns oito meses, depois passa-se para outros estados de alma, menos cansativos, e ou se fica, ou se parte, ou se vai morrendo lado a lado com o outro, ali mesmo ao nosso lado".
in "Sabes, Meu Amor..."

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Dos momentos em que Deus passou pela terra

Brad Pitt, o único homem que consegue atingir estados de fealdade e permanecer estupidamente bonito

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Do tempo

Nunca podemos fugir do tempo. Para trás, porque ele já passou, e não se repete mais. Para a frente, porque o desconhecemos, e não o podemos prever. Por agora, porque enquanto escrevemos isto ele foi embora, e deixou de ser nosso - como nunca foi. Mas ele, ele sim pode andar atrás de nós. Uma vida toda, se preciso for. Há coisas que nem ele apaga e que só ele relembra. E que só ele insiste em trazer de volta. O tempo é capaz do melhor e do pior. E às vezes decide deixar-nos o passado à beira da cama, como se tivéssemos de tropeçar nele todas as manhãs. 

You Tube XVIII: Foi isto que ficou de ontem - e tudo o que ainda faz sentido

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Telejornal

Se não param de falar na Quimonda e no Freeport, juro que mudo de país.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Isto e só isto

Preciso disto. Preciso disto. Preciso disto. Preciso disto. Preciso disto. Preciso disto. Preciso disto. Preciso disto. Preciso disto. Preciso disto. Preciso disto. Preciso disto. Preciso disto. Preciso disto. Preciso disto. Preciso disto. Preciso disto. Preciso disto. Às vezes os posts não servem para nada a não ser para desabafar, e eu preciso disto. E nem me venham falar em dia dos namorados. Bati com o carro na segunda-feira. Perante a minha actual conjuntura, até anseio por amanhã, sexta-feira 13.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Os tempos que correm

Voltei a fumar porque era infeliz sem os três ou quatro cigarros por dia. Só estou bem a trabalhar. Adiei a compra do carro porque valores mais baixos se levantaram. Estou a tentar abolir o excesso de pão e bolachas. Tenho saudades do Brasil (muitas). À noite, não quero ter sono. Engano o meu vazio com idas às compras. Não me façam perguntas.

Morning coffee

terça-feira, fevereiro 10, 2009

<...>

"É fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado."
Madre Teresa de Calcutá 

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Life.

domingo, fevereiro 08, 2009

Uma vida qualquer

Eu queria ter umas calças de ganga até ao pescoço, das que fazem um V entre as pernas de tão subidas que são, em tom azul-céu-depois-de-trovejar-com-umas-nuances. Eu queria ter uns ténis Reebok daqueles para fazer ginástica nos anos 80, que parecem umas botins de borracha branca, com uns elásticos no tornolezos. Eu queria ter um frou-frou para fazer rabo de cavalo despenteado, em que os cabelinhos pequenos de lado ficassem todos enrolados, um para cima, um para o lado, como se não visse um pente há três semanas. Eu queria ter uma sweat-shirt cor-de-rosa com umas letras a dizer Ralpho Laureno. Eu queria usar meias com bonecos da Disney, comprados num hipermercado qualquer porque meias dessas vendem-se em todo o lado, ou então daquelas cheias de risquinhas coloridas. Eu queria ter uma colecção de cuecas com flores e folhos, que a minha avó me teria oferecido no Natal passado, juntamente com os paninhos de cozinha. Eu queria ter um fato de treino fluorescente e um marido para passear comigo ao domingo à beira Tejo e comermos um gelado ao pé da Torre de Belém enquanto olhávamos as crianças a andar de triciclo e ficávamos duas horas sem abrir a boca. Eu queria uma mala encarnada de verniz, porque dá com tudo, até quando o chefe nos leva para o almoço semestral. Eu queria fazer madeixas louras, o cabelo escuro não se usa, e se as actrizes podem eu também posso, a diferença é que elas andam sempre carregadas de maquilhagem, senão eram igualzinhas a mim. Eu queria ir jantar àquele restaurante dos frangos grelhados, o que está sempre cheio, para beber uma dessas caipi.. caipirinhas, não é? e depois ir com a Clotilde e Ofélia para as Docas. Eu queria pôr unhas de gel gigantes, talvez com aqueles brilhozinhos que agora se usam muito, e umas flores também, ainda não pensei muito nisso. Mas o que eu queria mesmo era ter tempo para ir comprar o bilhete para o concerto do Tony Carreira, não tarda fica esgotado e depois é a desgraça.

É a desgraça. 

Dos nós e dos laços

Seremos sempre três, quatro, ou cinco, sentadas no sofá de uma casa qualquer, entre gargalhadas que guardam histórias de outros tempos e memórias antigas. Seremos sempre poucas, mas seremos sempre nós. Tenho saudades, pois tenho.

sábado, fevereiro 07, 2009

"Os Produtores"

Muito para fugir ao cinzento escuro que pautou a minha semana, ontem fui à antestreia de "Os Produtores". Já tinha visto o filme, tinha gostado, e à partida achava que este leque de actores era uma boa aposta (com excepção da Rita Pereira*). Não me enganeim e estes produtores (os da Cherry) cumpriram o seu papel: temos um grande espectáculo. Vamos então aos finalmentes. O Miguel Dias é um portento em palco. E tem uma voz potentíssima. Manuel Marques, meio metro de homem e um gigante na representação, é perfeito como o contabilista-produtor "desgraçadinho" - não podia ser outro actor a fazer este papel! Rodrigo Saraiva, o miúdo que em tempos vimos nas novelas juvenis, arrancou a maior ovação da sala. Completamente merecida. Foi o meu preferido. Ele e Pedro Pernas, um "desconhecido" do grande público, que depois deste musical terá pouco tempo para ficar estendido no sofá. Custódia Gallego, uma das minhas actrizes preferidas, tem uma personagem demasiado pequena, mas é suficiente para mostrar porque é que é uma das melhores actrizes portuguesas (se não a conhecem, vejam o filme "Esquece Tudo o que Te Disse", e apaixonem-se por esta criatura do outro mundo). Já Rui Mello, que tenho em grande consideração, não me convenceu. Nem os vestidos extravagantes ajudaram. Por último, Rita Pereira. Eu fiquei sem saber se ela realmente consegue cantar ou não, porque a acústica não estava no seu melhor (era só a dela! curioso...) , só que uma coisa é certa: esta Ulla esforçou-se bastante, e consegue fazer-nos esquecer, por momentos, a rapariguinha que aparece em tudo o que é revista e telenovela da treta. Ah, e dança bem*. 
De resto, tudo quase perfeito. Um grande cenário. Uma rotatividade de palco muito bem cronometrada. Um fantástico ensemble - ah pois é, os musicais não se fazem só com os actores ditos "principais", há um grupo enorme de dançarinos por trás - e uma boa adaptação do texto original. O pior mesmo foi um ou dois monólogos do Miguel Dias que eram perfeitamente dispensáveis de tão maçadores. Mas o que são miudezas, quando o geral é francamente valioso? Já sabemos que Lisboa precisa de espectáculos, precisa de mexer. Com musicais destes, com produções destas, Lisboa ganha um bocadinho mais de vida. E nós ganhamos também.

*Pessoa que respeito muito, blá blá blá, mas na qual não vejo quaisquer vestígios de cérebro
**No entanto, a minha não-simpatia pela menina mantém-se. Ela é o que é, e não são três piruetas que me fazem mudar de ideias

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Amor?

Tornei-me cínica em relação ao amor. Hoje é um sentimento que trato por tu, e agora o respeito decresce de mim para ele. Já não lhe faço grandes favores - ou pelo menos evito tentar fazer favores impossíveis. Não vale a pena. Os sapos que cruzaram o meu caminho ensinaram-me mais do que o pequeno príncipe em que tropecei. Deixei de acreditar nos para sempre e no all you need is love - all you need is you, isso sim me parece provável. Tornei-me cínica em relação ao amor. Descobri que ele não está em todo o lado, nem surge a toda a hora. É preciso espaço para se conseguir amar. É preciso tempo. O amor exige muito só que não promete nada. Temos de nos lembrar disso antes de cada lágrima. Não parei de acreditar no amor. Apenas lido com ele de uma forma prática. O coração também não bate sempre da mesma maneira, não é? No final não passa tudo de uma iusão. Por isso há momentos em que não amar é amar na mesma. 

terça-feira, fevereiro 03, 2009

"The Reader"

Não há dúvida que Kate Winslet é uma grande actriz. E não há dúvida que todos os prémios que ganhe por este filme são inteiramente merecidos. Grande papel. Que mulher inquietante, a sua Hanna Schmitz. Dorida, rude, solitária. Uma existência nula. Impressionante nos anos de velhice, nas mãos trémulas, no olhar sem vida. Assustadora, quando pega num livro sem saber ler: olhos que não lêem são olhos que não conseguem ver. Em frente a páginas e páginas de palavras, estão cegos. De todas as coisas impossíveis, o medo e a mentira fazem mais de vinte anos de uma história triste. Trinta anos. Quarenta anos. E nada lá dentro. Como sobreviver ao nosso próprio apagamento? Verdadeiramente genial. Tal como David Kross, o Michael Berg da juventude: apenas alguém que caminha ao lado da sua própria vida. E como me custou ver este filme...

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Aversão

Há pessoas que perdem o encanto assim que abrem a boca. E há outras que nunca o ganham porque estão sempre a falar.

O diabo em forma de gente*

Esperanza Spalding, que aqueceu a minha noite de domingo, no CCB
* E não parece nada, pois não?

domingo, fevereiro 01, 2009

"Frost/Nixon"

Funciona. Como documento histórico, como diálogo de egos, ou como guerra de nervos. Frank Langella é tão bom a fazer de Nixon que deve ter sido difícil não lhe chamar Mr. President fora da rodagem. A cena em que faz o mea culpa sobre o Watergate é genial: até fala com os olhos, ou principalmente com eles. É um candidato, justíssimo, ao Óscar de melhor actor. 

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Todas as mulheres têm cuecas para lavar

Um ex-namorado disse-me, pouco depois de nos conhecermos, que durante a sua fase de bon vivant tinha um estigma com as mulheres: achava que as menos bonitas tinham cuecas mais feias, e portanto mais sujas, e que isso com o tempo tornava-se pouco atraente; as giras, pelo contrário, eram donas de modelos extravagantes, impecavelmente limpos e com ar de novo. Claro que, como também me disse, depressa percebeu que estava errado. Todas as mulheres, sem excepção, têm a sua quota de cuecas para/por lavar. E quem diz cuecas diz tudo o resto. Quando chegam a casa, depois de um dia de trabalho que raramente é inferior a oito horas, todas as mulheres têm cabelos fora do sítio, maquilhagem mais ou menos esborratada, bocados de rímel perto dos olhos, verniz que salta, collants com malhas, vestidos e casacos corroídos pela transpiração, hálito menos recomendável que o habitual. Todas, sem excepção, anseiam por um banho, porque o creme do corpo há muito que se colou à roupa (se é que houve tempo para o pôr...), o soutien está a deixar marcas assassinas no peito, os jeans estão em guerra com os quilos extra, e a depilação está quatro dias atrasada. Não há nada de sedutor nisto. Mas também não há nada de medonho. Quem se der ao trabalho de andar por este mundo alguns anos vai descobrir que as coisas são mesmo assim. O que não falta em casa de uma mulher são cuecas para lavar. Chame-se ela Heidi Klum ou Maria Antónia.

Love is...

As histórias de amor, para existirem, têm de ser impossíveis.