segunda-feira, janeiro 19, 2009

"The Wrestler"

Acho mal. Acabei de ver "The Wrestler" e fiquei com um amargo na boca: é por isto que o Mickey Rourke roubou o Globo ao Sean Penn?! Estou a exagerar? Talvez, mas não me conformo. Os senhores que deram o prémio a Rourke foram, na certa, comprados, porque se é certo que o senhor tem um bom desempenho (em pelo menos duas cenas conseguiu emocionar-me mesmo), daí até ser uma prestação a roçar o génio vai uma grande distância. Primeiro, porque o wrestling é feio, porco e mau. As cenas de brigas são de uma quase-violência exagerada, e o sangue que vai por aqueles corpos fora podia muito bem ter ficado dentro da garrafa de ketchup. Não há nem moral da história nem história na moral - durante duas horas vamos assistindo à queda do mito (?), sem que se passe alguma coisa que provoque uma acção a ser desenvolvida até ao final. Mastigamos pastilha elástica sem sabor, portanto. A história do filme é uma que já vi num outro qualquer, mas em pior. Por que é que esta gente não se convence que não é qualquer um que faz um touro enraivecido?

domingo, janeiro 18, 2009

O mundo é o que se faz com ele

Da minha janela, e só da minha janela, o mundo é o mundo que eu quiser.

"Defiance"

O argumento é simples: quatro irmãos judeus conseguem escapar de uma Polónia ocupada pelos nazis para a floresta da Bielorússia, onde criam uma comunidade de resistentes que vai tentar sobreviver apesar da proximidade do inimigo. Daniel Craig é Tuvia Bielski, o líder amado e odiado por todos, Liev Schreiber é o irmão que insiste numa resistência olho por olho, dente por dente, e Jamie Bell é Asael, que consegue escapar ao massacre dos pais. A história é real, e como todos os relatos do holocausto impressiona por termos tão presente (será que temos?) o horror e o inferno por que passaram milhares de judeus. Craig está, mais uma vez, exemplar: não só é um grande James Bond, como consegue multiplicar-se em personagens nos outros filmes que faz; aqui tem um sotaque muito convincente, e mais uma vez usa os olhos, essa arma letal, para expressar uma panólia de emoções. O cinzento e roxo que atravessam toda a película cola muito bem com o tema, e o final é, surpreendentemente, feliz (dentro do que pode ser a felicidade em pleno holocausto). Só peca pela duração, que se arrasta por mais de duas horas.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

No nothing

via 

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Antecipação inquietante

Ainda não vi "O Estranho Caso de Benjamin Button", mas já me sinto incomodada com o filme. Porque a vida é, por si só, uma coisa curta, fugidia e inesperada, com um final infeliz, e pensar na ideia de vivê-la ao contrário arrepia-me as carnes e o cabelo. Quantos amores não perdemos, nós que seguimos o dito curso natural das coisas? Quantos desencontros não vivemos, numa jornada mais ou menos conturbada? Quantas esperanças não guardamos, e perdemos, nestes anos de recta solidão? E, claro, quantas alegrias não temos, quantas vezes não rimos, quantas noites não amamos, quantos sítios não descobrimos, de crianças a adolescentes, de adultos a velhos? E depois dizerem-nos que não, que estamos contra o mundo, que enquanto ele caminha para o fim nós vamos para o princípio, que a escola é um sonho tardio que se cruza com os cabelos brancos do melhor amigo... A revolta de ser obrigado a ter uma vida diferente, mas nem por isso mais interessante, uma vida sem vida, em que a luta é contra o tempo que nunca pára. Imagino-me careca, de sobrancelhas grisalhas, um metro e meio de gente, sete anos de uma existência toda pela frente; e as minhas pessoas a fugirem na espuma dos dias, a irem lá para onde eu não posso ir. Não, não quero ficar cá enquanto todos morrem. Prefiro a nossa passagem pela Terra. Limitada e imperfeita, sim, só que infinitamente melhor.

"Milk"

Fantástico. Ainda só havia quatro minutos de filme e já eu estava a dizer "O Sean Penn é um actor fabuloso". E é. Não precisava deste "Milk" para o comprovar, mas esta é sem dúvida uma (mais uma) das suas melhores interpretações. Penn dá vida a Harvey Milk, o primeiro homossexual a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos, que foi assassinado juntamente com o presidente da câmara de São Francisco, George Moscone, quando as suas ideias começavam a ter cada vez mais impacto na sociedade americana. Acompanhamos a trajectória de Milk desde que chega à cidade, com o companheiro Scott Smith (o melhor James Franco que já vi), passando pela sua luta pelos direitos dos gays, com o apoio de, entre outros, o extraordinário Emile Hirsch, na pele de Cleve Jones. Pelo meio há imagens da época, marchas impressionantes, e grandes desempenhos de todos (mas mesmo todos) os personagens. Só é pena saber que Harvey não morre só no filme. A intolerância acabou com uma carreira ímpar aos 48 anos (há um diálogo, logo no início, em que ele diz que não vai chegar aos 50...), e a batalha pela igualdade ficou muito mais pobre. Nós podemos ajudar um bocadinho se alargamos os nossos horizontes com obras destas.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Desemprego, esse papão - capítulo I

Hoje em dia é moda não chamar as coisas pelos nomes. Por isso, em tempos de crise, adapta-se o que soa melhor, para doer menos. Há uns tempos, apareceu uma nova maneira de dizer que uma série de pessoas vai para o olho da rua. Chama-se cessação do contrato de trabalho. Tem um nome mais pomposo, mas na prática fica-se sempre na merda.

Crepúsculo

[tenho medo de tocar nos sonhos em voz alta]

Nunca's

À semelhança de outros bloggers, também eu vou fazer a minha lista de "Eu nunca...". No fundo, a nossa alma pela-se por estas piroseiras. Então cá vai.

Eu nunca conduzi um tractor.
Eu nunca fiz sexo numa casa-de-banho pública.
Eu nunca estrelei um ovo. 
Eu nunca gatinhei.
Eu nunca fui ao Panamá.
Eu nunca mandei um arrumador de carros para o caralho.
Eu nunca descasquei uma batata.
Eu nunca saltei de pára-quedas.
Eu nunca pintei o cabelo de louro.
Eu nunca andei numa na via pública.
Eu nunca fiz uma aposta a dinheiro.
Eu nunca fiquei acordada mais do que 50 horas. 
Eu nunca votei no CDS.
Eu nunca fiz voodoo contra ninguém.
Eu nunca grafitei um prédio.
Eu nunca tive, ou fiz, um filho.
Eu nunca perdi um avião.
Eu nunca encontrei o Cavaco Silva num restaurante.
Eu nunca fui a Fátima a pé.
Eu nunca tive a conta a baixo de zero.
Eu nunca disparei uma arma.
Eu nunca vi o "E.T.".
Eu nunca fiz um strip.
Eu nunca fiz o pino.
Eu nunca snifei cocaína.
Eu nunca cantei em público.
Eu nunca usei amarelo da cabeça aos pés.
Eu nunca fiquei sem água a meio do banho.
Eu nunca comi feijoada.
Eu nunca li o "Equador".
Eu nunca soletrei uma palavra em alemão.
Eu nunca sonhei com o meu casamento.

terça-feira, janeiro 13, 2009

semi

Estive quase a escrever um post.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

"The Black Balloon"

Não sei se chegou a estrear entre nós ou se foi directamente para DVD, mas recomendo porque um filme destes tem de ser ver. Longe de ser uma obra-prima, é um retrato impressionante de uma família que podia estar à beira de um ataque de nervos (mas não está), a braços com um filho autista, Charlie (Luke Ford, bastante convincente), uma bebé recém nascida e um adolescente, Thomas (Rhys Wakefield, exemplar na sua revolta abafada), que não está na idade do armário porque não tem espaço para isso. A mãe, a sempre genial Toni Collette, leva os filhos e o marido ao colo, e é toda um leão que defende as suas crias. Todos os actores cumprem, mas a surpresa maior, para mim, foi a top model Gemma Ward, que faz de Jackie, a paixão cúmplice de Thomas: as suas feições são perfeitas para este papel, e os seus olhos enchem o ecrã. Vale a pena saber como são as coisas quando o nosso lar é tudo menos normal. Como diz a frase-bandeira do filme, normal is relative. Mas preparem-se: há cenas em que a verdade, por ser tão cruel, chega a magoar.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

O maior desafio

(a vida passa-se a descobrir como)

Orgia

Já repararam que nos andamos todos a ler uns aos outros?

"A Troca"

A Angelina está, de facto, um assombro. Mas então e o John Malkovich, ninguém reparou no papelão que ele faz? 

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Ajudem-me nisto. Ajudam?*

O que é que acontece às pessoas depois de morrerem?

*Ajudem, que isto depois dá um post. À antiga.

O post em que assumo a resolução de Ano Novo por fazer

Nas resoluções de Ano Novo que não fiz, ter calma vinha em primeiro e segundo lugar. Só depois é que vinha o Pulitzer, o livro, os lofts aqui e ali, e essas coisas todas que estão fartos de saber. Preciso disso - sossego de espírito, serenidade, quietude - como de pão para a boca. E não tenho. Sou a minha própria tormenta emocional. Dá para acreditar que até durante um concerto sou capaz de sentar os meus demónios ao colo e discutir mentalmente as mais pequenas miudezas do quotidiano? Aconteceu isso ontem, quando (re)via Stomp. Um espectáculo do caraças à minha frente, e eu preocupada com as lutas incansáveis do tico e do teco! Mesmo quando não quero, a minha cabecinha trata de funcionar em modo fast-motion, e tudo o que é dilema e medo universal me vem bater à porta. Para quê? Pois também não sei, nunca soube. O mal, em mim, já vem feito - sou eu. Peço por isso a quem de direito (não dizem que Deus existe?) que mude este sistema infernal que é a minha violenta massa cinzenta, e a torne num paraíso do descanso, um resort de tranquilidade, um oásis de relaxamento. De outra maneira, daqui a outros 27 anos terei de arranjar um interlocutor para falar comigo, tão velha jarreta estarei.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Quanta dor?

Será que é preciso rasgar o coração para conseguir escrever como dantes?

Não terminou assim, mas podia ter terminado

Tinha um carro vermelho, um Polo fora de século, com matrícula de quando eu ainda usava botas ortopédicas. De há muito tempo, portanto. Era seguramente pequena, porque o fio mais alto de cabelo ficava a quase meio metro do tecto. Se fosse homem, era na certa um daqueles excitadinhos que têm cara de ejaculação precoce. Assim, era só mais um projecto falhado de mulher a tirar-me minutos de vida. Vi-a pela primeira vez (não, não a vi pela primeira vez, cruzei-me com ela pela primeira vez, assim é que é) na curva depois dos semáforos ao pé de minha casa, quando conseguiu a proeza de falhar dois verdes seguidos. Digno de Nobel, de facto. Só não lhe apitei porque estava a tentar camuflar a borbulha que me deu os bons dias. Quando finalmente avançou, fez uns bons duzentos metros sem falhas de maior, e ao sinal seguinte deixou a máquina ir abaixo. Resolveu o problema nuns rápidos dezanove minutos, o suficiente para eu perceber que aquela gola alta preta ainda me ia dar muitas gotas de suor. Eixo Norte-Sul fora, com todos os carros deste mundo e do outro, vi-me obrigada a segui-la: pisca sempre ligado, sempre, mesmo quando ia fazer quase um quilómetro em linha recta; tubo de escape com a poluição de Tokyo e arredores, terço no espelho a balançar para mal da minha colecção de pecados. Na saída para a Praça de Espanha perdeu novamente o controlo da relíquia, e aí consegui ouvir o Marquês de Pombal a gritar de dor. Sem espaço para onde me escapar, permaneci atrás, até que o problema fosse resolvido. Primeira, segunda, marcha, abaixo. Primeira, segu... fumo, muito fumo. A minha buzina ganhou vida. As dos carros de trás, também. Ela mexeu a cabecinha num suplício, olhou para os dois lados num pânico só comparável à fraude das suas aulas de condução, e bateu no automóvel da frente. O condutor só podia ser clone do Dalai Lama, só podia, porque a sua paciência foi tanta que nem gesticulou: percebeu intuitivamente que o dano era pequeno, e seguiu viagem. O ponteiro do meu relógio anunciava quase vinte minutos num trajecto de dois. Não vi as minhas mãos fazerem-lhe manguitos. Ela foi tomada por um espírito bom e arrancou. Mudou de faixa as vezes suficientes para já nem eu saber se a minha saída era Areeiro ou Praça de Espanha. A Antena 3 pôs Buraka, animei-me por segundos, e meti para a direita. Ela achou que a roda traseira do lado esquerdo estava em mau estado, e assim que teve oportunidade, saiu do carro, a permanente a coroar um corpo de duende. Nem tive tempo para pensar: matei-a.

terça-feira, janeiro 06, 2009

"Australia"

Um ano depois de "Expiação", lá voltei a chorar no cinema. Não estava à espera. Primeira conclusão cinematográfica de 2009: fazem falta filmes destes: grandes, mas bons (porque às vezes é preciso tempo para contar as estórias todas de uma história); de amores que mudam um mundo. Mesmo (e também porque) o mundo não é assim. Cada geração tem o seu pequeno "E Tudo O Vento Levou". Parece-me bem.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Hoje, pouco depois de acordar, estava mais ou menos assim

(e estava muito bem, escreva-se de passagem)

domingo, janeiro 04, 2009

Como nunca escrever uma composição

Nasci a rir. Cresci assim, sem dramas. Aprendi a nadar com quatro anos, aos cinco batia na minha prima Joca, e aos seis (tarde, mas mais vale tarde que nunca) acedi a tirar as rodinhas laterais da bicicleta. Nas contas, cheguei aos cem com três anos, e nas vésperas dos quatro já escrevia todo o abecedário. Fui curiosa o suficiente para não gatinhar, rejeitei a aranha e trepava pelo parquinho acima, sempre que me tentavam cortar as asas. Fiz a minha própria ementa, e dela fazia parte um rotundo "não à sopa e aos verdes", muitas bananas e ainda mais Cérelac. Adorei Barbies, Nenucos, Pinipons, livros Patinhas e "Uma Aventura", o Monopólio, as Tartarugas Ninja, o Calimero, os Póneis, os Ursinhos Carinhosos, a "Missão Impossível" e o "Sassaricando". Joguei à bola no quintal da minha avó, fugi de casa com a minha prima Raquel, levei uma valente tareia, planeei a fuga duas ou três vezes mais, fiz um clube, desmanchei-o no dia seguinte, mascarei-me de palhaço e de dama antiga, joguei aos berlindes e às escondidas, mandei valentes chapões na piscina do meu tio, fiz castelos na areia e destruí-os segundos depois, armei ciladas infalíveis com o meu primo Gonçalo e, crente nas coisas impossíveis, fui estupidamente feliz. Até aos 14 anos. O meu avô morreu, enterrei parte de mim e, meses depois, entreguei a minha vida à minha pior memória. Deixei que comandassem os meus desejos, perdi as minhas ordens, e nunca mais fui a mesma. Durante quatro anos, anulei as minhas vontades, perdi amigos e inimigos, abandonei o riso e as coisas inutilmente saudáveis. Fechei-me para o mundo, e pus nas mãos de quem nunca mereceu o meu futuro imediato. Consenti o improvável, aceitei o medo como forma de vida e permiti que me reduzissem a pó. Não soube dizer "não". Dia após dia, acordava para o meu pequeno inferno. Na idade em que é moda cometer asneiras, todo o meu presente era uma asneira - mas eu não sabia. Na adolescência, essa coisa que eu nunca soube o que era, andei fugida das coisas boas da vida, e até à maioridade esqueci-me que o passado só volta na nossa memória. O grito passou a ser o tom do discurso. Tão banal como respirar. Quando me apercebi que estava numa estrada sem saída, o meu corpo sofreu os demónios alheios. Tentei pôr uma pedra no assunto e esquecer: tinha toda uma juventude a recuperar. Tarde demais. O mal foi feito nesses anos em que devia ter apanhado valentes bebedeiras, em que devia ter chegado tarde a casa, namorado dois rapazes ao mesmo tempo, fumado o primeiro cigarro, experimentado baton vermelho. Não fiz nada disso. Treze anos depois, ainda não recuperei a Ana que se perdeu nesses entretantos. Ainda não sei dizer "não" sem pôr a hipótese do "sim". Ainda não sei agarrar o hoje como se não houvesse amanhã. Ao quarto dia de um novo ano, muitos anos depois, volto a acreditar que vai ser desta.

E ao terceiro dia...

Quem ficou com dores de cotovelo por causa do post de baixo, pode estar descansado: o fantasma do azar que me persegue desde há uns meses voltou a fazer das suas e, assim que aterrei na Portela, voltei ao meu estado anormal. Passei o dia de ontem a vomitar. No comments.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Estive a trabalhar até às três da manhã...

... e das nove e picos às duas da tarde. Mas agora bronzeio as minhas formas (momentaneamente) mondiglianas na varanda do meu five star hotel, quando estão 25-fabulosos-graus no Funchal. Agora que vos enchi de inveja, posso voltar tranquilamente para os banhos-de-sol. Bom ano!

quinta-feira, janeiro 01, 2009

post #1

O que é que me falta para ser a pessoa mais feliz do mundo? O loft em Nova Iorque, a cobertura no Rio, o duplex em Paris (com vista para o Sena), o estúdio em Londres, o T2 em Shanghai, o ilhéu nas Maldivas, o resort privado no Vietname e o barco estacionado em St. Tropez. O Fiat 500 para a cidade, o jeep Mercedes para a estrada toda, a Vespa para os caprichos e novas rodas para os patins em linha. Parecem-me demasiado presunçosos os jactos privados, mas aceito. O andar com terraço interior e águas furtadas, no Chiado ou no Príncipe Real, o cartão 100% off na Gucci, Dolce, Prada, Versage, Armani, Manolo, Louboutin, H&M, e Top Shop, o free card para o Sushi Lounge no Estado Líquido e no Aya, o cartão de ouro da Fnac (exclusivo para mim), treze sacos de compras da Victoria's Secret e da Agent Provocateur, a taluda no Euro Milhões, o Sporting campeão e dono e senhor da Champions. O emprego na Vogue americana, ou na espanhola, ou na brasileira, ou na portuguesa, entregas diárias de croissants da Bénard, pão de Santarém via FedEx, pastéis de Belém para o pequeno-almoço às segundas, quartas e sextas, workshop de escrita com Philip Roth, entrevista de vida a Lobo Antunes, jantar na Bica com Saramago (partindo do principio que ele entrava na Bica), curta-metragem sobre a vida de Woody Allen, reportagem "em casa de..." com Barack Obama e um programa semanal de cinema. A companhia da mãe e do pai ao almoço, do homem da minha vida todos os dias, dos meus amigos over and over, da família sempre que possível, garantias de saúde ilimitada, para mim e para os meus. A conta bancária do Tio Patinhas e a DisneyLand como parque de diversões. Uma varinha mágica, não fosse tudo acabar. E a promessa da imortalidade enquanto quisesse ser eternamente jovem e doida, porque o mundo tem muito para ver. Não tenho nada disto, é sabido, mas tenho outras coisas, e assim começo 2009 a sonhar um bocadinho, porque por enquanto sonhar ainda não paga imposto. 2008 foi amigo, às vezes muito, outras fiel inimigo, e trouxe, entre outras surpresas, o amor - pouco mais se pode pedir. É esperar que a vida, a boa, se mantenha, e a má se evite sempre que possível. Daqui a pouco é Carnaval e já ninguém se lembra das resoluções de ano novo, por isso não faço balanços e dou largas à imaginação: que esta viagem seja maravilhosa enquanto dure; a perfeição não tem graça nenhuma. Sejamos, por isso, não as pessoas mais felizes do mundo, mas pessoas felizes, no meio deste mundo. 

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Planos para 2009

Muitas horas de descanso, rodeada das coisas boas da vida!

Crise? Qual crise?!

Tenho um mísero croissant com fiambre à minha frente, um iogurte de morango no lado esquerdo, e carradas de trabalho por fazer. Tempo para escrever, é nenhum, mas não resisto. A poucas horas de abandonar o continente do vai-se andado, é com pouco espanto que constato que este é um país de nobres mentirosos. Mente Sócrates, que manda apagar os cigarros e faz de aviões privados sala de fumo, mentem os senhores do BPN e do BPP, quando garantem segurança nos depósitos, mentem os deputados nas juras de honra à nação quando se sentam nas cadeiras da Assembleia, e mente todo e qualquer ser humano que fale de crise. Crise, qual crise? Aquela que ainda ontem à tarde dava cabo das estruturas do centro comercial Colombo, tantas eram as manadas de sacos na mão? Ou a outra, que na sexta e no sábado deixou o El Corte Inglés à beira de rebentar? Não sei se era alguma destas, ou se há mais, mas uma coisa é certa: Portugal está tudo menos em crise. Em 24 aninhos de consciência social (os primeiros três ficaram a cargo das fraldas e biberons), nunca eu vi na vida tanta gente desesperada por comprar; em todo o lado se ouve, e vê, este verbo de aquisição: comprar, comprar! Ele é prendas atrasadas, saldos imperdíveis, cuecas para o ano novo, promoções antecipadas... Onde é que há tanta gente para comprar tanta coisa? Será que durante o ano se escondem em tocas subterrâneas, e no último mês se juntam para soltar a franga?! Tenham dó, portugueses e portuguesas! A crise é a desculpa mais esparrafada que já ouvi para gastar o pib da Albânia em cada ida ao shopping. You should be ashamed!

sábado, dezembro 27, 2008

Unpost

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Pânico!

Nunca pensei dizer (quanto mais escrever) isto, mas depois do que comi, e com este blush rosa, sinto-me a irmã gémea da Popota. Oh, mundo cruel!

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Menú

Eu, que nem gosto dele, tive um bom Natal. O mesmo é dizer que 24 e 25 se passaram quase sempre de sorriso nos lábios, até perante as intempéries. Não tinha porque não o fazer. Afinal, voltei a casa e ainda me consegui sentir, por breves instantes, sua fiel habitante - ainda é um bocadinho minha. Gostei de ver as pessoas que o tempo levou, algumas que o tempo nem perdoa, e jogar dois dedos de conversa fora - às vezes, faz bem falar sobre coisa nenhuma. Soube-me bem ansiar pelo espanto dos outros, na expectativa dos meus presentes - vesti o meu melhor fato de mãe Natal, e deixei o espírito consumista dar os braços à minha vontade de oferecer. Por momentos, fiz alguém feliz, e essa sensação de dever cumprido lavou-me os pecados. Fui criança sempre que me sentei à mesa, glutona como só eu sei, deixei a cozinha para quem se entende com ela, e fingi que nunca tinha ouvido falar em calorias - é incrível como ainda gosto de ser a mais nova, para algumas coisas... Mas o melhor é capaz de ter sido ver que não me afasto de quem me conhece de sempre, porque continuo igualzinha a mim; estou na gargalhada estridente da minha mãe, na conversa intelignte do meu pai, na saudade de carícias da minha avó. Perdi outras coisas, muitas. Ainda bem que ficou o mais importante.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Delay

(logo agora que tenho o mundo todo para escrever, a minha mãe chama-me para jantar)

Agora a sério

Vem sorrateira, a Jessica Alba, para vos desejar um Bom Natal...

terça-feira, dezembro 23, 2008

Néon

segunda-feira, dezembro 22, 2008

O meu carro novo

Vou comprar um carro. E assim entro numa nova etapa na minha vida, ser grande. Depois da maioridade, só me faltava a autoridade. Parece que está a chegar. Lentamente, mas está. E por isso declaro aberta a época em que decido ser adulta de manhã à noite, com a supervisão dos senhores do Banco. Três anos antes dos 30. Digam o que disserem, é obra. Para quem passou boa parte dos últimos anos a sonhar com ofertas de emprego, é um golpe de mestre. Vou comprar um carro, roguem as pragas que rogarem e façam as bruxarias que fizerem. O meu direcção assistida a braços partidos é chão que deu uvas - e muitas dores de cabeça. Foram quase nove anos, muitas experiências, ainda mais aventuras, mas basta. Chegou a altura de mudar, de subir de nível. É pedir assim tanto, um volantezinho com menos de quatro quilos que eu? Também me parece. Vou comprar um carro, e com isso resolvo um dos grandes dramas da minha existência: os outros dois, saber passar cheques e cortar as unhas dos pés, já tratei deles há um bom tempo. Não quero saber se a conjuntura é ou não favorável, se daqui a sete anos os juros baixam ou se o Sócrates passa a oferecer carros em vez de Magalhães. Vou comprar um carro, e com esta decisão ponho termo a quase 27 anos de dramas de infância.

X-mas news

Desapareceu o cão da princesa Beatrice, assaltaram a casa de Paris Hilton, Madonna envolveu-se com um brasileiro e Michael Jackson pode estar à beira da morte. Se a isto juntarmos o mais recente desejo de Mariah Carey, ser mãe, e a futura mudança dos Beckham para Itália, ninguém pode dizer que, neste mundo em vésperas de Natal, não se passa nada de jeito.

domingo, dezembro 21, 2008

Há posts. E há posts-domingo. Este é um deles.

Tantos sítios para ir, mas o destino é mesmo Ranholas. Por enquanto é assim. Lá para dia 30, aí então apanha-se um aviãozinho até ao Funchal, para receber o novo ano ao lado de príncipes e princesas, de gravador na mão. A cabeça e a carteira andam nas ruas de Nova Iorque, o estômago nos restaurantes de Londres e o bronze nos areais de Copacabana, mas tudo a seu tempo. Agora é altura de ficar em casa - at home, no sentido literal da expressão. No meio das mantas, dos abraços, dos DVD's, dos blogs alheios, das revistas e dos chocolates que (por uns tempos) não posso comer. Aproveito os intervalos para dar azo ao meu revigorado impulso consumista, e trazer para os armários sonhos tornados realidade: enquanto não chega o FIAT 500, vou adquirindo sapatos, produtos de beleza (I'm in love witth Benefit), livros e cd's. A crise, chutei-a para canto, está muito déjà vu!   

[...]

Pronto. Já vi e agora não sei o que escrever.

sábado, dezembro 20, 2008

SPA

Ele até pode nunca mais escrever mais nada na vida, mas um ex-colega de faculdade publicou, há uma porção de anos, um livro de contos chamado "Deus morreu e eu não fui ao funeral". Só por se ter lembrado deste título merece entrar nos anais da literatura.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Antes que seja tarde: votos de um santo Natal*

* ou Mais uma maneira corta-e-cola de criar alérgicos ao Life dadas as suas inspirações assassinas e depressivas ou Eu também não chateio os fanáticos pelo Pai Natal, deixem-me à vontade e sejam felizes ou, pura e simplesmente, O melhor postal de Natal-anti-Natal de sempre. Bem-haja.

Bad Santa

Mas, também, ter trocas de prendas para quê? Há n dias enfiada em casa, com o estômago a rebentar e a paciência no pretérito perfeito, o que é que eu ia trocar? "- Olha, tenho esta caixinha de Omeprazol a mais, se me deres a de Rennie, ainda te acrescento uma embalagem de Primperan..." Infeliz.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Ao ler a Pipoca, lembrei-me...

Não tenho nenhuma troca de prendas agendada e, aposto, não vou marcar nenhuma até dia 24. Será que afinal não tenho amigos, ou sou eu e os meus que temos uma maneira um bocadinho sui generis de (não) celebrar o Natal?

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Lalaland drugstore

domingo, dezembro 07, 2008

baby K.

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sábado, dezembro 06, 2008

[cheguei a casa há vinte minutos]

Cinco da manhã e eu a ver blogs. Está bonito.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Sempre achei que o João Ratão era um grande filho da puta

E, se tivesse tempo, era exactamente sobre isso que ia escrever. Fica o anti-pasti, para não haver a menor hipótese de me esquecer. To be continued...

K de karma

(A vergonha impede-me de colocar o verdadeiro tamanho da caixa normalmente devorada)

quinta-feira, dezembro 04, 2008

"Amália"

Quando Ricardo Espírito Santo apertou a mão de Amália, sentado na eternidade da sua cadeira de rodas, o meu coração gelou. A minha memória gravou, no canto das coisas impossíveis, o olhar daquele homem que morria a dizer adeus, e a esperança da mulher que então parecia acreditar nos dias felizes. O António Pedro Cerdeira, que teve de ir ao Olimpo dos actores para fazer este papel, tem um dia de viver um amor assim, é-lhe devido. E a Sandra Barata Belo, um monstro da representação, ganharia na certa um Oscar, vivesse ela em Hollywood. Não é exagero, é assim. Bastavam as cenas entre os dois e tínhamos filme. Fizeram-se mais, juntou-se a extraordinária Carla Chambel como irmã da diva, e o resultado final é um poema de imagens em movimento, sem rigidez nem ordem certa, tal qual a vida da cantora maior da alma portuguesa.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

3.

"voa coração. ou então arde."
(Eugénio de Andrade)

terça-feira, dezembro 02, 2008

Download

Uma pausazinha na neura estival para partilhar duas pérolas no que toca a séries de televisão: Gossip Girl e Californication. A primeira é uma espécie de blog televisivo sobre um grupinho de jovens do Upper East Side de Nova York, refinado upgrade da tão falada "The O.C.", só que com melhores actores, melhores diálogos, personagens e situações credíveis, roupas bem mais giras e cenários bem mais interessantes; a segunda é a maneira mais rápida de nos rendermos ao talento de David Duchovny, o senhor que há uns anos desvendava "ficheiros secretos" e que agora lança charme como escritor anti-sucesso, pai cool separado-mas-apaixonado, e homem assumidamente viciado em tudo o que mexe. Para mais informações, dirijam-se a qualquer computador longe das vossas casas e dêem início à pirataria. O risco, garanto-vos, será totalmente compensado!

Agenda 2009

segunda-feira, dezembro 01, 2008

O regresso da terrorista emocional*

A três minutos do segundo dia do pior mês do ano, o balanço que faço de Dezembro '08 não é nada positivo: um dia frio, feio, pequeno, neurótico, com filas para o cinema e o Starbucks (oh, país cruel!), gente a mais e pessoas a menos, demasiados chocolates por prateleira quadrada (e, agora, por cada recanto do meu estômago), bolachas bolcahinhas e bolachonas à mão de semear, crianças eufóricas que me fazem lembrar os tempos em que não era uma beata infeliz, e o meu relógio interior, tic-tac, tic-tac, quando é que chegamos a Janeiro, que já não me posso aturar?   

* Que nesta altura do ano veste sempre o seu fato deluxe...