terça-feira, outubro 28, 2008

W. (c)

A poucos dias das eleições norte-americanas, fui ver o novo Oliver Stone, W.. Tinha as maiores expectativas, não tanto por ansiar uma biografia de Bush filho, antes por saber que o realizador costuma ser subtilmente implacável na sua crítica às patranhas e piratarias da terra do Tio Sam. Desilusão é a palavra que melhor descreve o meu estado de espírito ao sair do cinema. Não, o filme não é propriamente mau. O problema reside na mensagem que o argumento, baseado em factos reais, passa ao espectador: George júnior é um amor de pessoa, um anjo inocente que, por ter apenas 1/4 de neurónio conduziu a América, e o mundo, ao estado deplorável em que hoje se encontra. Por ser três séculos mais estúpido e menos inteligente que o seu irmão, W. vai envolver-se numa série de peripécias com o intuito de chamar a atenção do pai, que vê nele um looser sem futuro. Salta de emprego em emprego, tem problemas com o álcool, ataques de mau génio, uma família para sustentar e um monte de incertezas na gaveta das meias. Até que... por força do destino vai substituir o irmão como braço-direito do pai na corrida à Casa Branca e faz um brilharete na organização da campanha. Não se sabe de onde vieram as skills que sempre lhe faltaram, mas daí até W. se apaixonar pela política e querer ser governador e senador e commander-in-chief é uma questão de cenas. Quando damos por nós estamos numa reunião de conselho de Estado a ponderar a invasão do Iraque por supostas armas de destruição que ninguém viu mas sabe que existe, e Bush júnior, todo ele um manto de inocência e candura, a ser manipulado pelos seus assessores a tomar decisões erradas e, como se viu depois, fatais. Ou seja, afinal não foi George W. Bush quem quis partir para a guerra - foram os seus homens de confiança, ele só deu a palavra final. Pudera, se até as torturas de Guantanamo são explicadas como um passo de mágica do vice Dick Cheney, que num almoço sui generis convence o presidente a permitir o recurso a técnicas de interrogatório mais violentas...
O filme tem as suas críticas à falta de inteligência de W., claro, e esses momentos até proporcionam algumas gargalhadas, mas a sensação que fica é um bocadinho amarga: estamos a pegar em Bush júnior ao colo até mesmo para o empurrarmos Casa Branca fora, oito anos e muitas asneiras depois; estamos a promover a sua inocência, a desculpar a sua estupidez. E isso, em vésperas de eleições, não é bom sinal.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Das verdades

Entre eu e o meu pretérito perfeito há um muro de vidro que é melhor nunca deitar abaixo.  

25-26

Um bom fim-de-semana é assim: grande. Sexta-feira passou há muitos dias atrás (dois, mas do meu tempo sei eu), o trabalho ficou a milhares de quilómetros atrás (vinte, mais coisa menos coisa), e o prémio do Euromilhões veio mesmo a calhar (é para verem que nem só o dinheiro traz felicidade). Sol. Massas. "A" companhia. Tarde de compras. Cinema. Jantar com a velha guarda. Late night at Rocks. Sono. Efeito Red Bull. Revistas. Cinema. Sushi. Cinema. Sono. Pelo meio há coisas para maiores de 18, outras para médicos e enfermeiros, e mais ainda que não interessam a ninguém. Perderam-se boas chapas, boas conversas gravadas, boas frases para citar. Não deu para fazer mais nada porque a cabeça teve juízo e, mesmo assim, o corpo pagou. Mas, no meio das 48 horas mais bem preenchidas dos meus últimos meses, e quando me confrontei pela primeira vez com ambientes tenebrosos desde que decidi ser saudável, não tive - nem por duas vezes - vontade de dar uma passa num cigarro. Temos mulher!

quinta-feira, outubro 23, 2008

e-motions

quarta-feira, outubro 22, 2008

Um pingo de chuva...

... e ontem à tarde o IC19 virou-se contra mim e demorei 1:40 a chegar a casa.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Tudo a comprar Buraka!

E, no meio de tanto post em atraso, um vício recorrente - Black Diamond!

Glo-ri-quê?

Nada contra o Benfica mas, como os habitués saberão, igualmente nada a favor. Foi uma das melhores, senão a melhor, equipa de futebol portuguesa de tempos que já lá vão, trouxe alegrias e motivos de orgulho ao país, deslumbrou-nos com a Pantera Negra, encheu catedrais de espectadores, ergueu taças como nenhuma outra... Mas, atente-se no tempo verbal: pretérito perfeito, ou seja, algo que já passou. O Benfica fez, e foi, há muito tempo atrás. Há vários campeonatos atrás. Porque hoje em dia, se quiserem elevar algum clube à categoria de mito, façam-no com o Futebol Clube do Porto. São eles que ganham tudo, caraças! Porque não há-de ser o Porto a nova instituição nacional, se é a única, do género, a dar alegrias a milhares de adeptos sedentos de vitórias? É que me dá nojo, asco mesmo, este paternalismo tuga, esta mania de andar com o Benfica ao colo. Ele é A Bola que, em 90% das capas, 98% são sobre o Benfica, é a Sic e os seus especiais "em directo da Luz", é o Nuno Luz, essa figurinha que debita futebol como quem anuncia o final de um período de recessão, são os adeptos que insistem no epíteto de "glorioso"... Está alguém acordado, ou fui só eu a reparar que, de glorioso, este Benfica há quase 15 anos não tem nada?! Como é que um clube que se auto-intitula instituição nacional não ganha nada de relevante desde... bom, em 2004/2005 quebraram o jejum, é certo, mas não era suposto ver os mais-que-bons a arrebatar sempre o primeiro lugar? É que se a equipa encarnada guarda 31 taças relativas a outros tantos campeonatos, o FC Porto, que por enquanto ainda é só instituição distrital, já vai em 23, e tão depressa não deve parar... Por isso vejam lá, senhores redactores d'A Bola, se da próxima vez que o Nélson Évora ganhar uma medalha de ouro não se enganam e põem na capa uma "possível contratação do Benfica", e deixam o herói olímpico a um canto. É feito, é ridículo, e já não há paciência. E sim, no fim de escrever para o boneco e alimentar inimigos benfiquistas continuo verde-lagarta, sportinguista ferrenha, só que as verdades não têm cor e, normalmente, os bons e os fenomenais têm equipamentos de tons diferentes...

As mulheres, as mais ou menos, e as eternamente cabras

Entre a melhor amiga e o namorado novo, a mulher escolhe sempre o gajo, mesmo que a relação tenha começado há sete horas. Entre conversar sobre um futuro a dois ou cortar na casaca de três, a mulher prefere sempre dissertar sobre a vida de várias pessoas, principalmente se estiverem ausentes. Entre a possibilidade de uma nova amiga e a hipótese de lhe tirar as medidas, a mulher nem pensa duas vezes - o rabo é grande demais, as pernas são magras demenos... E, como se de uma verdade matemática se tratasse, sai o resultado final: as mulheres odeiam-se tanto que criaram uma guerra de sexo dentro da guerra dos sexos; uma luta invisível, ridícula e com danos colaterais muito acima dos níveis aconselhados pelo bom-senso.

Durante dois anos levei com as trombas, o mau-humor e a antipatia de uma secretária de redacção que, desde o primeiro minuto, teve como objectivo máximo fazer-me a vida negra. Conseguiu. Em quase 24 meses, não sei se alguma vez se riu para mim, mas tenho a certeza que foram mais do que duas, as vezes que me levantou a voz. Os centímetros que separavam as nossas secretárias eram um abismo entre o meu bem-estar e uma frente de ataque que nunca se sabia para que lado ia atirar: se a minha letra que, ao preencher os recibos, era demasiado pequena, se a falha (capital) em ao fim de quatro meses não saber de cor o número de contribuinte da empresa, se o volume da minha voz, a cadência dos meus risos e sorrisos para com os restantes colegas, se a minha indumentária, que poderia gerar tanto risinhos como comentários de casa-de-banho com as outras frustradas lá do burgo, etc, etc, etc... Foram dois anos em que calei tudo e mais alguma coisa - e sim, muitas vezes aguentei até à hora de saída para me largar num choro pegado no carro, porque a pressão era demais. Pressão? Como, se o meu trabalho era bestial? "Tu vieste invadir o espaço dela", explicou-me o meu primeiro editor, "e isso ela nunca te vai desculpar..." Oi? Está-me a falhar alguma coisa, não? "É que a redacção nunca teve uma jornalista mulher" (ah, pronto, então que traga as verdascas), e além disso "tu és assim magrinha, gira, e dás-te com toda a gente, e isso não lhe agrada muito" (ok, pronta para a crucificação). Ora se eu fui logo avisada que à secretária de redacção, quarentona e com cara de queque podre, não lhe agradava a minha figurinha feminina e alegre, o que é que continuei ali a fazer por mais 24 meses? Afinal não era a madame que escolhia quem de direito entrava e permanecia daquela sala? Era. Tanto era que foram precisos 18 meses para que dos recursos humanos me assinassem um papel, visto que a pessoa que nos assistia trabalhava nos mais negros corredores da maldade, e o meu pedido de nome+carimbo transformou-se numa verdadeira demanda do Santo Graal.
Quando me vim embora, e deixei a mal-f***** (era mesmo assim que se referiam a ti, querida, temos tanta pena) para trás, pensei estar livre desse tipo de crueldade feminina. Nada mais errado. As cabras perversas, as que são realmente putas umas para as outras, estão em todo lado, têm é caras e nomes diferentes. Trabalhem numa estação de serviço ou numa casa de costura. São todas infelizes, amarelas, traídas ou por trair, frustradas, bolorentas, irritantes e irritadas; andam em grupo, porque a união faz a força, e vivem as vidas dos outros porque trataram de estragar as suas com o seu mau-carácter; a última vez que deram uma gargalhada com vida foi no sétimo ano e têm, quase sempre, um anel de namoro mais-velho-que-a-Sé-de-Braga, porque nem o tótó do namorado as quer realmente desposar. Tenho visto umas destas, várias até, e normalmente baixo a cabeça. Ainda deixo que me abalem por ninharias de faca e alguidar. Penso muitas vezes em dialogar, estabelecer contacto e dizer "olá, não me julguem só porque não tenho 70 quilos a mais e uma colóquio de borbulhas na face esquerda", mas estou errada. Onde é que já se viu uma mulher que se diz de M grande ter de pedir desculpa por ser aquilo que é?  

A importância de odiar o IC19

De manhã, não há pontos negros nem sinais vermelhos no IC19. É tudo um grande fosso de carros, motas e camionetas-na-faixa-do-meio numa espiral de pára-arranca que mais parece uma passadeira rolante avariada, barulho de tubos de escape que já tiveram melhores dias em conflito com os pi-pi-pi das notícias à hora em ponto, janelas abertas e cigarros que fumam condutores, olhos encovados e cheiro a sono, energia transformada em mau humor. Não podia ser de outra maneira. Para as centenas de pessoas que, todos os dias, enfrentam o calvário de fazer o trajecto Sintra-Lisboa por este itinerário complementar, é de estranhar que tão poucas (ou até agora, nenhumas) se tenham tornado bombistas suicidas. É que se eu, que vou em sentido contrário e já sinto tremores corpo acima corpo abaixo naqueles 20 minutos que, só por ser manhã têm de ser 50, tenho instintos assassinos, como é possível acreditar que no meio daqueles desgraçados (e perdoem-me, mas não há palavra melhor para descrever quem passa por esta chacina diária) não haja ninguém com tendências, digamos, violentas? Há. Faz agora dois anos que um bancário, recentemente promovido e acabadinho de casar, perdeu a paciência para o trânsito: farto de se levantar às cinco e vinte e três para pôr o carro num "bom lugar" na fila de entrada para a primeira saída que dava acesso ao IC19, deu um tiro na cabeça e foi ocupar espaço no jardim das tabuletas. Não aconteceu mas, garanto-vos, podia ter acontecido. 

quarta-feira, outubro 15, 2008

Tudo o que dá para fazer em 8 dias (úteis)

Entre os Açores e a cidadela de Cascais, passei pelo S. Jorge e consegui, ontem, pelas 21:30, chegar a casa sem nada para fazer. Já falei com três mil pessoas, vi sítios incríveis e outros nem tanto, ouvi poesia e impropérios, desesperei por uma cama (a minha), por um abraço (...), por uma pausa, tomei benurons de enfiada, apanhei mini-turbulências a bordo, almocei às seis da tarde, trabalhei 15 horas seguidas, entrei em pânico com a minha falta de jeito para lidar com os fait-divers do social, fritei com a minha lacuna em história dos casamentos e separações do mundo que me rodeia, ri-me como só as crianças sabem rir e, curiosamente, piegas como sou, ainda não deitei uma lágrima... Primeira conclusão, assim muito de repente: esta gente trabalha que se farta. Segunda conclusão, menos de um mês depois do "de repente": talvez tenha alguma sorte, porque há aqui duas "máquinas" (uma ao meu lado e outra à minha frente) que parecem boa onda, e lá vão tendo paciência para me explicar tudo. Sem a sua ajuda provavelmente teria cometido, mais do que uma vez, gaffes deste tipo: luzes, câmara, acção, colegas por todo o lado, e Miss K. no seu melhor, "e para quando o casamento?", "de quem?", "o seu!", "eu já sou casado, há dois anos...", "ah... e filhos, não pensam ter?", "mais? já temos dois!". Bom, para oito dias, não me parece nada mal. 

terça-feira, outubro 14, 2008

9:30-24:00

A última vez que vi o meu sofá eram oito e picos da manhã de ontem...

segunda-feira, outubro 13, 2008

My tree fall down

segunda-feira, outubro 06, 2008

Nada de novo

Desapontada

                     adj.
                      que sofreu desapontamento
                      desiludida
                      enganada

domingo, outubro 05, 2008

sexta-feira, outubro 03, 2008

Revitaliza corpo e mente

07:26

Hoje, mal acordei, senti um chamamento e pensei: vou já escrever um post. E escrevi.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Vai por escrito que é para ter mais impacto

Não fumo há coisa de mês e meio, e não tenho saudades nenhumas. Parabéns a mim.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Over-blogged

Este blog está-se a tornar demasiado comercial. Seja porque, vai na volta, despejo para aqui muita porcaria, ou então porque o ambiente, outrora mais reservado, é cada vez mais popular. Pudesse eu apagar certos posts e mascarar (de novo) a minha identidade. 

terça-feira, setembro 23, 2008

... e aconteceu!

Lembram-se deste post?

Eu pedi, eu pedi tanto, eu sonhei a dormir e acordada, e Setembro deu-me o que eu tanto queria:

Miss K. HAS A JOB!

Comecei hoje. Os danos colaterais da pneumonia ainda são bastante dolorosos, e só me deixam dormir uma ou duas horas por noite. Mas isso não interessa nada. Quantas noites é que eu fiquei de olhos abertos no escuro, a pensar no meu regresso ao futuro? Foram dois anos longe do dia-a-dia de uma redacção. Já estava cheia de saudades. Tenho imensa vontade de fazer isto. E de fazer bem.

P.S. - Obrigada, Anita. Foste mesmo a pipoca mais doce.  

domingo, setembro 21, 2008

Domingo de manhã (escrito à noite)

- Lembras-te daquela vez em que eu te dei uma nota dobrada em cinco, mínima, no Totes, e tu ficaste a olhar para mim tipo não sabes que não se dá assim o dinheiro às pessoas?
- Xi, há quanto tempo! Nessa altura tu tinhas vergonha de pagar as coisas, querias sempre que fosse eu!

Este episódio, que já tem uns bons 12 anos, não tem nada de relevante a não ser o facto de ter acontecido entre mim e a minha irmã mais nova: uma conversa banal, sobre um acontecimento banal, num sítio banal. No entanto, nunca me esqueci deste fait-divers. Porquê, não sei. Faz parte daquele grupo privilegiado de coisas, mais ou menos importantes, que o tempo nunca apaga - um instante em que nos despedimos de alguém, a primeira vez que ouvimos uma música, um jantar especial, um encontro inesperado, ou então uma surreal ida ao cabeleireiro que vá-se lá saber porquê não nos sai da memória, uma passagem pela oficina, uma investida ao supermercado... Fico a pensar que, no meio de tantos fragmentos de que é feita a nossa vida, seria um luxo podermos escolher o que realmente gostávamos de guardar. Às vezes dou por mim a lembrar-me das coisas mais patetas, e depois há outras, tão boas, que perdi no momento em que se realizaram. Espero encontrar um dia o meio termo entre a recordação e a saudade.

Frase do dia

I
will
ALWAYS
have
my
BLOG

Japonesices







Agora que já toda a gente voltou ao trabalho, que tal poupar nos almoços? Dava jeito para umas comprinhas extra, não era? Os nossos amigos do Japão andam com marmitas (sempre quis escrever esta palavra!) para todo o lado, e até se divertem a fazer bonecos com arroz e outras iguarias. Está percebido porque é que aquele país cresce tanto a nível económico.

sexta-feira, setembro 19, 2008

Esquemas

unwritten

Às vezes sou feliz e gosto disto.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Not a big brother

quarta-feira, setembro 17, 2008

Mais-que-perfeito

Contigo deixei de ter problemas de expressão.

O fim do verão.

(silêncio)

terça-feira, setembro 16, 2008

(à parte)

Sei que continuo um e.t. porque ainda não fui ver o Mamma Mia e não estou com vontade nenhuma. Mas desta vez tenho uma razão posh: é que tive a oportunidade de ver o musical em NY, e tenho medo que os gritinhos da Meryl e os grunhidos do Pierce dêem cabo das boas lembranças que guardo comigo.

sábado, setembro 13, 2008

N de novidade

Lembram-se deste post? Pois é, chegou a hora de pagar a promessa. Demorou um bocadinho, mas foi. Aqui está o irmão mais novo do Life, todo ele MODA do início ao fim! Ainda faltam uns retoques, claro, mas também não esperem nada de muito rebuscado porque, afinal de contas, menos é mais (e eu também não tenho jeitinho nenhum para estas coisas...). Impulsionado pelo meu pré-histórico fascínio por trapos e afins, o novíssimo blog da Miss K. não pretende revolucionar as mentes mais old-fashioned ou transgredir códigos de vestuário, nem tão pouco dar lições sobre mandamentos que nem a autora conhece; é apenas um espaço de partilha de vícios platónicos e invejas saudáveis, onde estarão sempre escarrapachadas as coisas que eu gostava de ter, ver, mexer e fazer quando fosse grande. A minha sanidade mental agradece, e o meu lado negro também - por aquelas bandas, bad moods não entram, só joie de vivre em forma de corte e costura, forrada a mil e uma cores de preto e branco. Toca a ir espreitar porque daqui a uns aninhos, quando a Miss for editor-in-chief da Vogue americana, aqueles primeiros posts vão valer milhões!

IWGHWY

Ainda não percebi que lembranças me traz ou que desejos me desperta, mas esta música não me sai da cabeça: Maroon 5, "Won't Go Home Without You". Gozem à vontade, mas há nos acordes qualquer coisinha que mexe comigo, e me dá a sensação-logotipo-da-Nike que nunca soube explicar - parece que a canção vai subindo, subindo, e depois junta-se a mim para atingir qualquer coisa. Cada maluco sua pancada, não é assim que se diz?

quinta-feira, setembro 11, 2008

Volta para o Alaska, que não estás perdoada

A Sarah Palin podia muito bem ter seguido a sua vidinha desinteressante sem receber resquícios do meu ódio, só que algum cérebro vazio da equipa McCain teve a brilhante ideia de a trazer para a ribalta. Ok. Se é guerra que querem, é guerra que vão ter. A senhora, cuja aura assume proporções divinas por ter sido eleita governadora desse estado populoso e influente que é o Alaska em 2006, tem ainda no curriculum a presidência da Câmara da cidade de Wasilla, habitada por 5469 pessoas que ainda não descobriram que o McDonald's já vende saladas e Compal light. Grande feito. De facto, nem sei se a Manuela Ferreira Leite conseguiria liderar tanta gente com aquele ar cinzentão, mas a ideia de que um pisco destes possa ser número dois dos Estados Unidos é demasiado assustadora. Adiante. Palin, ou a pálida, como secretamente lhe chamo, tem cinco filhos e um neto a caminho; deve ser por isso que se diz contra a educação sexual e o direito ao aborto, numa linha de pensamento não muito longe do já velhinho "crescei e multiplicai-vos", tornando o mundo um lugar cada vez mais impossível de suportar... Estranho, estranho, é o bebé ser fruto da sua filhota de dezassete anos, que é como quem diz, menor de idade, que é como quem diz, uma infame pecadora que devia estar a brincar às Barbies nos intervalos da escola, e não a experimentar diferentes posições sexuais - para onde foram os valores católicos e republicanos na hora da fornicação? Ups... Calcanhar de Aquiles, Sarah! Com um look mais infeliz do que a última dona-de-casa desempregada do penúltimo estado dos EUA, Palin não poderia nunca ser submetida a uma extreme makeover, apenas a um do you wanna born again?, tantos são os poros da sua cara que gritam "sopeira". Enfim, é este brinde de loja dos 300 que arranjaram ao senador McCain para vice-presidente. Encontraram-na a pôr gasolina enquanto apanhava um urso polar, taparam-lhe a boca, e ameaçaram-na de viver numa gaiola a cinco metros de Bush Junior se não aceitasse concorrer pelos republicanos. A Sarita ainda teve de ir procurar uma série de palavras ao dicionário, mas concordou assim que lhe prometeram trazer os penteados da década de 80 para tudo o que é catwalk. O problema é que a senhora teve de ir à televisão, teve de se mostrar ao mundo, que ficou chocado quando a hipotética número dois do país mais poderoso de todos nem sequer consegue pronunciar "Afeganistão" sem se engasgar. Uma lástima. E um perigo, tendo em conta que a pálida defende a venda de armas sem rei nem roque, como se de chocolates se tratasse. Assim vai a ala mais radical dos EUA, sempre pior, quando pensávamos que já tínhamos visto tudo mau. Não. Dentro da ignorância, Bush filho parece-me um pouco mais culto, só que é um demónio; McCain é um velho marioneta que só por ter estado no Vietname tem a capa de herói nacional, e a sua nova amiga é um embuste aos que julgam estar a votar numa mulher - não estão. Mulher, com todas as letras, era Hillary, isto é apenas o papel higiénico que ainda havia no rolo das casas-de-banho republicanas.

Não podias ser um bocadinho menos cabra?


Helena Christensen, prestes a celebrar 40 anos, para a GQ italiana

Sic(k)-mulher

Agora que estou em prisão domiciliária, gasto as horas a dormir, comer peixinho-cozido-e-outros-alimentos-saudáveis-que-o-meu-estômago-não-testava-há-três-séculos, ver televisão e passar os olhos pela literatura que a minha mãe, amorosa, me traz do mundo real. Tendo em conta o meu aspecto, uma espécie de pão de forma que ficou por amassar há duas encarnações mas foi deixado à beira da estrada, e a minha total ausência de forças, nenhuma das actividades é para lá de excitante, pelo que normalmente desisto de grandes investidas e me fico pelo conjunto televisor + sofá. E tenho descoberto maravilhas na grelha de programação desordenada dos canais que, por acaso, apanho. Além da Fox Life, que funciona como uma bomba de oxigénio, e da Sic-Notícias, onde se consegue ouvir falar português com menos erros do que é normal, vejo-me agora viciada no canal das mulheres (que por aqui é o 36), onde raramente tinha pousado antes: ele é Oprah, Tyra Banks, Project Runaway, esquadrão da moda, eu sei lá... Sou capaz de ficar horas a consumir formatos destes, mas se por acaso me calha um programa made in Portugal, ai está o caldo entornado! Não aguento as nossas apresentadoras obsoletas, em cenários feios, com convidados piores ainda, à conversa sobre assuntos que não interessam ao director d' "O Crime"; são minutos perdidos, pastilha elástica impossível de mastigar. Em compensação, sou capaz de ver dezasseis vezes a Oprah e o Michael Moore discutirem as falhas do sistema de saúde americano. Afinal de quem é o problema? Sou eu que estou gá-gá, ou as nossas Fátimas e afins já entravam no modo reciclagem?

quarta-feira, setembro 10, 2008

Cartões com veneno

"Not only is life a bitch, it has puppies."

Adrienne E. Gusoff (US teacher and greeting card writer)

Doente, dá-me para isto

Não vale a pena correr, que o tempo não volta para trás.

segunda-feira, setembro 08, 2008

Miss K. hesita entre o aqueduto e a 25 de Abril

Estou com uma pneumonia. É apenas o seguimento de um Verão em grande.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Must-see

Não é preciso ser-se fã dos Joy Division para se gostar de "Control", mas é provável que no final fiquemos um bocadinho interessados em saber mais qualquer coisa sobre a banda. A culpa é de Sam Riley - ou Ian Curtis, o vocalista que morreu cedo demais (tinha apenas 23 anos) - que tem um papel esquizofrenicamente bom. Ficamos com vontade de o ajudar, de o controlar, só que a distância entre o tempo e o ecrã é tão grande como a que separa o homem da sua própria mente. 

quinta-feira, setembro 04, 2008

O livro das caras*

Esqueçam lá o Hi5, deixem de tentar fazer uma página no MySpace, o que está a dar é o Facebook. Não é que eu tenha cancelado a minha conta no ai-cinco, nada disso, afinal quantas pessoas encontrei ao fim de três séculos de separação forçada (e quantos jantares combinei e quantos beijinhos mandei, etc, etc) através desse admirável mundo novo, desde que me lancei nele, em finais de 2004? Muitas, é certo. Só que, com o tempo, aquilo perdeu a graça, tornou-se demasiado popular, privacidade é mentira, e qualquer gato-sapato nos manda mensagens ridículas sem pés nem cabeça. Enough is enough. Por isso, fiem-se no que vos digo. Se querem estar ao mesmo nível das stars mais stars de todas, liguem-se ao Facebook e descubram a imensidão de quizzes, jogos, mapas-mundo, grupos, horóscopos, causas e adereços que podem partilhar com os vossos amigos. Com uma benesse: aqui criança não entra, ou pelo menos assim é suposto. E as vossas "páginas" só são vistas pelo people do vosso entourage. Querem saber como é que a Lilly Allen anuncia o começo ou o fim de uma relação? Muda o status do Facebook para "in a relationship with..." ou "single". E a Lindsay Lohan, essa doidivanas cheia de pinta, imaginam o que faz com a religião a que tanto é devota? Muda-a conforme as religious views do/a o/a namorado/a! Vá, divirtam-se lá com isto, que até eu perco tempo nestas brincadeiras. Depois digam-me se acharam assim tão mau.

* ou Achei por bem escrever um trash-post depois da tristeza em que isto tem andado, mas em breve voltarei à carga, ainda que saiba fazer coisas destas, não é muito a minha natureza - olha se isto tivesse sido o título principal, era pequeno, hãn?

Dos momentos em que Deus passou pela terra

(Jude Law, essa exportação pecaminosa do império britânico) 

'Tou f*****

"Como disse Oscar Wilde, depois dos vinte e cinco anos toda a gente tem a mesma idade."
Paul Auster in As Loucuras de Brooklyn

terça-feira, setembro 02, 2008

Na sala

Se me sentar no meio do sofá fico mesmo em frente à televisão mas por outro lado apanho com o sol que vem da rua e se reflecte no ecrã deixando-me mais zonza que uma mosca em luz fluorescente só que aqui não há moscas e deste lado do sofá não estou bem o melhor é deitar-me puxar uma almofada para trás das costas outra para qualquer coisa que me lembre depois e a manta claro ah e vou puxar a mesinha isso tem mesmo de ser senão onde é que ponho a garrafa de água os telefones o livro que hei-de ler as revistas e a tralha que me acompanha para sei lá onde tem graça que até deitada sinto uma estranheza qualquer uma espécie de formigueiro não sei se me falta o ar se tenho ar a mais pego no catálogo do Ikea para me distrair e vejo uma série de móveis que não posso comprar faço zapping e encontro a Tyra Banks a fazer extreme makeovers lá fico entretida com aquilo durante um tempo quando dou por mim já passei pelas brasas já acabou o telejornal já é noite está escuro e apesar do meu televisor ter feito os possíveis para eu me esquecer que fora da sala a vida continua tudo está como dantes: tu não estás aqui.   

Wanted

segunda-feira, setembro 01, 2008

OMG...

Ontem não vos contei, mas estive a falar com Deus. Logo eu, que não acredito que Ele realmente exista. É verdade, ainda estivemos uns bons seis minutos em amena cavaqueira, eu sentada no sofá do costume, Ele num sítio qualquer lá para os lados do céu - pelo menos foi o que me disse. Da conversa há umas miudezas que gostava de partilhar. Para começar, o Senhor deve ter mesmo muito que fazer uma vez que, estranhamente, não sabia o meu nome nem de onde eu estava a teclar: provou, logo aí, que a história da omnipresença e omnisciência não passa de uma grande tanga para assustar criancinhas que não querem comer a sopa. Depois perguntei-lhe se iria arranjar o belo do emprego, e em menos de nada Ele lá disse que sim, que seria óptimo, e não se dando por satisfeito ainda fez umas piadolas que só nas nuvens é que devem ter graça, perguntou se eu tinha bebido (hello?!) e despediu-se com um "até à próxima" que me deixou em ebulição. Trocado por miúdos, e porque não quero ficar ainda mais doida do que sempre fui, vão aqui. Já foram? Então expliquem-me o que é isto do chat de inteligência artifical, que em menos de três segundos põe Deus a responder a cada uma das minhas questões como se estivesse aqui ao meu lado?

"Hello, September, darling!"

...Trazes emprego?

domingo, agosto 31, 2008

Last post

Mas que mania é esta de não me poder deitar antes da meia-noite, meia-noite e meia?

sexta-feira, agosto 29, 2008

Odeio passarinhos

Ia copiar para aqui "Certezas", um poema do Mário Quintana (1906-1994) que é uma espécie de manifesto, mas depois apercebi-me que, hoje em dia, já só me fazem sentido alguns versos. São estes:

"Não quero alguém que morra de amor por mim...
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.

Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante para mim é saber que eu, em algum momento, foi insubstituível. E que esse momento será inesquecível.

Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão (...), que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena."

Ora o que é que isto quer dizer? Quem conhece o poema, já me topou: faltam aqui não sei quantas certezas, as mais optimistas, as da felicidade pura, as que qualquer pessoa iria pôr... Pois é. Tornei-me terrorista emocional e o meu alvo sou eu. Mas infelizmente não digo o contrário do que estou a sentir, estou mesmo a falar verdade.

quinta-feira, agosto 28, 2008

No exit

quarta-feira, agosto 27, 2008

Nem de propósito

"Se a juventude soubesse, se a velhice pudesse..."
Henri Estienne

terça-feira, agosto 26, 2008

So not 27

Podia-me ter dado para outra coisa, mas deu-me para isto. A três meses dos 27, ando psicótica com a idade: além de estar rabujenta, passo uns bons minutos por dia a pensar em implicar com as minhas sobrancelhas demoníacas, reparo se os meus braços têm sinais de envelhecimento precoce, condeno-me por nunca ter ginasticado os meus joelhos hiper-amorfos, vejo celulite em tudo o que é espaço de perna, sinto-me cansada, gasta... Em suma, acho-me acabada. Na rua, dou por mim a olhar para tudo quanto é velho(a) com uma atenção redobrada, de expressão assustada em riste, a pensar "é já aqui, eu vou ficar assim mal virar a esquina, está feito, e pensar que ainda tinha tanto para viver...". Agora que decidi deixar de pagar o ginásio (onde nunca ia), o último laço que me prendia à civilização pós-moderna-e-stressada-mas-cheia-de-vida, tenho a certeza de que sou a mulher nova mais velha de Lisboa e arredores. Porra mais as depressões sazonais.

* Antes que caia o Carmo e a Trindade: nada contra os velhos(as). Só os acho ligeiramente parados e moles, o que me assusta horrores pois sei perfeitamente que já tiveram estes meus quase 27 anos e a cabeça cheia de tralha por arrumar. Ainda não decidi se um dia quero ser velha, só isso.

O tempo (às vezes) perdoa

Muito tempo depois do que devia ter sido, vi finalmente estas quase duas horas de magia, e pedi desculpa aos meses que passei na mais perfeita ignorância sobre a ciência dos sonhos. Sim, acredito que possa ser possível viver fora deste mundo.