quinta-feira, novembro 27, 2008

Coisinhas intragáveis

Além da Popota, que tal como eu vaticinei o ano passado é um dos inimigos nacionais a abater, há mais três ou quatro elementos nocivos ao bem do país para que este se mantenha, pelo menos, no terceiro mundo. Um deles dá pelo nome de"Verinha Mágica", e segundo o que infelizmente já percebi é uma espécie de animadora da Rádio Cidade que anda pelas ruas a fazer entrevistas. Não vou dizer que o pior desta triste figura é o discurso, porque na verdade nunca cheguei a ouvir uma intervenção sua do início ao fim: assim que a donzela lança o seu "Coooomo é quiii ééééé?", mudo de estação, mesmo que a única em condições de se ouvir esteja a passar música do Emanuel. A "Verinha Mágica" tem como maior qualidade ser a dona da voz mais irritante da rádio portuguesa, e como pior defeito começar sempre as suas intervenções da mesma forma. A menina errada na profissão errada, portanto.
Depois há os pombos. Nunca percebi a velha história de dar pão a indivíduos que não fazem mais nada da vida a não ser cagar por prédios (ou carros) abaixo. Eles são realmente necessários para quê? Encher o Rossio de dejectos? Felizmente alguém de bom-senso já tomou uma atitude, e por todo o lado começam a florescer empresas de "mata-pombos". Sou 100% a favor. Perto da minha casa, onde nem sequer há destes voadores nojentinhos, já vi dois veículos diferentes de duas empresas extermina-pombos. Estive quase para deixar um post-it de agradecimento, mas acabei por mandar a minha avó rezar por estes santos senhores.
As empregadas das lojas de roupa, essa categoria superior de ser humano! O berço de ouro, a educação nos melhores colégios, o sangue azul, os títulos reais, as constantes idas ao estrangeiro, as sete línguas que dominam, o Inverno em Megève e Chamonix, o Verão em St. Tropez, o Natal no Mónaco, o jantar semanal na Bica, o motorista à porta para qualquer lado, o VISA diamond e... "Queres alguma coisa?" (Queres? Mas de onde é que nós nos conhecemos?), "Ah, esse casaco são 120 euros..." (E então bebé, andaste a consultar o meu saldo, foi?), "Nem preciso ver, não temos" (Quanta boa vontade!). Mas elas precisam mesmo de trabalhar?

To: ...

bloggers lmtd

A culpa não morre solteira. Pois não. É por isso que a culpa de eu não andar a escrever lá muito por estes meses não é só minha. É minha, e vossa. Quem vos mandou, leitores com blogs que eu frequento de manhã à noite, a serem tão cumpridores na sua função de actualização de posts? Têm ideia de quantas vezes carrego no botão de refresh? Ah, pois... Julgam que eu só visito os sítios que sugiro no blogroll ali do lado? Que inocência... Acham que é por não comentar os textos, vídeos ou imagens que não passei por lá? Tolice! Com o tempo que gasto (e bem) nos vossos devaneios, perco muitas vezes a paciência para os meus. Até porque os meus já conheço e, sinceramente, acho que não têm gracinha nenhuma. Por isso façam o favor de porem um travão nesse andamento, que eu ainda estou em período de adaptação e só há uma semana é que voltei a deitar-me depois das 23:30. A solidariedade é muito bonitinha e nesta altura do ano só vos faz bem.

domingo, novembro 23, 2008

Temos pena

Retrato

Atrevo-me a dizer que a Fernanda Serrano está ainda mais bonita de cabelo curto. A nova campanha do BPI mostra isso mesmo. Há pessoas que têm a alma estampada na cara.

sábado, novembro 22, 2008

É favor ler O BLOG

Nenhum homem merece que abdiquemos de tudo por ele. Não escrevo isto por ser uma frustrada no amor, nem por ter sido confrontada, recentemente, com nenhuma partida do destino. É uma conclusão de vida. A diferença abissal entre nós e eles está marcada por uma cortina de fumo que se começa a adensar logo no nascimento: eles pedem, nós fazemos. E nem um grande amigo, sendo homem, é merecedor de feitos osbcenamente sobre-humanos. Aqui já posso particularizar. Eu atravessei meio mundo para visitar o meu melhor amigo em Shanghai e, depois disso, ele já veio duas vezes a Portugal e nem sequer me telefonou. Com certeza outros valores mais altos se levantaram. Outra diferença estonteante: para nós, nunca há valores mais altos do que quem nos é realmente importante. Nunca há condicionantes, imprevistos ou tempo contado. A nossa boa vontade é igual à das umas pombas brancas. Não me ocorre uma imagem melhor. E nisto, muitas das melhores recordações que tenho, foram passadas com esses seres do (suposto) sexo forte...

* Homens furiosos com o texto, eu adoro-vos. E já viram que no final até está bem explícita um grande defeito das mulheres? Nunca sabem o que querem, tão contraditórias que são...

àparte

Quando se conhece (termo perigoso, este) o autor dos posts, o que é que está a ler: o blog, ou o dono do blog?

sexta-feira, novembro 21, 2008

Utopia

quinta-feira, novembro 20, 2008

Quanto mais leio...

Escreve-se cada vez mais, e pior, em Portugal.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Challenge

O desafio que já toda a gente fez chega finalmente ao Life. Pôr uma fotografia nossa, escolher uma banda e responder a uma série de perguntas só com músicas desse grupo/artista. Parece-me bem. A foto, eerr..., a foto não ponho, pronto. A banda, é fácil. Escolho U2.

1) És homem ou mulher? Sweetest Thing
2) Descreve-te: Vertigo

3) O que as pessoas acham de ti? Two Shots Of Happy, One Shot Of Sad

4) Como descreves o teu último relacionamento? With Or Without You

5) Descreve o estado actual da tua relação: Two Hearts Beat As One

6) Onde querias estar agora? New York

7) O que pensas a respeito do amor? Even Better Than The Real Thing

8) Como é a tua vida? I Still Haven't Found What I'm Looking For

9) O que pedirias se pudesses ter só um desejo? Miracle Drug

10) Escreve uma frase sábia: Sometimes You Can't Make It On Your Own

O regulamento manda desafiar cinco bloggers, mas como sou do contra não desafio ninguém e aconselho toda a gente.

domingo, novembro 09, 2008

Sem controle

(afinal o coração pode sair de nós)

sábado, novembro 08, 2008

08.11.08

A traição é o fim da linha, ou dá para contornar e seguir em frente? Desculpa-se mas não se esquece, ou esquece-se mas não se desculpa? Há diferentes graus de traição? E tipos de traição, quantos existem? Como se tomam decisões, depois de se ter sido traído? Como é que se distingue o certo do errado, se o antigo certo e errado não passavam de ilusões?  

Que faço eu com este pesadelo?

sexta-feira, novembro 07, 2008

segunda-feira, novembro 03, 2008

Hipóteses

"E eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda de sentimentos que se sucedem e se sucedem e deixam sempre sede no fim"
Caio Fernando Abreu, encontrado aqui

domingo, novembro 02, 2008

11º mês

Chegámos a Novembro e, ao décimo primeiro mês do ano, não me incomoda nada nunca ter visto o "Rei Leão" e ser a única pessoa a não gostar do "E.T.". Passo bem sem Coca-Cola, sem queijo, sem whisky, e sem cozido à portuguesa. Continuo a folhear jornais de trás para a frente, porque normalmente as primeiras notícias são do interesse de quem as faz. Perco tempo com coisas insignificantes, mas que para mim têm toda a importância do mundo: olho para o vazio, decoro momentos de músicas, faço de decisões impossíveis o meu lema de guerra. Sei que não é bonito uma mulher comer desalmadamente, mas não gosto de amores a meio gás e apaixono-me perdidamente por vícios de sempre: o pão, as bolachas, os chocolates. Corto ao meio uma folha de papel em três, e como não sei descascar uma maçã nem sequer a como. Sou do sol, das tardes quentes e dos dias sem fim. Preciso dos cheiros para reconhecer os sítios, lembrar as pessoas, catalogar sensações. O abraço é a minha forma de arte. No inverno, durmo de meias e torno-me insuportavelmente unsexy, mas recuso o frio e as dores de alma. Tenho sede de tempo, bebo sempre Fanta porque prefiro o original à cópia, amanheço para mais palavras num computador qualquer. Espero que as notícias me tragam o pequeno-almoço de há anos, mudo as estações de rádio freneticamente e enfureço-me com a caixa de pastilhas que se perdeu na minha mala. Continuo a ter ao meu lado a mesma boneca de trapos que comprei quando vim para Lisboa, vai para dez anos, e por esta altura do ano já revi o "Love Story", o "Annie Hall" e o "Breakfast At Tiffany's" umas quatro vezes. Não confundo as minhas escolhas, sou do hábito e absolutamente igual a mim. E sempre que ouço "Nowhere Fast" a vida vai começar outra vez. Às vezes, nem com o tempo se mudam as vontades.

terça-feira, outubro 28, 2008

W. (c)

A poucos dias das eleições norte-americanas, fui ver o novo Oliver Stone, W.. Tinha as maiores expectativas, não tanto por ansiar uma biografia de Bush filho, antes por saber que o realizador costuma ser subtilmente implacável na sua crítica às patranhas e piratarias da terra do Tio Sam. Desilusão é a palavra que melhor descreve o meu estado de espírito ao sair do cinema. Não, o filme não é propriamente mau. O problema reside na mensagem que o argumento, baseado em factos reais, passa ao espectador: George júnior é um amor de pessoa, um anjo inocente que, por ter apenas 1/4 de neurónio conduziu a América, e o mundo, ao estado deplorável em que hoje se encontra. Por ser três séculos mais estúpido e menos inteligente que o seu irmão, W. vai envolver-se numa série de peripécias com o intuito de chamar a atenção do pai, que vê nele um looser sem futuro. Salta de emprego em emprego, tem problemas com o álcool, ataques de mau génio, uma família para sustentar e um monte de incertezas na gaveta das meias. Até que... por força do destino vai substituir o irmão como braço-direito do pai na corrida à Casa Branca e faz um brilharete na organização da campanha. Não se sabe de onde vieram as skills que sempre lhe faltaram, mas daí até W. se apaixonar pela política e querer ser governador e senador e commander-in-chief é uma questão de cenas. Quando damos por nós estamos numa reunião de conselho de Estado a ponderar a invasão do Iraque por supostas armas de destruição que ninguém viu mas sabe que existe, e Bush júnior, todo ele um manto de inocência e candura, a ser manipulado pelos seus assessores a tomar decisões erradas e, como se viu depois, fatais. Ou seja, afinal não foi George W. Bush quem quis partir para a guerra - foram os seus homens de confiança, ele só deu a palavra final. Pudera, se até as torturas de Guantanamo são explicadas como um passo de mágica do vice Dick Cheney, que num almoço sui generis convence o presidente a permitir o recurso a técnicas de interrogatório mais violentas...
O filme tem as suas críticas à falta de inteligência de W., claro, e esses momentos até proporcionam algumas gargalhadas, mas a sensação que fica é um bocadinho amarga: estamos a pegar em Bush júnior ao colo até mesmo para o empurrarmos Casa Branca fora, oito anos e muitas asneiras depois; estamos a promover a sua inocência, a desculpar a sua estupidez. E isso, em vésperas de eleições, não é bom sinal.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Das verdades

Entre eu e o meu pretérito perfeito há um muro de vidro que é melhor nunca deitar abaixo.  

25-26

Um bom fim-de-semana é assim: grande. Sexta-feira passou há muitos dias atrás (dois, mas do meu tempo sei eu), o trabalho ficou a milhares de quilómetros atrás (vinte, mais coisa menos coisa), e o prémio do Euromilhões veio mesmo a calhar (é para verem que nem só o dinheiro traz felicidade). Sol. Massas. "A" companhia. Tarde de compras. Cinema. Jantar com a velha guarda. Late night at Rocks. Sono. Efeito Red Bull. Revistas. Cinema. Sushi. Cinema. Sono. Pelo meio há coisas para maiores de 18, outras para médicos e enfermeiros, e mais ainda que não interessam a ninguém. Perderam-se boas chapas, boas conversas gravadas, boas frases para citar. Não deu para fazer mais nada porque a cabeça teve juízo e, mesmo assim, o corpo pagou. Mas, no meio das 48 horas mais bem preenchidas dos meus últimos meses, e quando me confrontei pela primeira vez com ambientes tenebrosos desde que decidi ser saudável, não tive - nem por duas vezes - vontade de dar uma passa num cigarro. Temos mulher!

quinta-feira, outubro 23, 2008

e-motions

quarta-feira, outubro 22, 2008

Um pingo de chuva...

... e ontem à tarde o IC19 virou-se contra mim e demorei 1:40 a chegar a casa.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Tudo a comprar Buraka!

E, no meio de tanto post em atraso, um vício recorrente - Black Diamond!

Glo-ri-quê?

Nada contra o Benfica mas, como os habitués saberão, igualmente nada a favor. Foi uma das melhores, senão a melhor, equipa de futebol portuguesa de tempos que já lá vão, trouxe alegrias e motivos de orgulho ao país, deslumbrou-nos com a Pantera Negra, encheu catedrais de espectadores, ergueu taças como nenhuma outra... Mas, atente-se no tempo verbal: pretérito perfeito, ou seja, algo que já passou. O Benfica fez, e foi, há muito tempo atrás. Há vários campeonatos atrás. Porque hoje em dia, se quiserem elevar algum clube à categoria de mito, façam-no com o Futebol Clube do Porto. São eles que ganham tudo, caraças! Porque não há-de ser o Porto a nova instituição nacional, se é a única, do género, a dar alegrias a milhares de adeptos sedentos de vitórias? É que me dá nojo, asco mesmo, este paternalismo tuga, esta mania de andar com o Benfica ao colo. Ele é A Bola que, em 90% das capas, 98% são sobre o Benfica, é a Sic e os seus especiais "em directo da Luz", é o Nuno Luz, essa figurinha que debita futebol como quem anuncia o final de um período de recessão, são os adeptos que insistem no epíteto de "glorioso"... Está alguém acordado, ou fui só eu a reparar que, de glorioso, este Benfica há quase 15 anos não tem nada?! Como é que um clube que se auto-intitula instituição nacional não ganha nada de relevante desde... bom, em 2004/2005 quebraram o jejum, é certo, mas não era suposto ver os mais-que-bons a arrebatar sempre o primeiro lugar? É que se a equipa encarnada guarda 31 taças relativas a outros tantos campeonatos, o FC Porto, que por enquanto ainda é só instituição distrital, já vai em 23, e tão depressa não deve parar... Por isso vejam lá, senhores redactores d'A Bola, se da próxima vez que o Nélson Évora ganhar uma medalha de ouro não se enganam e põem na capa uma "possível contratação do Benfica", e deixam o herói olímpico a um canto. É feito, é ridículo, e já não há paciência. E sim, no fim de escrever para o boneco e alimentar inimigos benfiquistas continuo verde-lagarta, sportinguista ferrenha, só que as verdades não têm cor e, normalmente, os bons e os fenomenais têm equipamentos de tons diferentes...

As mulheres, as mais ou menos, e as eternamente cabras

Entre a melhor amiga e o namorado novo, a mulher escolhe sempre o gajo, mesmo que a relação tenha começado há sete horas. Entre conversar sobre um futuro a dois ou cortar na casaca de três, a mulher prefere sempre dissertar sobre a vida de várias pessoas, principalmente se estiverem ausentes. Entre a possibilidade de uma nova amiga e a hipótese de lhe tirar as medidas, a mulher nem pensa duas vezes - o rabo é grande demais, as pernas são magras demenos... E, como se de uma verdade matemática se tratasse, sai o resultado final: as mulheres odeiam-se tanto que criaram uma guerra de sexo dentro da guerra dos sexos; uma luta invisível, ridícula e com danos colaterais muito acima dos níveis aconselhados pelo bom-senso.

Durante dois anos levei com as trombas, o mau-humor e a antipatia de uma secretária de redacção que, desde o primeiro minuto, teve como objectivo máximo fazer-me a vida negra. Conseguiu. Em quase 24 meses, não sei se alguma vez se riu para mim, mas tenho a certeza que foram mais do que duas, as vezes que me levantou a voz. Os centímetros que separavam as nossas secretárias eram um abismo entre o meu bem-estar e uma frente de ataque que nunca se sabia para que lado ia atirar: se a minha letra que, ao preencher os recibos, era demasiado pequena, se a falha (capital) em ao fim de quatro meses não saber de cor o número de contribuinte da empresa, se o volume da minha voz, a cadência dos meus risos e sorrisos para com os restantes colegas, se a minha indumentária, que poderia gerar tanto risinhos como comentários de casa-de-banho com as outras frustradas lá do burgo, etc, etc, etc... Foram dois anos em que calei tudo e mais alguma coisa - e sim, muitas vezes aguentei até à hora de saída para me largar num choro pegado no carro, porque a pressão era demais. Pressão? Como, se o meu trabalho era bestial? "Tu vieste invadir o espaço dela", explicou-me o meu primeiro editor, "e isso ela nunca te vai desculpar..." Oi? Está-me a falhar alguma coisa, não? "É que a redacção nunca teve uma jornalista mulher" (ah, pronto, então que traga as verdascas), e além disso "tu és assim magrinha, gira, e dás-te com toda a gente, e isso não lhe agrada muito" (ok, pronta para a crucificação). Ora se eu fui logo avisada que à secretária de redacção, quarentona e com cara de queque podre, não lhe agradava a minha figurinha feminina e alegre, o que é que continuei ali a fazer por mais 24 meses? Afinal não era a madame que escolhia quem de direito entrava e permanecia daquela sala? Era. Tanto era que foram precisos 18 meses para que dos recursos humanos me assinassem um papel, visto que a pessoa que nos assistia trabalhava nos mais negros corredores da maldade, e o meu pedido de nome+carimbo transformou-se numa verdadeira demanda do Santo Graal.
Quando me vim embora, e deixei a mal-f***** (era mesmo assim que se referiam a ti, querida, temos tanta pena) para trás, pensei estar livre desse tipo de crueldade feminina. Nada mais errado. As cabras perversas, as que são realmente putas umas para as outras, estão em todo lado, têm é caras e nomes diferentes. Trabalhem numa estação de serviço ou numa casa de costura. São todas infelizes, amarelas, traídas ou por trair, frustradas, bolorentas, irritantes e irritadas; andam em grupo, porque a união faz a força, e vivem as vidas dos outros porque trataram de estragar as suas com o seu mau-carácter; a última vez que deram uma gargalhada com vida foi no sétimo ano e têm, quase sempre, um anel de namoro mais-velho-que-a-Sé-de-Braga, porque nem o tótó do namorado as quer realmente desposar. Tenho visto umas destas, várias até, e normalmente baixo a cabeça. Ainda deixo que me abalem por ninharias de faca e alguidar. Penso muitas vezes em dialogar, estabelecer contacto e dizer "olá, não me julguem só porque não tenho 70 quilos a mais e uma colóquio de borbulhas na face esquerda", mas estou errada. Onde é que já se viu uma mulher que se diz de M grande ter de pedir desculpa por ser aquilo que é?  

A importância de odiar o IC19

De manhã, não há pontos negros nem sinais vermelhos no IC19. É tudo um grande fosso de carros, motas e camionetas-na-faixa-do-meio numa espiral de pára-arranca que mais parece uma passadeira rolante avariada, barulho de tubos de escape que já tiveram melhores dias em conflito com os pi-pi-pi das notícias à hora em ponto, janelas abertas e cigarros que fumam condutores, olhos encovados e cheiro a sono, energia transformada em mau humor. Não podia ser de outra maneira. Para as centenas de pessoas que, todos os dias, enfrentam o calvário de fazer o trajecto Sintra-Lisboa por este itinerário complementar, é de estranhar que tão poucas (ou até agora, nenhumas) se tenham tornado bombistas suicidas. É que se eu, que vou em sentido contrário e já sinto tremores corpo acima corpo abaixo naqueles 20 minutos que, só por ser manhã têm de ser 50, tenho instintos assassinos, como é possível acreditar que no meio daqueles desgraçados (e perdoem-me, mas não há palavra melhor para descrever quem passa por esta chacina diária) não haja ninguém com tendências, digamos, violentas? Há. Faz agora dois anos que um bancário, recentemente promovido e acabadinho de casar, perdeu a paciência para o trânsito: farto de se levantar às cinco e vinte e três para pôr o carro num "bom lugar" na fila de entrada para a primeira saída que dava acesso ao IC19, deu um tiro na cabeça e foi ocupar espaço no jardim das tabuletas. Não aconteceu mas, garanto-vos, podia ter acontecido. 

quarta-feira, outubro 15, 2008

Tudo o que dá para fazer em 8 dias (úteis)

Entre os Açores e a cidadela de Cascais, passei pelo S. Jorge e consegui, ontem, pelas 21:30, chegar a casa sem nada para fazer. Já falei com três mil pessoas, vi sítios incríveis e outros nem tanto, ouvi poesia e impropérios, desesperei por uma cama (a minha), por um abraço (...), por uma pausa, tomei benurons de enfiada, apanhei mini-turbulências a bordo, almocei às seis da tarde, trabalhei 15 horas seguidas, entrei em pânico com a minha falta de jeito para lidar com os fait-divers do social, fritei com a minha lacuna em história dos casamentos e separações do mundo que me rodeia, ri-me como só as crianças sabem rir e, curiosamente, piegas como sou, ainda não deitei uma lágrima... Primeira conclusão, assim muito de repente: esta gente trabalha que se farta. Segunda conclusão, menos de um mês depois do "de repente": talvez tenha alguma sorte, porque há aqui duas "máquinas" (uma ao meu lado e outra à minha frente) que parecem boa onda, e lá vão tendo paciência para me explicar tudo. Sem a sua ajuda provavelmente teria cometido, mais do que uma vez, gaffes deste tipo: luzes, câmara, acção, colegas por todo o lado, e Miss K. no seu melhor, "e para quando o casamento?", "de quem?", "o seu!", "eu já sou casado, há dois anos...", "ah... e filhos, não pensam ter?", "mais? já temos dois!". Bom, para oito dias, não me parece nada mal. 

terça-feira, outubro 14, 2008

9:30-24:00

A última vez que vi o meu sofá eram oito e picos da manhã de ontem...

segunda-feira, outubro 13, 2008

My tree fall down

segunda-feira, outubro 06, 2008

Nada de novo

Desapontada

                     adj.
                      que sofreu desapontamento
                      desiludida
                      enganada

domingo, outubro 05, 2008

sexta-feira, outubro 03, 2008

Revitaliza corpo e mente

07:26

Hoje, mal acordei, senti um chamamento e pensei: vou já escrever um post. E escrevi.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Vai por escrito que é para ter mais impacto

Não fumo há coisa de mês e meio, e não tenho saudades nenhumas. Parabéns a mim.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Over-blogged

Este blog está-se a tornar demasiado comercial. Seja porque, vai na volta, despejo para aqui muita porcaria, ou então porque o ambiente, outrora mais reservado, é cada vez mais popular. Pudesse eu apagar certos posts e mascarar (de novo) a minha identidade. 

terça-feira, setembro 23, 2008

... e aconteceu!

Lembram-se deste post?

Eu pedi, eu pedi tanto, eu sonhei a dormir e acordada, e Setembro deu-me o que eu tanto queria:

Miss K. HAS A JOB!

Comecei hoje. Os danos colaterais da pneumonia ainda são bastante dolorosos, e só me deixam dormir uma ou duas horas por noite. Mas isso não interessa nada. Quantas noites é que eu fiquei de olhos abertos no escuro, a pensar no meu regresso ao futuro? Foram dois anos longe do dia-a-dia de uma redacção. Já estava cheia de saudades. Tenho imensa vontade de fazer isto. E de fazer bem.

P.S. - Obrigada, Anita. Foste mesmo a pipoca mais doce.  

domingo, setembro 21, 2008

Domingo de manhã (escrito à noite)

- Lembras-te daquela vez em que eu te dei uma nota dobrada em cinco, mínima, no Totes, e tu ficaste a olhar para mim tipo não sabes que não se dá assim o dinheiro às pessoas?
- Xi, há quanto tempo! Nessa altura tu tinhas vergonha de pagar as coisas, querias sempre que fosse eu!

Este episódio, que já tem uns bons 12 anos, não tem nada de relevante a não ser o facto de ter acontecido entre mim e a minha irmã mais nova: uma conversa banal, sobre um acontecimento banal, num sítio banal. No entanto, nunca me esqueci deste fait-divers. Porquê, não sei. Faz parte daquele grupo privilegiado de coisas, mais ou menos importantes, que o tempo nunca apaga - um instante em que nos despedimos de alguém, a primeira vez que ouvimos uma música, um jantar especial, um encontro inesperado, ou então uma surreal ida ao cabeleireiro que vá-se lá saber porquê não nos sai da memória, uma passagem pela oficina, uma investida ao supermercado... Fico a pensar que, no meio de tantos fragmentos de que é feita a nossa vida, seria um luxo podermos escolher o que realmente gostávamos de guardar. Às vezes dou por mim a lembrar-me das coisas mais patetas, e depois há outras, tão boas, que perdi no momento em que se realizaram. Espero encontrar um dia o meio termo entre a recordação e a saudade.

Frase do dia

I
will
ALWAYS
have
my
BLOG

Japonesices







Agora que já toda a gente voltou ao trabalho, que tal poupar nos almoços? Dava jeito para umas comprinhas extra, não era? Os nossos amigos do Japão andam com marmitas (sempre quis escrever esta palavra!) para todo o lado, e até se divertem a fazer bonecos com arroz e outras iguarias. Está percebido porque é que aquele país cresce tanto a nível económico.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Esquemas

unwritten

Às vezes sou feliz e gosto disto.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Not a big brother

quarta-feira, setembro 17, 2008

Mais-que-perfeito

Contigo deixei de ter problemas de expressão.

O fim do verão.

(silêncio)

terça-feira, setembro 16, 2008

(à parte)

Sei que continuo um e.t. porque ainda não fui ver o Mamma Mia e não estou com vontade nenhuma. Mas desta vez tenho uma razão posh: é que tive a oportunidade de ver o musical em NY, e tenho medo que os gritinhos da Meryl e os grunhidos do Pierce dêem cabo das boas lembranças que guardo comigo.

sábado, setembro 13, 2008

N de novidade

Lembram-se deste post? Pois é, chegou a hora de pagar a promessa. Demorou um bocadinho, mas foi. Aqui está o irmão mais novo do Life, todo ele MODA do início ao fim! Ainda faltam uns retoques, claro, mas também não esperem nada de muito rebuscado porque, afinal de contas, menos é mais (e eu também não tenho jeitinho nenhum para estas coisas...). Impulsionado pelo meu pré-histórico fascínio por trapos e afins, o novíssimo blog da Miss K. não pretende revolucionar as mentes mais old-fashioned ou transgredir códigos de vestuário, nem tão pouco dar lições sobre mandamentos que nem a autora conhece; é apenas um espaço de partilha de vícios platónicos e invejas saudáveis, onde estarão sempre escarrapachadas as coisas que eu gostava de ter, ver, mexer e fazer quando fosse grande. A minha sanidade mental agradece, e o meu lado negro também - por aquelas bandas, bad moods não entram, só joie de vivre em forma de corte e costura, forrada a mil e uma cores de preto e branco. Toca a ir espreitar porque daqui a uns aninhos, quando a Miss for editor-in-chief da Vogue americana, aqueles primeiros posts vão valer milhões!

IWGHWY

Ainda não percebi que lembranças me traz ou que desejos me desperta, mas esta música não me sai da cabeça: Maroon 5, "Won't Go Home Without You". Gozem à vontade, mas há nos acordes qualquer coisinha que mexe comigo, e me dá a sensação-logotipo-da-Nike que nunca soube explicar - parece que a canção vai subindo, subindo, e depois junta-se a mim para atingir qualquer coisa. Cada maluco sua pancada, não é assim que se diz?

quinta-feira, setembro 11, 2008

Volta para o Alaska, que não estás perdoada

A Sarah Palin podia muito bem ter seguido a sua vidinha desinteressante sem receber resquícios do meu ódio, só que algum cérebro vazio da equipa McCain teve a brilhante ideia de a trazer para a ribalta. Ok. Se é guerra que querem, é guerra que vão ter. A senhora, cuja aura assume proporções divinas por ter sido eleita governadora desse estado populoso e influente que é o Alaska em 2006, tem ainda no curriculum a presidência da Câmara da cidade de Wasilla, habitada por 5469 pessoas que ainda não descobriram que o McDonald's já vende saladas e Compal light. Grande feito. De facto, nem sei se a Manuela Ferreira Leite conseguiria liderar tanta gente com aquele ar cinzentão, mas a ideia de que um pisco destes possa ser número dois dos Estados Unidos é demasiado assustadora. Adiante. Palin, ou a pálida, como secretamente lhe chamo, tem cinco filhos e um neto a caminho; deve ser por isso que se diz contra a educação sexual e o direito ao aborto, numa linha de pensamento não muito longe do já velhinho "crescei e multiplicai-vos", tornando o mundo um lugar cada vez mais impossível de suportar... Estranho, estranho, é o bebé ser fruto da sua filhota de dezassete anos, que é como quem diz, menor de idade, que é como quem diz, uma infame pecadora que devia estar a brincar às Barbies nos intervalos da escola, e não a experimentar diferentes posições sexuais - para onde foram os valores católicos e republicanos na hora da fornicação? Ups... Calcanhar de Aquiles, Sarah! Com um look mais infeliz do que a última dona-de-casa desempregada do penúltimo estado dos EUA, Palin não poderia nunca ser submetida a uma extreme makeover, apenas a um do you wanna born again?, tantos são os poros da sua cara que gritam "sopeira". Enfim, é este brinde de loja dos 300 que arranjaram ao senador McCain para vice-presidente. Encontraram-na a pôr gasolina enquanto apanhava um urso polar, taparam-lhe a boca, e ameaçaram-na de viver numa gaiola a cinco metros de Bush Junior se não aceitasse concorrer pelos republicanos. A Sarita ainda teve de ir procurar uma série de palavras ao dicionário, mas concordou assim que lhe prometeram trazer os penteados da década de 80 para tudo o que é catwalk. O problema é que a senhora teve de ir à televisão, teve de se mostrar ao mundo, que ficou chocado quando a hipotética número dois do país mais poderoso de todos nem sequer consegue pronunciar "Afeganistão" sem se engasgar. Uma lástima. E um perigo, tendo em conta que a pálida defende a venda de armas sem rei nem roque, como se de chocolates se tratasse. Assim vai a ala mais radical dos EUA, sempre pior, quando pensávamos que já tínhamos visto tudo mau. Não. Dentro da ignorância, Bush filho parece-me um pouco mais culto, só que é um demónio; McCain é um velho marioneta que só por ter estado no Vietname tem a capa de herói nacional, e a sua nova amiga é um embuste aos que julgam estar a votar numa mulher - não estão. Mulher, com todas as letras, era Hillary, isto é apenas o papel higiénico que ainda havia no rolo das casas-de-banho republicanas.

Não podias ser um bocadinho menos cabra?


Helena Christensen, prestes a celebrar 40 anos, para a GQ italiana

Sic(k)-mulher

Agora que estou em prisão domiciliária, gasto as horas a dormir, comer peixinho-cozido-e-outros-alimentos-saudáveis-que-o-meu-estômago-não-testava-há-três-séculos, ver televisão e passar os olhos pela literatura que a minha mãe, amorosa, me traz do mundo real. Tendo em conta o meu aspecto, uma espécie de pão de forma que ficou por amassar há duas encarnações mas foi deixado à beira da estrada, e a minha total ausência de forças, nenhuma das actividades é para lá de excitante, pelo que normalmente desisto de grandes investidas e me fico pelo conjunto televisor + sofá. E tenho descoberto maravilhas na grelha de programação desordenada dos canais que, por acaso, apanho. Além da Fox Life, que funciona como uma bomba de oxigénio, e da Sic-Notícias, onde se consegue ouvir falar português com menos erros do que é normal, vejo-me agora viciada no canal das mulheres (que por aqui é o 36), onde raramente tinha pousado antes: ele é Oprah, Tyra Banks, Project Runaway, esquadrão da moda, eu sei lá... Sou capaz de ficar horas a consumir formatos destes, mas se por acaso me calha um programa made in Portugal, ai está o caldo entornado! Não aguento as nossas apresentadoras obsoletas, em cenários feios, com convidados piores ainda, à conversa sobre assuntos que não interessam ao director d' "O Crime"; são minutos perdidos, pastilha elástica impossível de mastigar. Em compensação, sou capaz de ver dezasseis vezes a Oprah e o Michael Moore discutirem as falhas do sistema de saúde americano. Afinal de quem é o problema? Sou eu que estou gá-gá, ou as nossas Fátimas e afins já entravam no modo reciclagem?

quarta-feira, setembro 10, 2008

Cartões com veneno

"Not only is life a bitch, it has puppies."

Adrienne E. Gusoff (US teacher and greeting card writer)

Doente, dá-me para isto

Não vale a pena correr, que o tempo não volta para trás.