terça-feira, fevereiro 10, 2009

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"É fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado."
Madre Teresa de Calcutá 

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Life.

domingo, fevereiro 08, 2009

Uma vida qualquer

Eu queria ter umas calças de ganga até ao pescoço, das que fazem um V entre as pernas de tão subidas que são, em tom azul-céu-depois-de-trovejar-com-umas-nuances. Eu queria ter uns ténis Reebok daqueles para fazer ginástica nos anos 80, que parecem umas botins de borracha branca, com uns elásticos no tornolezos. Eu queria ter um frou-frou para fazer rabo de cavalo despenteado, em que os cabelinhos pequenos de lado ficassem todos enrolados, um para cima, um para o lado, como se não visse um pente há três semanas. Eu queria ter uma sweat-shirt cor-de-rosa com umas letras a dizer Ralpho Laureno. Eu queria usar meias com bonecos da Disney, comprados num hipermercado qualquer porque meias dessas vendem-se em todo o lado, ou então daquelas cheias de risquinhas coloridas. Eu queria ter uma colecção de cuecas com flores e folhos, que a minha avó me teria oferecido no Natal passado, juntamente com os paninhos de cozinha. Eu queria ter um fato de treino fluorescente e um marido para passear comigo ao domingo à beira Tejo e comermos um gelado ao pé da Torre de Belém enquanto olhávamos as crianças a andar de triciclo e ficávamos duas horas sem abrir a boca. Eu queria uma mala encarnada de verniz, porque dá com tudo, até quando o chefe nos leva para o almoço semestral. Eu queria fazer madeixas louras, o cabelo escuro não se usa, e se as actrizes podem eu também posso, a diferença é que elas andam sempre carregadas de maquilhagem, senão eram igualzinhas a mim. Eu queria ir jantar àquele restaurante dos frangos grelhados, o que está sempre cheio, para beber uma dessas caipi.. caipirinhas, não é? e depois ir com a Clotilde e Ofélia para as Docas. Eu queria pôr unhas de gel gigantes, talvez com aqueles brilhozinhos que agora se usam muito, e umas flores também, ainda não pensei muito nisso. Mas o que eu queria mesmo era ter tempo para ir comprar o bilhete para o concerto do Tony Carreira, não tarda fica esgotado e depois é a desgraça.

É a desgraça. 

Dos nós e dos laços

Seremos sempre três, quatro, ou cinco, sentadas no sofá de uma casa qualquer, entre gargalhadas que guardam histórias de outros tempos e memórias antigas. Seremos sempre poucas, mas seremos sempre nós. Tenho saudades, pois tenho.

sábado, fevereiro 07, 2009

"Os Produtores"

Muito para fugir ao cinzento escuro que pautou a minha semana, ontem fui à antestreia de "Os Produtores". Já tinha visto o filme, tinha gostado, e à partida achava que este leque de actores era uma boa aposta (com excepção da Rita Pereira*). Não me enganeim e estes produtores (os da Cherry) cumpriram o seu papel: temos um grande espectáculo. Vamos então aos finalmentes. O Miguel Dias é um portento em palco. E tem uma voz potentíssima. Manuel Marques, meio metro de homem e um gigante na representação, é perfeito como o contabilista-produtor "desgraçadinho" - não podia ser outro actor a fazer este papel! Rodrigo Saraiva, o miúdo que em tempos vimos nas novelas juvenis, arrancou a maior ovação da sala. Completamente merecida. Foi o meu preferido. Ele e Pedro Pernas, um "desconhecido" do grande público, que depois deste musical terá pouco tempo para ficar estendido no sofá. Custódia Gallego, uma das minhas actrizes preferidas, tem uma personagem demasiado pequena, mas é suficiente para mostrar porque é que é uma das melhores actrizes portuguesas (se não a conhecem, vejam o filme "Esquece Tudo o que Te Disse", e apaixonem-se por esta criatura do outro mundo). Já Rui Mello, que tenho em grande consideração, não me convenceu. Nem os vestidos extravagantes ajudaram. Por último, Rita Pereira. Eu fiquei sem saber se ela realmente consegue cantar ou não, porque a acústica não estava no seu melhor (era só a dela! curioso...) , só que uma coisa é certa: esta Ulla esforçou-se bastante, e consegue fazer-nos esquecer, por momentos, a rapariguinha que aparece em tudo o que é revista e telenovela da treta. Ah, e dança bem*. 
De resto, tudo quase perfeito. Um grande cenário. Uma rotatividade de palco muito bem cronometrada. Um fantástico ensemble - ah pois é, os musicais não se fazem só com os actores ditos "principais", há um grupo enorme de dançarinos por trás - e uma boa adaptação do texto original. O pior mesmo foi um ou dois monólogos do Miguel Dias que eram perfeitamente dispensáveis de tão maçadores. Mas o que são miudezas, quando o geral é francamente valioso? Já sabemos que Lisboa precisa de espectáculos, precisa de mexer. Com musicais destes, com produções destas, Lisboa ganha um bocadinho mais de vida. E nós ganhamos também.

*Pessoa que respeito muito, blá blá blá, mas na qual não vejo quaisquer vestígios de cérebro
**No entanto, a minha não-simpatia pela menina mantém-se. Ela é o que é, e não são três piruetas que me fazem mudar de ideias

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Amor?

Tornei-me cínica em relação ao amor. Hoje é um sentimento que trato por tu, e agora o respeito decresce de mim para ele. Já não lhe faço grandes favores - ou pelo menos evito tentar fazer favores impossíveis. Não vale a pena. Os sapos que cruzaram o meu caminho ensinaram-me mais do que o pequeno príncipe em que tropecei. Deixei de acreditar nos para sempre e no all you need is love - all you need is you, isso sim me parece provável. Tornei-me cínica em relação ao amor. Descobri que ele não está em todo o lado, nem surge a toda a hora. É preciso espaço para se conseguir amar. É preciso tempo. O amor exige muito só que não promete nada. Temos de nos lembrar disso antes de cada lágrima. Não parei de acreditar no amor. Apenas lido com ele de uma forma prática. O coração também não bate sempre da mesma maneira, não é? No final não passa tudo de uma iusão. Por isso há momentos em que não amar é amar na mesma. 

terça-feira, fevereiro 03, 2009

"The Reader"

Não há dúvida que Kate Winslet é uma grande actriz. E não há dúvida que todos os prémios que ganhe por este filme são inteiramente merecidos. Grande papel. Que mulher inquietante, a sua Hanna Schmitz. Dorida, rude, solitária. Uma existência nula. Impressionante nos anos de velhice, nas mãos trémulas, no olhar sem vida. Assustadora, quando pega num livro sem saber ler: olhos que não lêem são olhos que não conseguem ver. Em frente a páginas e páginas de palavras, estão cegos. De todas as coisas impossíveis, o medo e a mentira fazem mais de vinte anos de uma história triste. Trinta anos. Quarenta anos. E nada lá dentro. Como sobreviver ao nosso próprio apagamento? Verdadeiramente genial. Tal como David Kross, o Michael Berg da juventude: apenas alguém que caminha ao lado da sua própria vida. E como me custou ver este filme...

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Aversão

Há pessoas que perdem o encanto assim que abrem a boca. E há outras que nunca o ganham porque estão sempre a falar.

O diabo em forma de gente*

Esperanza Spalding, que aqueceu a minha noite de domingo, no CCB
* E não parece nada, pois não?

domingo, fevereiro 01, 2009

"Frost/Nixon"

Funciona. Como documento histórico, como diálogo de egos, ou como guerra de nervos. Frank Langella é tão bom a fazer de Nixon que deve ter sido difícil não lhe chamar Mr. President fora da rodagem. A cena em que faz o mea culpa sobre o Watergate é genial: até fala com os olhos, ou principalmente com eles. É um candidato, justíssimo, ao Óscar de melhor actor. 

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Todas as mulheres têm cuecas para lavar

Um ex-namorado disse-me, pouco depois de nos conhecermos, que durante a sua fase de bon vivant tinha um estigma com as mulheres: achava que as menos bonitas tinham cuecas mais feias, e portanto mais sujas, e que isso com o tempo tornava-se pouco atraente; as giras, pelo contrário, eram donas de modelos extravagantes, impecavelmente limpos e com ar de novo. Claro que, como também me disse, depressa percebeu que estava errado. Todas as mulheres, sem excepção, têm a sua quota de cuecas para/por lavar. E quem diz cuecas diz tudo o resto. Quando chegam a casa, depois de um dia de trabalho que raramente é inferior a oito horas, todas as mulheres têm cabelos fora do sítio, maquilhagem mais ou menos esborratada, bocados de rímel perto dos olhos, verniz que salta, collants com malhas, vestidos e casacos corroídos pela transpiração, hálito menos recomendável que o habitual. Todas, sem excepção, anseiam por um banho, porque o creme do corpo há muito que se colou à roupa (se é que houve tempo para o pôr...), o soutien está a deixar marcas assassinas no peito, os jeans estão em guerra com os quilos extra, e a depilação está quatro dias atrasada. Não há nada de sedutor nisto. Mas também não há nada de medonho. Quem se der ao trabalho de andar por este mundo alguns anos vai descobrir que as coisas são mesmo assim. O que não falta em casa de uma mulher são cuecas para lavar. Chame-se ela Heidi Klum ou Maria Antónia.

Love is...

As histórias de amor, para existirem, têm de ser impossíveis.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Well, I can't.

These are hard, hard times. System shut down for Miss K.

domingo, janeiro 25, 2009

"Revolutionary Road"

Qualquer filme que venha depois do "O Estranho Caso de Benjamin Button" é sempre menos bom. Serve o mesmo para este "Revolutionary Road" - não é nada de revolucionário, mas nem por isso deixa de ser inquietante. Só que cheira demasiado a vamos-lá-fazer-um-filme-daqueles-que-os-intelectuais-gostam. Está tudo demasiado certinho. Grandes actores? Check. Óptimos planos? Check. Bons diálogos? Check. Argumento cuidado? Check. Kate Winslet no seu melhor? Check. DiCaprio mais uma vez a mostrar que de puto só tem a cara? Check. E por aí fora. Ainda assim, o que me chateou mais foi saber que, para o bem e para o mal, um dos meus maiores medos é chegar ao ponto em que se encontra o casal do filme: não são as brigas, é descobrir que aquela ideia de greatness que guardo cá dentro afinal não passa de uma enorme ilusão.

"The Curious Case of Benjamin Button"

Fosse eu realmente abençoada com o dom da palavra, e conseguia dizer, aqui e agora, o que senti durante, e depois, de ver este filme. Não sou, por isso a única coisa a fazer é inspirar uma e outra vez, relembrar algumas cenas, guardar certas verdades na memória dos para-sempre ("Our lives are defined by opportunities, even the ones we miss"), e desejar viver anos suficientes para ver mais obras-primas como esta. Que estupidez. Como é que um homem deste mundo é capaz de realizar um filme desta sensibilidade?! E como é que um actor é capaz de se despir de si ao ponto de eu não acreditar que é mesmo ele?! De facto, que estupidez. Alguém disse numa crítica que este estranho caso cheirava a Óscar por todos os lados. É verdade. Merece-os todos (e aqui entra a guerra com o meu Sean Penn, no "Milk", mas que fazer com uma prestação assombrosa como esta?). Fiquei realmente incomodada. E precisei de falar nisto uma série de vezes. É mais ou menos assim que eu catalogo as coisas inesquecíveis.

Bom domingo

sábado, janeiro 24, 2009

"Slumdog Millionaire"

Prem Kumar: So Jamal, tell me somrthing about yourself.
Jamal Malik: I work in a caal center in Juhu.
Prem Kumar: Phone basher! And what type of call center would that be?
Jamal Malik: Excel Five mobile phones.
Prem Kumar: Ohh... so you're the one who calls me up every single day of my life with special offers?
Jamal Malik: Actually I'm an assistant.
Prem Kumar: An assistant phone basher? And what does an assistant phone basher do exactly?
Jamal Malik: I get tea for people and...
Prem Kumar: Chaiwalah! Well ladies and gentlemen, Jamal Malik, garma garam chai dene wala from Mumbai, let's play Who Wants To Be A Millionaire!

Ver este filme é como ir a um parque de diversões: parece que não é nada do outro mundo, mas sempre que andamos na montanha russa (re)descobrimos que a vida está cheia de coisas boas. Danny Boyle, que na década de 90 nos deu "Trainspotting", filma uma história perdida numa Índia de milhões, não uma entre muitas, antes a história que faz a alegria de tantas vidas. O que impressiona mais é ver como um concurso daqueles consegue fazer o mesmo do que folhear um álbum de memórias: a cada pergunta, Jamal renasce, e a cada resposta certa desata os nós que vão traçar o seu destino. É tão estupidamente simples, que nos sentimos ignorantes por nunca termos pensado numa coisa destas. Sim, por aqui cheira (muito) a Óscar. Dos dez, terá de levar algum, em nome dos sonhos de todos os fãs de cinema.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Grrr...

Das duas, uma: ou fico eu, ou fica esta mulherzinha stressada que no último mês tomou conta de mim. E se ela ficar eu saio. A minha alma que decida. Agora assim, assim não dá.

Reparo

[entre o "Gran Torino" e o "Vicky Cristina Barcelona" o meu espírito ainda foi contemplado com o "Second Life", made in Portugal, mas achei que a única coisa realmente interessante de partilhar é a música, maravilhosa, do Bernardo Sassetti. Fica o reparo]

"Vicky Cristina Barcelona"

Finalmente vi o novo Woody Allen. Não amei. Mas gostei. Bastante? Acho que só vou saber daqui a um ou dois anos, quando o rever; para já, achei bonzinho (e um Woody bonzinho é sempre equivalente a um filme da treta genial, como é sabido). O melhor do filme, que tem uma história que já vimos em qualquer lado, é Penélope Cruz, uma força da natureza. O papel ajuda, claro, mas se não tivesse cojones seria impossível dar-lhe aquela garra toda. Genial, principalmente nos momentos em que entra em histerismo e, descontrolada, intercala o espanhol com o inglês! Pode ser que desta vez leve o Óscar... E o que dizer do Javier, senão que é o espanhol mais sexy de que há memória? Encantador, até quando não abre a boca. A Scarlett, por seu lado, está mais fraquinha do que o habitual, a própria personagem é um fantasma ao pé do carisma das outras, e a Rebecca Hall é uma boa surpresa (versão Allen feminina?). Notas negativas (sempre quis escrever isto!) para o narrador, que não é Woody Allen e tem uma que voz não assenta no tom do filme, e para o argumento e diálogos, mais fracos que o costume... Barcelona, essa, está linda, e mesmo não sendo uma personagem, como Nova Iorque costuma ser nas películas do realizador, é retratada com muito carinho. 

quarta-feira, janeiro 21, 2009

"Gran Torino"

É Eastwood e basta? Podia ser. No entanto, prefiro dizer que é Eastwood, é muito bom, e tem um grande (enorme) actor num grande papel principal: ele próprio. Quem quiser ser surpreendido pelo único filme que tem nome de carro e consegue ser sobre uma história de amor sem barulho de tunnings, renda-se já às mais obscuras ondas da internet. Por cá só estreia a 12 de Março, e um mês e meio é tempo a mais para se perder as manhas de Walt Kowalski. Mais uma prova de que as histórias simples, quando bem contadas, conseguem provocar emoções (e risos) avassaladoras.

terça-feira, janeiro 20, 2009

American Dream

Barack Obama torna-se hoje o 44º presidente dos Estados Unidos. O mundo nunca mais será o mesmo. Hoje também somos todos americanos.

Mirror, mirror on the wall...

"Só há uma diferença entre o louco e eu. O louco pensa que está são. Eu sei que estou louco"
Salvador Dali

segunda-feira, janeiro 19, 2009

De como eu tentei ver "O Estranho Caso de Benjamin Button"...

... e não consegui. Culpa minha. Quem me manda querer ir ao cinema ao domingo à tarde? 'Tou parva, ou quê?! Domingo à tarde está oficialmente reservado para os piores exemplares tuga, onde é que eu tinha a cabeça? Será possível ter-me esquecido que essa é a altura em que a gente da minha terra entope os centros comerciais e qualquer lugar com um tecto e muitas luzes? Qual cinema, qual quê... E antes que o grupinho intelectualóide de duas pessoas que me lê venha perguntar porque é que eu não fui logo directa ao King, eu respondo: porque o Benjamin não está lá. Adiante. 
Primeiro alvo, Amoreiras. Cerca de 45 minutos de avanço, tempo suficiente para fazer a fila e comer um gelado. Ná. A bicha é pequena mas só há lugares separados. Não quero. Caprichosa? Porque é que hei-de estar 166 minutos entre dois desconhecidos, a pipocar e a suar, se posso estar ao pé do meu gajo? Ânimo, Miss K., estás de fim-de-semana! 'Bora lá experimentar o Saldanha Residence. Começou há 20 minutos. Damn!, que azar! (Nisto já lá vão 1,20 euros em parques de estacionamento) Ok, last try, Campo Pequeno, lá é mais sossegado que o Corte Inglés. Pois é. Lá é muito sossegado. Só estavam 150 pessoas na fila, entre gritos de bebés de colo, carrinhos, crianças com TPM, grupos de jovens com hormonas aos saltos e um ar condicionado programado para o pólo Norte. Vamos para casa, temos lá muitos filmes para ver, fica para a próxima. Vamos. Só perdemos duas horas e picos nesta brincadeira.

Caros leitores:

Este BLOG vai MUDAR DE NOME

Há algum tempo que o quero fazer. Quem me lê desde o início sabe que esta não foi a primeira opção. Por isso está na altura de pôr os pontos nos i's. Pode ser?

"The Wrestler"

Acho mal. Acabei de ver "The Wrestler" e fiquei com um amargo na boca: é por isto que o Mickey Rourke roubou o Globo ao Sean Penn?! Estou a exagerar? Talvez, mas não me conformo. Os senhores que deram o prémio a Rourke foram, na certa, comprados, porque se é certo que o senhor tem um bom desempenho (em pelo menos duas cenas conseguiu emocionar-me mesmo), daí até ser uma prestação a roçar o génio vai uma grande distância. Primeiro, porque o wrestling é feio, porco e mau. As cenas de brigas são de uma quase-violência exagerada, e o sangue que vai por aqueles corpos fora podia muito bem ter ficado dentro da garrafa de ketchup. Não há nem moral da história nem história na moral - durante duas horas vamos assistindo à queda do mito (?), sem que se passe alguma coisa que provoque uma acção a ser desenvolvida até ao final. Mastigamos pastilha elástica sem sabor, portanto. A história do filme é uma que já vi num outro qualquer, mas em pior. Por que é que esta gente não se convence que não é qualquer um que faz um touro enraivecido?

domingo, janeiro 18, 2009

O mundo é o que se faz com ele

Da minha janela, e só da minha janela, o mundo é o mundo que eu quiser.

"Defiance"

O argumento é simples: quatro irmãos judeus conseguem escapar de uma Polónia ocupada pelos nazis para a floresta da Bielorússia, onde criam uma comunidade de resistentes que vai tentar sobreviver apesar da proximidade do inimigo. Daniel Craig é Tuvia Bielski, o líder amado e odiado por todos, Liev Schreiber é o irmão que insiste numa resistência olho por olho, dente por dente, e Jamie Bell é Asael, que consegue escapar ao massacre dos pais. A história é real, e como todos os relatos do holocausto impressiona por termos tão presente (será que temos?) o horror e o inferno por que passaram milhares de judeus. Craig está, mais uma vez, exemplar: não só é um grande James Bond, como consegue multiplicar-se em personagens nos outros filmes que faz; aqui tem um sotaque muito convincente, e mais uma vez usa os olhos, essa arma letal, para expressar uma panólia de emoções. O cinzento e roxo que atravessam toda a película cola muito bem com o tema, e o final é, surpreendentemente, feliz (dentro do que pode ser a felicidade em pleno holocausto). Só peca pela duração, que se arrasta por mais de duas horas.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

No nothing

via 

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Antecipação inquietante

Ainda não vi "O Estranho Caso de Benjamin Button", mas já me sinto incomodada com o filme. Porque a vida é, por si só, uma coisa curta, fugidia e inesperada, com um final infeliz, e pensar na ideia de vivê-la ao contrário arrepia-me as carnes e o cabelo. Quantos amores não perdemos, nós que seguimos o dito curso natural das coisas? Quantos desencontros não vivemos, numa jornada mais ou menos conturbada? Quantas esperanças não guardamos, e perdemos, nestes anos de recta solidão? E, claro, quantas alegrias não temos, quantas vezes não rimos, quantas noites não amamos, quantos sítios não descobrimos, de crianças a adolescentes, de adultos a velhos? E depois dizerem-nos que não, que estamos contra o mundo, que enquanto ele caminha para o fim nós vamos para o princípio, que a escola é um sonho tardio que se cruza com os cabelos brancos do melhor amigo... A revolta de ser obrigado a ter uma vida diferente, mas nem por isso mais interessante, uma vida sem vida, em que a luta é contra o tempo que nunca pára. Imagino-me careca, de sobrancelhas grisalhas, um metro e meio de gente, sete anos de uma existência toda pela frente; e as minhas pessoas a fugirem na espuma dos dias, a irem lá para onde eu não posso ir. Não, não quero ficar cá enquanto todos morrem. Prefiro a nossa passagem pela Terra. Limitada e imperfeita, sim, só que infinitamente melhor.

"Milk"

Fantástico. Ainda só havia quatro minutos de filme e já eu estava a dizer "O Sean Penn é um actor fabuloso". E é. Não precisava deste "Milk" para o comprovar, mas esta é sem dúvida uma (mais uma) das suas melhores interpretações. Penn dá vida a Harvey Milk, o primeiro homossexual a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos, que foi assassinado juntamente com o presidente da câmara de São Francisco, George Moscone, quando as suas ideias começavam a ter cada vez mais impacto na sociedade americana. Acompanhamos a trajectória de Milk desde que chega à cidade, com o companheiro Scott Smith (o melhor James Franco que já vi), passando pela sua luta pelos direitos dos gays, com o apoio de, entre outros, o extraordinário Emile Hirsch, na pele de Cleve Jones. Pelo meio há imagens da época, marchas impressionantes, e grandes desempenhos de todos (mas mesmo todos) os personagens. Só é pena saber que Harvey não morre só no filme. A intolerância acabou com uma carreira ímpar aos 48 anos (há um diálogo, logo no início, em que ele diz que não vai chegar aos 50...), e a batalha pela igualdade ficou muito mais pobre. Nós podemos ajudar um bocadinho se alargamos os nossos horizontes com obras destas.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Desemprego, esse papão - capítulo I

Hoje em dia é moda não chamar as coisas pelos nomes. Por isso, em tempos de crise, adapta-se o que soa melhor, para doer menos. Há uns tempos, apareceu uma nova maneira de dizer que uma série de pessoas vai para o olho da rua. Chama-se cessação do contrato de trabalho. Tem um nome mais pomposo, mas na prática fica-se sempre na merda.

Crepúsculo

[tenho medo de tocar nos sonhos em voz alta]

Nunca's

À semelhança de outros bloggers, também eu vou fazer a minha lista de "Eu nunca...". No fundo, a nossa alma pela-se por estas piroseiras. Então cá vai.

Eu nunca conduzi um tractor.
Eu nunca fiz sexo numa casa-de-banho pública.
Eu nunca estrelei um ovo. 
Eu nunca gatinhei.
Eu nunca fui ao Panamá.
Eu nunca mandei um arrumador de carros para o caralho.
Eu nunca descasquei uma batata.
Eu nunca saltei de pára-quedas.
Eu nunca pintei o cabelo de louro.
Eu nunca andei numa na via pública.
Eu nunca fiz uma aposta a dinheiro.
Eu nunca fiquei acordada mais do que 50 horas. 
Eu nunca votei no CDS.
Eu nunca fiz voodoo contra ninguém.
Eu nunca grafitei um prédio.
Eu nunca tive, ou fiz, um filho.
Eu nunca perdi um avião.
Eu nunca encontrei o Cavaco Silva num restaurante.
Eu nunca fui a Fátima a pé.
Eu nunca tive a conta a baixo de zero.
Eu nunca disparei uma arma.
Eu nunca vi o "E.T.".
Eu nunca fiz um strip.
Eu nunca fiz o pino.
Eu nunca snifei cocaína.
Eu nunca cantei em público.
Eu nunca usei amarelo da cabeça aos pés.
Eu nunca fiquei sem água a meio do banho.
Eu nunca comi feijoada.
Eu nunca li o "Equador".
Eu nunca soletrei uma palavra em alemão.
Eu nunca sonhei com o meu casamento.

terça-feira, janeiro 13, 2009

semi

Estive quase a escrever um post.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

"The Black Balloon"

Não sei se chegou a estrear entre nós ou se foi directamente para DVD, mas recomendo porque um filme destes tem de ser ver. Longe de ser uma obra-prima, é um retrato impressionante de uma família que podia estar à beira de um ataque de nervos (mas não está), a braços com um filho autista, Charlie (Luke Ford, bastante convincente), uma bebé recém nascida e um adolescente, Thomas (Rhys Wakefield, exemplar na sua revolta abafada), que não está na idade do armário porque não tem espaço para isso. A mãe, a sempre genial Toni Collette, leva os filhos e o marido ao colo, e é toda um leão que defende as suas crias. Todos os actores cumprem, mas a surpresa maior, para mim, foi a top model Gemma Ward, que faz de Jackie, a paixão cúmplice de Thomas: as suas feições são perfeitas para este papel, e os seus olhos enchem o ecrã. Vale a pena saber como são as coisas quando o nosso lar é tudo menos normal. Como diz a frase-bandeira do filme, normal is relative. Mas preparem-se: há cenas em que a verdade, por ser tão cruel, chega a magoar.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

O maior desafio

(a vida passa-se a descobrir como)

Orgia

Já repararam que nos andamos todos a ler uns aos outros?

"A Troca"

A Angelina está, de facto, um assombro. Mas então e o John Malkovich, ninguém reparou no papelão que ele faz? 

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Ajudem-me nisto. Ajudam?*

O que é que acontece às pessoas depois de morrerem?

*Ajudem, que isto depois dá um post. À antiga.

O post em que assumo a resolução de Ano Novo por fazer

Nas resoluções de Ano Novo que não fiz, ter calma vinha em primeiro e segundo lugar. Só depois é que vinha o Pulitzer, o livro, os lofts aqui e ali, e essas coisas todas que estão fartos de saber. Preciso disso - sossego de espírito, serenidade, quietude - como de pão para a boca. E não tenho. Sou a minha própria tormenta emocional. Dá para acreditar que até durante um concerto sou capaz de sentar os meus demónios ao colo e discutir mentalmente as mais pequenas miudezas do quotidiano? Aconteceu isso ontem, quando (re)via Stomp. Um espectáculo do caraças à minha frente, e eu preocupada com as lutas incansáveis do tico e do teco! Mesmo quando não quero, a minha cabecinha trata de funcionar em modo fast-motion, e tudo o que é dilema e medo universal me vem bater à porta. Para quê? Pois também não sei, nunca soube. O mal, em mim, já vem feito - sou eu. Peço por isso a quem de direito (não dizem que Deus existe?) que mude este sistema infernal que é a minha violenta massa cinzenta, e a torne num paraíso do descanso, um resort de tranquilidade, um oásis de relaxamento. De outra maneira, daqui a outros 27 anos terei de arranjar um interlocutor para falar comigo, tão velha jarreta estarei.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Quanta dor?

Será que é preciso rasgar o coração para conseguir escrever como dantes?

Não terminou assim, mas podia ter terminado

Tinha um carro vermelho, um Polo fora de século, com matrícula de quando eu ainda usava botas ortopédicas. De há muito tempo, portanto. Era seguramente pequena, porque o fio mais alto de cabelo ficava a quase meio metro do tecto. Se fosse homem, era na certa um daqueles excitadinhos que têm cara de ejaculação precoce. Assim, era só mais um projecto falhado de mulher a tirar-me minutos de vida. Vi-a pela primeira vez (não, não a vi pela primeira vez, cruzei-me com ela pela primeira vez, assim é que é) na curva depois dos semáforos ao pé de minha casa, quando conseguiu a proeza de falhar dois verdes seguidos. Digno de Nobel, de facto. Só não lhe apitei porque estava a tentar camuflar a borbulha que me deu os bons dias. Quando finalmente avançou, fez uns bons duzentos metros sem falhas de maior, e ao sinal seguinte deixou a máquina ir abaixo. Resolveu o problema nuns rápidos dezanove minutos, o suficiente para eu perceber que aquela gola alta preta ainda me ia dar muitas gotas de suor. Eixo Norte-Sul fora, com todos os carros deste mundo e do outro, vi-me obrigada a segui-la: pisca sempre ligado, sempre, mesmo quando ia fazer quase um quilómetro em linha recta; tubo de escape com a poluição de Tokyo e arredores, terço no espelho a balançar para mal da minha colecção de pecados. Na saída para a Praça de Espanha perdeu novamente o controlo da relíquia, e aí consegui ouvir o Marquês de Pombal a gritar de dor. Sem espaço para onde me escapar, permaneci atrás, até que o problema fosse resolvido. Primeira, segunda, marcha, abaixo. Primeira, segu... fumo, muito fumo. A minha buzina ganhou vida. As dos carros de trás, também. Ela mexeu a cabecinha num suplício, olhou para os dois lados num pânico só comparável à fraude das suas aulas de condução, e bateu no automóvel da frente. O condutor só podia ser clone do Dalai Lama, só podia, porque a sua paciência foi tanta que nem gesticulou: percebeu intuitivamente que o dano era pequeno, e seguiu viagem. O ponteiro do meu relógio anunciava quase vinte minutos num trajecto de dois. Não vi as minhas mãos fazerem-lhe manguitos. Ela foi tomada por um espírito bom e arrancou. Mudou de faixa as vezes suficientes para já nem eu saber se a minha saída era Areeiro ou Praça de Espanha. A Antena 3 pôs Buraka, animei-me por segundos, e meti para a direita. Ela achou que a roda traseira do lado esquerdo estava em mau estado, e assim que teve oportunidade, saiu do carro, a permanente a coroar um corpo de duende. Nem tive tempo para pensar: matei-a.

terça-feira, janeiro 06, 2009

"Australia"

Um ano depois de "Expiação", lá voltei a chorar no cinema. Não estava à espera. Primeira conclusão cinematográfica de 2009: fazem falta filmes destes: grandes, mas bons (porque às vezes é preciso tempo para contar as estórias todas de uma história); de amores que mudam um mundo. Mesmo (e também porque) o mundo não é assim. Cada geração tem o seu pequeno "E Tudo O Vento Levou". Parece-me bem.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Hoje, pouco depois de acordar, estava mais ou menos assim

(e estava muito bem, escreva-se de passagem)

domingo, janeiro 04, 2009

Como nunca escrever uma composição

Nasci a rir. Cresci assim, sem dramas. Aprendi a nadar com quatro anos, aos cinco batia na minha prima Joca, e aos seis (tarde, mas mais vale tarde que nunca) acedi a tirar as rodinhas laterais da bicicleta. Nas contas, cheguei aos cem com três anos, e nas vésperas dos quatro já escrevia todo o abecedário. Fui curiosa o suficiente para não gatinhar, rejeitei a aranha e trepava pelo parquinho acima, sempre que me tentavam cortar as asas. Fiz a minha própria ementa, e dela fazia parte um rotundo "não à sopa e aos verdes", muitas bananas e ainda mais Cérelac. Adorei Barbies, Nenucos, Pinipons, livros Patinhas e "Uma Aventura", o Monopólio, as Tartarugas Ninja, o Calimero, os Póneis, os Ursinhos Carinhosos, a "Missão Impossível" e o "Sassaricando". Joguei à bola no quintal da minha avó, fugi de casa com a minha prima Raquel, levei uma valente tareia, planeei a fuga duas ou três vezes mais, fiz um clube, desmanchei-o no dia seguinte, mascarei-me de palhaço e de dama antiga, joguei aos berlindes e às escondidas, mandei valentes chapões na piscina do meu tio, fiz castelos na areia e destruí-os segundos depois, armei ciladas infalíveis com o meu primo Gonçalo e, crente nas coisas impossíveis, fui estupidamente feliz. Até aos 14 anos. O meu avô morreu, enterrei parte de mim e, meses depois, entreguei a minha vida à minha pior memória. Deixei que comandassem os meus desejos, perdi as minhas ordens, e nunca mais fui a mesma. Durante quatro anos, anulei as minhas vontades, perdi amigos e inimigos, abandonei o riso e as coisas inutilmente saudáveis. Fechei-me para o mundo, e pus nas mãos de quem nunca mereceu o meu futuro imediato. Consenti o improvável, aceitei o medo como forma de vida e permiti que me reduzissem a pó. Não soube dizer "não". Dia após dia, acordava para o meu pequeno inferno. Na idade em que é moda cometer asneiras, todo o meu presente era uma asneira - mas eu não sabia. Na adolescência, essa coisa que eu nunca soube o que era, andei fugida das coisas boas da vida, e até à maioridade esqueci-me que o passado só volta na nossa memória. O grito passou a ser o tom do discurso. Tão banal como respirar. Quando me apercebi que estava numa estrada sem saída, o meu corpo sofreu os demónios alheios. Tentei pôr uma pedra no assunto e esquecer: tinha toda uma juventude a recuperar. Tarde demais. O mal foi feito nesses anos em que devia ter apanhado valentes bebedeiras, em que devia ter chegado tarde a casa, namorado dois rapazes ao mesmo tempo, fumado o primeiro cigarro, experimentado baton vermelho. Não fiz nada disso. Treze anos depois, ainda não recuperei a Ana que se perdeu nesses entretantos. Ainda não sei dizer "não" sem pôr a hipótese do "sim". Ainda não sei agarrar o hoje como se não houvesse amanhã. Ao quarto dia de um novo ano, muitos anos depois, volto a acreditar que vai ser desta.

E ao terceiro dia...

Quem ficou com dores de cotovelo por causa do post de baixo, pode estar descansado: o fantasma do azar que me persegue desde há uns meses voltou a fazer das suas e, assim que aterrei na Portela, voltei ao meu estado anormal. Passei o dia de ontem a vomitar. No comments.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Estive a trabalhar até às três da manhã...

... e das nove e picos às duas da tarde. Mas agora bronzeio as minhas formas (momentaneamente) mondiglianas na varanda do meu five star hotel, quando estão 25-fabulosos-graus no Funchal. Agora que vos enchi de inveja, posso voltar tranquilamente para os banhos-de-sol. Bom ano!

quinta-feira, janeiro 01, 2009

post #1

O que é que me falta para ser a pessoa mais feliz do mundo? O loft em Nova Iorque, a cobertura no Rio, o duplex em Paris (com vista para o Sena), o estúdio em Londres, o T2 em Shanghai, o ilhéu nas Maldivas, o resort privado no Vietname e o barco estacionado em St. Tropez. O Fiat 500 para a cidade, o jeep Mercedes para a estrada toda, a Vespa para os caprichos e novas rodas para os patins em linha. Parecem-me demasiado presunçosos os jactos privados, mas aceito. O andar com terraço interior e águas furtadas, no Chiado ou no Príncipe Real, o cartão 100% off na Gucci, Dolce, Prada, Versage, Armani, Manolo, Louboutin, H&M, e Top Shop, o free card para o Sushi Lounge no Estado Líquido e no Aya, o cartão de ouro da Fnac (exclusivo para mim), treze sacos de compras da Victoria's Secret e da Agent Provocateur, a taluda no Euro Milhões, o Sporting campeão e dono e senhor da Champions. O emprego na Vogue americana, ou na espanhola, ou na brasileira, ou na portuguesa, entregas diárias de croissants da Bénard, pão de Santarém via FedEx, pastéis de Belém para o pequeno-almoço às segundas, quartas e sextas, workshop de escrita com Philip Roth, entrevista de vida a Lobo Antunes, jantar na Bica com Saramago (partindo do principio que ele entrava na Bica), curta-metragem sobre a vida de Woody Allen, reportagem "em casa de..." com Barack Obama e um programa semanal de cinema. A companhia da mãe e do pai ao almoço, do homem da minha vida todos os dias, dos meus amigos over and over, da família sempre que possível, garantias de saúde ilimitada, para mim e para os meus. A conta bancária do Tio Patinhas e a DisneyLand como parque de diversões. Uma varinha mágica, não fosse tudo acabar. E a promessa da imortalidade enquanto quisesse ser eternamente jovem e doida, porque o mundo tem muito para ver. Não tenho nada disto, é sabido, mas tenho outras coisas, e assim começo 2009 a sonhar um bocadinho, porque por enquanto sonhar ainda não paga imposto. 2008 foi amigo, às vezes muito, outras fiel inimigo, e trouxe, entre outras surpresas, o amor - pouco mais se pode pedir. É esperar que a vida, a boa, se mantenha, e a má se evite sempre que possível. Daqui a pouco é Carnaval e já ninguém se lembra das resoluções de ano novo, por isso não faço balanços e dou largas à imaginação: que esta viagem seja maravilhosa enquanto dure; a perfeição não tem graça nenhuma. Sejamos, por isso, não as pessoas mais felizes do mundo, mas pessoas felizes, no meio deste mundo.