segunda-feira, dezembro 29, 2008

Planos para 2009

Muitas horas de descanso, rodeada das coisas boas da vida!

Crise? Qual crise?!

Tenho um mísero croissant com fiambre à minha frente, um iogurte de morango no lado esquerdo, e carradas de trabalho por fazer. Tempo para escrever, é nenhum, mas não resisto. A poucas horas de abandonar o continente do vai-se andado, é com pouco espanto que constato que este é um país de nobres mentirosos. Mente Sócrates, que manda apagar os cigarros e faz de aviões privados sala de fumo, mentem os senhores do BPN e do BPP, quando garantem segurança nos depósitos, mentem os deputados nas juras de honra à nação quando se sentam nas cadeiras da Assembleia, e mente todo e qualquer ser humano que fale de crise. Crise, qual crise? Aquela que ainda ontem à tarde dava cabo das estruturas do centro comercial Colombo, tantas eram as manadas de sacos na mão? Ou a outra, que na sexta e no sábado deixou o El Corte Inglés à beira de rebentar? Não sei se era alguma destas, ou se há mais, mas uma coisa é certa: Portugal está tudo menos em crise. Em 24 aninhos de consciência social (os primeiros três ficaram a cargo das fraldas e biberons), nunca eu vi na vida tanta gente desesperada por comprar; em todo o lado se ouve, e vê, este verbo de aquisição: comprar, comprar! Ele é prendas atrasadas, saldos imperdíveis, cuecas para o ano novo, promoções antecipadas... Onde é que há tanta gente para comprar tanta coisa? Será que durante o ano se escondem em tocas subterrâneas, e no último mês se juntam para soltar a franga?! Tenham dó, portugueses e portuguesas! A crise é a desculpa mais esparrafada que já ouvi para gastar o pib da Albânia em cada ida ao shopping. You should be ashamed!

sábado, dezembro 27, 2008

Unpost

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Pânico!

Nunca pensei dizer (quanto mais escrever) isto, mas depois do que comi, e com este blush rosa, sinto-me a irmã gémea da Popota. Oh, mundo cruel!

quinta-feira, dezembro 25, 2008

Menú

Eu, que nem gosto dele, tive um bom Natal. O mesmo é dizer que 24 e 25 se passaram quase sempre de sorriso nos lábios, até perante as intempéries. Não tinha porque não o fazer. Afinal, voltei a casa e ainda me consegui sentir, por breves instantes, sua fiel habitante - ainda é um bocadinho minha. Gostei de ver as pessoas que o tempo levou, algumas que o tempo nem perdoa, e jogar dois dedos de conversa fora - às vezes, faz bem falar sobre coisa nenhuma. Soube-me bem ansiar pelo espanto dos outros, na expectativa dos meus presentes - vesti o meu melhor fato de mãe Natal, e deixei o espírito consumista dar os braços à minha vontade de oferecer. Por momentos, fiz alguém feliz, e essa sensação de dever cumprido lavou-me os pecados. Fui criança sempre que me sentei à mesa, glutona como só eu sei, deixei a cozinha para quem se entende com ela, e fingi que nunca tinha ouvido falar em calorias - é incrível como ainda gosto de ser a mais nova, para algumas coisas... Mas o melhor é capaz de ter sido ver que não me afasto de quem me conhece de sempre, porque continuo igualzinha a mim; estou na gargalhada estridente da minha mãe, na conversa intelignte do meu pai, na saudade de carícias da minha avó. Perdi outras coisas, muitas. Ainda bem que ficou o mais importante.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Delay

(logo agora que tenho o mundo todo para escrever, a minha mãe chama-me para jantar)

Agora a sério

Vem sorrateira, a Jessica Alba, para vos desejar um Bom Natal...

terça-feira, dezembro 23, 2008

Néon

segunda-feira, dezembro 22, 2008

O meu carro novo

Vou comprar um carro. E assim entro numa nova etapa na minha vida, ser grande. Depois da maioridade, só me faltava a autoridade. Parece que está a chegar. Lentamente, mas está. E por isso declaro aberta a época em que decido ser adulta de manhã à noite, com a supervisão dos senhores do Banco. Três anos antes dos 30. Digam o que disserem, é obra. Para quem passou boa parte dos últimos anos a sonhar com ofertas de emprego, é um golpe de mestre. Vou comprar um carro, roguem as pragas que rogarem e façam as bruxarias que fizerem. O meu direcção assistida a braços partidos é chão que deu uvas - e muitas dores de cabeça. Foram quase nove anos, muitas experiências, ainda mais aventuras, mas basta. Chegou a altura de mudar, de subir de nível. É pedir assim tanto, um volantezinho com menos de quatro quilos que eu? Também me parece. Vou comprar um carro, e com isso resolvo um dos grandes dramas da minha existência: os outros dois, saber passar cheques e cortar as unhas dos pés, já tratei deles há um bom tempo. Não quero saber se a conjuntura é ou não favorável, se daqui a sete anos os juros baixam ou se o Sócrates passa a oferecer carros em vez de Magalhães. Vou comprar um carro, e com esta decisão ponho termo a quase 27 anos de dramas de infância.

X-mas news

Desapareceu o cão da princesa Beatrice, assaltaram a casa de Paris Hilton, Madonna envolveu-se com um brasileiro e Michael Jackson pode estar à beira da morte. Se a isto juntarmos o mais recente desejo de Mariah Carey, ser mãe, e a futura mudança dos Beckham para Itália, ninguém pode dizer que, neste mundo em vésperas de Natal, não se passa nada de jeito.

domingo, dezembro 21, 2008

Há posts. E há posts-domingo. Este é um deles.

Tantos sítios para ir, mas o destino é mesmo Ranholas. Por enquanto é assim. Lá para dia 30, aí então apanha-se um aviãozinho até ao Funchal, para receber o novo ano ao lado de príncipes e princesas, de gravador na mão. A cabeça e a carteira andam nas ruas de Nova Iorque, o estômago nos restaurantes de Londres e o bronze nos areais de Copacabana, mas tudo a seu tempo. Agora é altura de ficar em casa - at home, no sentido literal da expressão. No meio das mantas, dos abraços, dos DVD's, dos blogs alheios, das revistas e dos chocolates que (por uns tempos) não posso comer. Aproveito os intervalos para dar azo ao meu revigorado impulso consumista, e trazer para os armários sonhos tornados realidade: enquanto não chega o FIAT 500, vou adquirindo sapatos, produtos de beleza (I'm in love witth Benefit), livros e cd's. A crise, chutei-a para canto, está muito déjà vu!   

[...]

Pronto. Já vi e agora não sei o que escrever.

sábado, dezembro 20, 2008

SPA

Ele até pode nunca mais escrever mais nada na vida, mas um ex-colega de faculdade publicou, há uma porção de anos, um livro de contos chamado "Deus morreu e eu não fui ao funeral". Só por se ter lembrado deste título merece entrar nos anais da literatura.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Antes que seja tarde: votos de um santo Natal*

* ou Mais uma maneira corta-e-cola de criar alérgicos ao Life dadas as suas inspirações assassinas e depressivas ou Eu também não chateio os fanáticos pelo Pai Natal, deixem-me à vontade e sejam felizes ou, pura e simplesmente, O melhor postal de Natal-anti-Natal de sempre. Bem-haja.

Bad Santa

Mas, também, ter trocas de prendas para quê? Há n dias enfiada em casa, com o estômago a rebentar e a paciência no pretérito perfeito, o que é que eu ia trocar? "- Olha, tenho esta caixinha de Omeprazol a mais, se me deres a de Rennie, ainda te acrescento uma embalagem de Primperan..." Infeliz.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Ao ler a Pipoca, lembrei-me...

Não tenho nenhuma troca de prendas agendada e, aposto, não vou marcar nenhuma até dia 24. Será que afinal não tenho amigos, ou sou eu e os meus que temos uma maneira um bocadinho sui generis de (não) celebrar o Natal?

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Lalaland drugstore

domingo, dezembro 07, 2008

baby K.

Este post só aceita 27 comentários de PARABÉNS

sábado, dezembro 06, 2008

[cheguei a casa há vinte minutos]

Cinco da manhã e eu a ver blogs. Está bonito.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Sempre achei que o João Ratão era um grande filho da puta

E, se tivesse tempo, era exactamente sobre isso que ia escrever. Fica o anti-pasti, para não haver a menor hipótese de me esquecer. To be continued...

K de karma

(A vergonha impede-me de colocar o verdadeiro tamanho da caixa normalmente devorada)

quinta-feira, dezembro 04, 2008

"Amália"

Quando Ricardo Espírito Santo apertou a mão de Amália, sentado na eternidade da sua cadeira de rodas, o meu coração gelou. A minha memória gravou, no canto das coisas impossíveis, o olhar daquele homem que morria a dizer adeus, e a esperança da mulher que então parecia acreditar nos dias felizes. O António Pedro Cerdeira, que teve de ir ao Olimpo dos actores para fazer este papel, tem um dia de viver um amor assim, é-lhe devido. E a Sandra Barata Belo, um monstro da representação, ganharia na certa um Oscar, vivesse ela em Hollywood. Não é exagero, é assim. Bastavam as cenas entre os dois e tínhamos filme. Fizeram-se mais, juntou-se a extraordinária Carla Chambel como irmã da diva, e o resultado final é um poema de imagens em movimento, sem rigidez nem ordem certa, tal qual a vida da cantora maior da alma portuguesa.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

3.

"voa coração. ou então arde."
(Eugénio de Andrade)

terça-feira, dezembro 02, 2008

Download

Uma pausazinha na neura estival para partilhar duas pérolas no que toca a séries de televisão: Gossip Girl e Californication. A primeira é uma espécie de blog televisivo sobre um grupinho de jovens do Upper East Side de Nova York, refinado upgrade da tão falada "The O.C.", só que com melhores actores, melhores diálogos, personagens e situações credíveis, roupas bem mais giras e cenários bem mais interessantes; a segunda é a maneira mais rápida de nos rendermos ao talento de David Duchovny, o senhor que há uns anos desvendava "ficheiros secretos" e que agora lança charme como escritor anti-sucesso, pai cool separado-mas-apaixonado, e homem assumidamente viciado em tudo o que mexe. Para mais informações, dirijam-se a qualquer computador longe das vossas casas e dêem início à pirataria. O risco, garanto-vos, será totalmente compensado!

Agenda 2009

segunda-feira, dezembro 01, 2008

O regresso da terrorista emocional*

A três minutos do segundo dia do pior mês do ano, o balanço que faço de Dezembro '08 não é nada positivo: um dia frio, feio, pequeno, neurótico, com filas para o cinema e o Starbucks (oh, país cruel!), gente a mais e pessoas a menos, demasiados chocolates por prateleira quadrada (e, agora, por cada recanto do meu estômago), bolachas bolcahinhas e bolachonas à mão de semear, crianças eufóricas que me fazem lembrar os tempos em que não era uma beata infeliz, e o meu relógio interior, tic-tac, tic-tac, quando é que chegamos a Janeiro, que já não me posso aturar?   

* Que nesta altura do ano veste sempre o seu fato deluxe...

quinta-feira, novembro 27, 2008

Coisinhas intragáveis

Além da Popota, que tal como eu vaticinei o ano passado é um dos inimigos nacionais a abater, há mais três ou quatro elementos nocivos ao bem do país para que este se mantenha, pelo menos, no terceiro mundo. Um deles dá pelo nome de"Verinha Mágica", e segundo o que infelizmente já percebi é uma espécie de animadora da Rádio Cidade que anda pelas ruas a fazer entrevistas. Não vou dizer que o pior desta triste figura é o discurso, porque na verdade nunca cheguei a ouvir uma intervenção sua do início ao fim: assim que a donzela lança o seu "Coooomo é quiii ééééé?", mudo de estação, mesmo que a única em condições de se ouvir esteja a passar música do Emanuel. A "Verinha Mágica" tem como maior qualidade ser a dona da voz mais irritante da rádio portuguesa, e como pior defeito começar sempre as suas intervenções da mesma forma. A menina errada na profissão errada, portanto.
Depois há os pombos. Nunca percebi a velha história de dar pão a indivíduos que não fazem mais nada da vida a não ser cagar por prédios (ou carros) abaixo. Eles são realmente necessários para quê? Encher o Rossio de dejectos? Felizmente alguém de bom-senso já tomou uma atitude, e por todo o lado começam a florescer empresas de "mata-pombos". Sou 100% a favor. Perto da minha casa, onde nem sequer há destes voadores nojentinhos, já vi dois veículos diferentes de duas empresas extermina-pombos. Estive quase para deixar um post-it de agradecimento, mas acabei por mandar a minha avó rezar por estes santos senhores.
As empregadas das lojas de roupa, essa categoria superior de ser humano! O berço de ouro, a educação nos melhores colégios, o sangue azul, os títulos reais, as constantes idas ao estrangeiro, as sete línguas que dominam, o Inverno em Megève e Chamonix, o Verão em St. Tropez, o Natal no Mónaco, o jantar semanal na Bica, o motorista à porta para qualquer lado, o VISA diamond e... "Queres alguma coisa?" (Queres? Mas de onde é que nós nos conhecemos?), "Ah, esse casaco são 120 euros..." (E então bebé, andaste a consultar o meu saldo, foi?), "Nem preciso ver, não temos" (Quanta boa vontade!). Mas elas precisam mesmo de trabalhar?

To: ...

bloggers lmtd

A culpa não morre solteira. Pois não. É por isso que a culpa de eu não andar a escrever lá muito por estes meses não é só minha. É minha, e vossa. Quem vos mandou, leitores com blogs que eu frequento de manhã à noite, a serem tão cumpridores na sua função de actualização de posts? Têm ideia de quantas vezes carrego no botão de refresh? Ah, pois... Julgam que eu só visito os sítios que sugiro no blogroll ali do lado? Que inocência... Acham que é por não comentar os textos, vídeos ou imagens que não passei por lá? Tolice! Com o tempo que gasto (e bem) nos vossos devaneios, perco muitas vezes a paciência para os meus. Até porque os meus já conheço e, sinceramente, acho que não têm gracinha nenhuma. Por isso façam o favor de porem um travão nesse andamento, que eu ainda estou em período de adaptação e só há uma semana é que voltei a deitar-me depois das 23:30. A solidariedade é muito bonitinha e nesta altura do ano só vos faz bem.

domingo, novembro 23, 2008

Temos pena

Retrato

Atrevo-me a dizer que a Fernanda Serrano está ainda mais bonita de cabelo curto. A nova campanha do BPI mostra isso mesmo. Há pessoas que têm a alma estampada na cara.

sábado, novembro 22, 2008

É favor ler O BLOG

Nenhum homem merece que abdiquemos de tudo por ele. Não escrevo isto por ser uma frustrada no amor, nem por ter sido confrontada, recentemente, com nenhuma partida do destino. É uma conclusão de vida. A diferença abissal entre nós e eles está marcada por uma cortina de fumo que se começa a adensar logo no nascimento: eles pedem, nós fazemos. E nem um grande amigo, sendo homem, é merecedor de feitos osbcenamente sobre-humanos. Aqui já posso particularizar. Eu atravessei meio mundo para visitar o meu melhor amigo em Shanghai e, depois disso, ele já veio duas vezes a Portugal e nem sequer me telefonou. Com certeza outros valores mais altos se levantaram. Outra diferença estonteante: para nós, nunca há valores mais altos do que quem nos é realmente importante. Nunca há condicionantes, imprevistos ou tempo contado. A nossa boa vontade é igual à das umas pombas brancas. Não me ocorre uma imagem melhor. E nisto, muitas das melhores recordações que tenho, foram passadas com esses seres do (suposto) sexo forte...

* Homens furiosos com o texto, eu adoro-vos. E já viram que no final até está bem explícita um grande defeito das mulheres? Nunca sabem o que querem, tão contraditórias que são...

àparte

Quando se conhece (termo perigoso, este) o autor dos posts, o que é que está a ler: o blog, ou o dono do blog?

sexta-feira, novembro 21, 2008

Utopia

quinta-feira, novembro 20, 2008

Quanto mais leio...

Escreve-se cada vez mais, e pior, em Portugal.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Challenge

O desafio que já toda a gente fez chega finalmente ao Life. Pôr uma fotografia nossa, escolher uma banda e responder a uma série de perguntas só com músicas desse grupo/artista. Parece-me bem. A foto, eerr..., a foto não ponho, pronto. A banda, é fácil. Escolho U2.

1) És homem ou mulher? Sweetest Thing
2) Descreve-te: Vertigo

3) O que as pessoas acham de ti? Two Shots Of Happy, One Shot Of Sad

4) Como descreves o teu último relacionamento? With Or Without You

5) Descreve o estado actual da tua relação: Two Hearts Beat As One

6) Onde querias estar agora? New York

7) O que pensas a respeito do amor? Even Better Than The Real Thing

8) Como é a tua vida? I Still Haven't Found What I'm Looking For

9) O que pedirias se pudesses ter só um desejo? Miracle Drug

10) Escreve uma frase sábia: Sometimes You Can't Make It On Your Own

O regulamento manda desafiar cinco bloggers, mas como sou do contra não desafio ninguém e aconselho toda a gente.

domingo, novembro 09, 2008

Sem controle

(afinal o coração pode sair de nós)

sábado, novembro 08, 2008

08.11.08

A traição é o fim da linha, ou dá para contornar e seguir em frente? Desculpa-se mas não se esquece, ou esquece-se mas não se desculpa? Há diferentes graus de traição? E tipos de traição, quantos existem? Como se tomam decisões, depois de se ter sido traído? Como é que se distingue o certo do errado, se o antigo certo e errado não passavam de ilusões?  

Que faço eu com este pesadelo?

sexta-feira, novembro 07, 2008

segunda-feira, novembro 03, 2008

Hipóteses

"E eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda de sentimentos que se sucedem e se sucedem e deixam sempre sede no fim"
Caio Fernando Abreu, encontrado aqui

domingo, novembro 02, 2008

11º mês

Chegámos a Novembro e, ao décimo primeiro mês do ano, não me incomoda nada nunca ter visto o "Rei Leão" e ser a única pessoa a não gostar do "E.T.". Passo bem sem Coca-Cola, sem queijo, sem whisky, e sem cozido à portuguesa. Continuo a folhear jornais de trás para a frente, porque normalmente as primeiras notícias são do interesse de quem as faz. Perco tempo com coisas insignificantes, mas que para mim têm toda a importância do mundo: olho para o vazio, decoro momentos de músicas, faço de decisões impossíveis o meu lema de guerra. Sei que não é bonito uma mulher comer desalmadamente, mas não gosto de amores a meio gás e apaixono-me perdidamente por vícios de sempre: o pão, as bolachas, os chocolates. Corto ao meio uma folha de papel em três, e como não sei descascar uma maçã nem sequer a como. Sou do sol, das tardes quentes e dos dias sem fim. Preciso dos cheiros para reconhecer os sítios, lembrar as pessoas, catalogar sensações. O abraço é a minha forma de arte. No inverno, durmo de meias e torno-me insuportavelmente unsexy, mas recuso o frio e as dores de alma. Tenho sede de tempo, bebo sempre Fanta porque prefiro o original à cópia, amanheço para mais palavras num computador qualquer. Espero que as notícias me tragam o pequeno-almoço de há anos, mudo as estações de rádio freneticamente e enfureço-me com a caixa de pastilhas que se perdeu na minha mala. Continuo a ter ao meu lado a mesma boneca de trapos que comprei quando vim para Lisboa, vai para dez anos, e por esta altura do ano já revi o "Love Story", o "Annie Hall" e o "Breakfast At Tiffany's" umas quatro vezes. Não confundo as minhas escolhas, sou do hábito e absolutamente igual a mim. E sempre que ouço "Nowhere Fast" a vida vai começar outra vez. Às vezes, nem com o tempo se mudam as vontades.

terça-feira, outubro 28, 2008

W. (c)

A poucos dias das eleições norte-americanas, fui ver o novo Oliver Stone, W.. Tinha as maiores expectativas, não tanto por ansiar uma biografia de Bush filho, antes por saber que o realizador costuma ser subtilmente implacável na sua crítica às patranhas e piratarias da terra do Tio Sam. Desilusão é a palavra que melhor descreve o meu estado de espírito ao sair do cinema. Não, o filme não é propriamente mau. O problema reside na mensagem que o argumento, baseado em factos reais, passa ao espectador: George júnior é um amor de pessoa, um anjo inocente que, por ter apenas 1/4 de neurónio conduziu a América, e o mundo, ao estado deplorável em que hoje se encontra. Por ser três séculos mais estúpido e menos inteligente que o seu irmão, W. vai envolver-se numa série de peripécias com o intuito de chamar a atenção do pai, que vê nele um looser sem futuro. Salta de emprego em emprego, tem problemas com o álcool, ataques de mau génio, uma família para sustentar e um monte de incertezas na gaveta das meias. Até que... por força do destino vai substituir o irmão como braço-direito do pai na corrida à Casa Branca e faz um brilharete na organização da campanha. Não se sabe de onde vieram as skills que sempre lhe faltaram, mas daí até W. se apaixonar pela política e querer ser governador e senador e commander-in-chief é uma questão de cenas. Quando damos por nós estamos numa reunião de conselho de Estado a ponderar a invasão do Iraque por supostas armas de destruição que ninguém viu mas sabe que existe, e Bush júnior, todo ele um manto de inocência e candura, a ser manipulado pelos seus assessores a tomar decisões erradas e, como se viu depois, fatais. Ou seja, afinal não foi George W. Bush quem quis partir para a guerra - foram os seus homens de confiança, ele só deu a palavra final. Pudera, se até as torturas de Guantanamo são explicadas como um passo de mágica do vice Dick Cheney, que num almoço sui generis convence o presidente a permitir o recurso a técnicas de interrogatório mais violentas...
O filme tem as suas críticas à falta de inteligência de W., claro, e esses momentos até proporcionam algumas gargalhadas, mas a sensação que fica é um bocadinho amarga: estamos a pegar em Bush júnior ao colo até mesmo para o empurrarmos Casa Branca fora, oito anos e muitas asneiras depois; estamos a promover a sua inocência, a desculpar a sua estupidez. E isso, em vésperas de eleições, não é bom sinal.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Das verdades

Entre eu e o meu pretérito perfeito há um muro de vidro que é melhor nunca deitar abaixo.  

25-26

Um bom fim-de-semana é assim: grande. Sexta-feira passou há muitos dias atrás (dois, mas do meu tempo sei eu), o trabalho ficou a milhares de quilómetros atrás (vinte, mais coisa menos coisa), e o prémio do Euromilhões veio mesmo a calhar (é para verem que nem só o dinheiro traz felicidade). Sol. Massas. "A" companhia. Tarde de compras. Cinema. Jantar com a velha guarda. Late night at Rocks. Sono. Efeito Red Bull. Revistas. Cinema. Sushi. Cinema. Sono. Pelo meio há coisas para maiores de 18, outras para médicos e enfermeiros, e mais ainda que não interessam a ninguém. Perderam-se boas chapas, boas conversas gravadas, boas frases para citar. Não deu para fazer mais nada porque a cabeça teve juízo e, mesmo assim, o corpo pagou. Mas, no meio das 48 horas mais bem preenchidas dos meus últimos meses, e quando me confrontei pela primeira vez com ambientes tenebrosos desde que decidi ser saudável, não tive - nem por duas vezes - vontade de dar uma passa num cigarro. Temos mulher!

quinta-feira, outubro 23, 2008

e-motions

quarta-feira, outubro 22, 2008

Um pingo de chuva...

... e ontem à tarde o IC19 virou-se contra mim e demorei 1:40 a chegar a casa.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Tudo a comprar Buraka!

E, no meio de tanto post em atraso, um vício recorrente - Black Diamond!

Glo-ri-quê?

Nada contra o Benfica mas, como os habitués saberão, igualmente nada a favor. Foi uma das melhores, senão a melhor, equipa de futebol portuguesa de tempos que já lá vão, trouxe alegrias e motivos de orgulho ao país, deslumbrou-nos com a Pantera Negra, encheu catedrais de espectadores, ergueu taças como nenhuma outra... Mas, atente-se no tempo verbal: pretérito perfeito, ou seja, algo que já passou. O Benfica fez, e foi, há muito tempo atrás. Há vários campeonatos atrás. Porque hoje em dia, se quiserem elevar algum clube à categoria de mito, façam-no com o Futebol Clube do Porto. São eles que ganham tudo, caraças! Porque não há-de ser o Porto a nova instituição nacional, se é a única, do género, a dar alegrias a milhares de adeptos sedentos de vitórias? É que me dá nojo, asco mesmo, este paternalismo tuga, esta mania de andar com o Benfica ao colo. Ele é A Bola que, em 90% das capas, 98% são sobre o Benfica, é a Sic e os seus especiais "em directo da Luz", é o Nuno Luz, essa figurinha que debita futebol como quem anuncia o final de um período de recessão, são os adeptos que insistem no epíteto de "glorioso"... Está alguém acordado, ou fui só eu a reparar que, de glorioso, este Benfica há quase 15 anos não tem nada?! Como é que um clube que se auto-intitula instituição nacional não ganha nada de relevante desde... bom, em 2004/2005 quebraram o jejum, é certo, mas não era suposto ver os mais-que-bons a arrebatar sempre o primeiro lugar? É que se a equipa encarnada guarda 31 taças relativas a outros tantos campeonatos, o FC Porto, que por enquanto ainda é só instituição distrital, já vai em 23, e tão depressa não deve parar... Por isso vejam lá, senhores redactores d'A Bola, se da próxima vez que o Nélson Évora ganhar uma medalha de ouro não se enganam e põem na capa uma "possível contratação do Benfica", e deixam o herói olímpico a um canto. É feito, é ridículo, e já não há paciência. E sim, no fim de escrever para o boneco e alimentar inimigos benfiquistas continuo verde-lagarta, sportinguista ferrenha, só que as verdades não têm cor e, normalmente, os bons e os fenomenais têm equipamentos de tons diferentes...

As mulheres, as mais ou menos, e as eternamente cabras

Entre a melhor amiga e o namorado novo, a mulher escolhe sempre o gajo, mesmo que a relação tenha começado há sete horas. Entre conversar sobre um futuro a dois ou cortar na casaca de três, a mulher prefere sempre dissertar sobre a vida de várias pessoas, principalmente se estiverem ausentes. Entre a possibilidade de uma nova amiga e a hipótese de lhe tirar as medidas, a mulher nem pensa duas vezes - o rabo é grande demais, as pernas são magras demenos... E, como se de uma verdade matemática se tratasse, sai o resultado final: as mulheres odeiam-se tanto que criaram uma guerra de sexo dentro da guerra dos sexos; uma luta invisível, ridícula e com danos colaterais muito acima dos níveis aconselhados pelo bom-senso.

Durante dois anos levei com as trombas, o mau-humor e a antipatia de uma secretária de redacção que, desde o primeiro minuto, teve como objectivo máximo fazer-me a vida negra. Conseguiu. Em quase 24 meses, não sei se alguma vez se riu para mim, mas tenho a certeza que foram mais do que duas, as vezes que me levantou a voz. Os centímetros que separavam as nossas secretárias eram um abismo entre o meu bem-estar e uma frente de ataque que nunca se sabia para que lado ia atirar: se a minha letra que, ao preencher os recibos, era demasiado pequena, se a falha (capital) em ao fim de quatro meses não saber de cor o número de contribuinte da empresa, se o volume da minha voz, a cadência dos meus risos e sorrisos para com os restantes colegas, se a minha indumentária, que poderia gerar tanto risinhos como comentários de casa-de-banho com as outras frustradas lá do burgo, etc, etc, etc... Foram dois anos em que calei tudo e mais alguma coisa - e sim, muitas vezes aguentei até à hora de saída para me largar num choro pegado no carro, porque a pressão era demais. Pressão? Como, se o meu trabalho era bestial? "Tu vieste invadir o espaço dela", explicou-me o meu primeiro editor, "e isso ela nunca te vai desculpar..." Oi? Está-me a falhar alguma coisa, não? "É que a redacção nunca teve uma jornalista mulher" (ah, pronto, então que traga as verdascas), e além disso "tu és assim magrinha, gira, e dás-te com toda a gente, e isso não lhe agrada muito" (ok, pronta para a crucificação). Ora se eu fui logo avisada que à secretária de redacção, quarentona e com cara de queque podre, não lhe agradava a minha figurinha feminina e alegre, o que é que continuei ali a fazer por mais 24 meses? Afinal não era a madame que escolhia quem de direito entrava e permanecia daquela sala? Era. Tanto era que foram precisos 18 meses para que dos recursos humanos me assinassem um papel, visto que a pessoa que nos assistia trabalhava nos mais negros corredores da maldade, e o meu pedido de nome+carimbo transformou-se numa verdadeira demanda do Santo Graal.
Quando me vim embora, e deixei a mal-f***** (era mesmo assim que se referiam a ti, querida, temos tanta pena) para trás, pensei estar livre desse tipo de crueldade feminina. Nada mais errado. As cabras perversas, as que são realmente putas umas para as outras, estão em todo lado, têm é caras e nomes diferentes. Trabalhem numa estação de serviço ou numa casa de costura. São todas infelizes, amarelas, traídas ou por trair, frustradas, bolorentas, irritantes e irritadas; andam em grupo, porque a união faz a força, e vivem as vidas dos outros porque trataram de estragar as suas com o seu mau-carácter; a última vez que deram uma gargalhada com vida foi no sétimo ano e têm, quase sempre, um anel de namoro mais-velho-que-a-Sé-de-Braga, porque nem o tótó do namorado as quer realmente desposar. Tenho visto umas destas, várias até, e normalmente baixo a cabeça. Ainda deixo que me abalem por ninharias de faca e alguidar. Penso muitas vezes em dialogar, estabelecer contacto e dizer "olá, não me julguem só porque não tenho 70 quilos a mais e uma colóquio de borbulhas na face esquerda", mas estou errada. Onde é que já se viu uma mulher que se diz de M grande ter de pedir desculpa por ser aquilo que é?  

A importância de odiar o IC19

De manhã, não há pontos negros nem sinais vermelhos no IC19. É tudo um grande fosso de carros, motas e camionetas-na-faixa-do-meio numa espiral de pára-arranca que mais parece uma passadeira rolante avariada, barulho de tubos de escape que já tiveram melhores dias em conflito com os pi-pi-pi das notícias à hora em ponto, janelas abertas e cigarros que fumam condutores, olhos encovados e cheiro a sono, energia transformada em mau humor. Não podia ser de outra maneira. Para as centenas de pessoas que, todos os dias, enfrentam o calvário de fazer o trajecto Sintra-Lisboa por este itinerário complementar, é de estranhar que tão poucas (ou até agora, nenhumas) se tenham tornado bombistas suicidas. É que se eu, que vou em sentido contrário e já sinto tremores corpo acima corpo abaixo naqueles 20 minutos que, só por ser manhã têm de ser 50, tenho instintos assassinos, como é possível acreditar que no meio daqueles desgraçados (e perdoem-me, mas não há palavra melhor para descrever quem passa por esta chacina diária) não haja ninguém com tendências, digamos, violentas? Há. Faz agora dois anos que um bancário, recentemente promovido e acabadinho de casar, perdeu a paciência para o trânsito: farto de se levantar às cinco e vinte e três para pôr o carro num "bom lugar" na fila de entrada para a primeira saída que dava acesso ao IC19, deu um tiro na cabeça e foi ocupar espaço no jardim das tabuletas. Não aconteceu mas, garanto-vos, podia ter acontecido.